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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Quem não é para dançar também não é para trabalhar

austra_2016

 

Aos poucos, o novo álbum dos AUSTRA vai ganhando forma. A banda já tinha revelado "Utopia", há algumas semanas, e agora deixou outra pista para um dos lançamentos do próximo ano a ter em conta - a editar logo a 20 de Janeiro.

 

"FUTURE POLITICS" é o tema homónimo do terceiro álbum dos canadianos e mantém a boa impressão do single anterior enquanto acelera o ritmo. Entre teclados e sintetizadores com travo electro, a voz de Katie Stelmanis impõe-se e ajuda a distinguir a música do grupo de muita da indietrónica actual, com bónus num refrão especialmente orelhudo.

 

A confirmar-se o que a vocalista tem avançado, este será apenas um dos vários candidatos a hinos para a pista de dança do disco, com a pulsão física a conjugar-se com uma vertente política e filosófica. E se o videoclip anterior já tinha uma visão de futuro algo distópica, o novo dá outra perspectiva do caos urbano numa fuga ao trabalho e à rotina em busca do ócio e da celebração. Nesse aspecto, uma canção como esta não funciona nada mal:

 

 

A juventude não espera

the_xx_2016

 

Numa altura em que 2016 começa a ter os primeiros balanços musicais (e outros), vão chegando mais pistas para alguns dos lançamentos de 2017. E o terceiro álbum dos THE XX estará entre os mais aguardados, além de ser dos primeiros do ano: chama-se "I See You" e é editado a 13 de Janeiro.

 

O primeiro single, "ON HOLD", sugere que o trio britânico não mudou muito desde o já distante "Coexist" (2012), que por sua vez já era uma evolução na continuidade face à estreia homónima (2009). A canção mantém o tom midtempo quase sempre dominante no grupo, assim como o cruzamento das vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim e a electrónica dançável q.b. de Jamie xx, que se intromete no flirt de guitarra e baixo com ecos pós-punk (mas muito amansados).

 

Apesar da familiaridade talvez excessiva, este não é um mau regresso, embora também não esteja à altura do hype que se instalou em torno da banda (e "I Dare You", o tema apresentado ao vivo entretanto no "Saturday Night Live", também não promete grandes viragens). Mais surpreendente, ainda assim, é o videoclip, ao mostrar uma faceta menos melancólica do que o habitual - aliás, traz uns The xx invulgarmente festivos. Filmado em Marfa, no Texas, onde o trio gravou parte do disco, é um olhar sobre a juventude local com os membros do grupo à mistura, às vezes a fazer lembrar o clássico "All I Need", dos Air. Agora é só seguir por aqui e talvez menos pela sombra:

 

 

Barrete de marca, mas barrete na mesma

Desilusão da temporada? Nem o elenco de luxo consegue salvar "ANIMAIS NOCTURNOS", com Tom Ford indeciso entre o tom que quer dar ao seu segundo (e interminável) filme.

 

NOCTURNAL ANIMALS

 

Se há trailers que contam praticamente toda a história do filme, o de "ANIMAIS NOCTURNOS" faz precisamente o oposto: promete um thriller piscológico negro, insinuante e magnético, com apuro visual à altura, mas está muito longe daquilo que o sucessor de "Um Homem Singular" (2009) tem para oferecer.

 

Embora na estreia na realização Tom Ford tenha dado um salto surpreendente e elogiado da moda para o cinema, à segunda o efeito fica muito aquém do estatuto de promessa. Esta adaptação do romance "Tony and Susan", de Austin Wright, tem na verdade muito pouco de nocturno ao apostar numa lógica de livro dentro do filme que vai trocando o universo da alta sociedade do arranque - atmosfera que o realizador capta com alguma energia - por uma trama policial tão derivativa e sem sinais particulares como a de muitas séries de investigação de linha de montagem.

 

A história da pobre menina rica - uma negociadora de arte em crise de meia idade algo antecipada - já não é propriamente o material mais fascinante ou original, mas Ford ainda consegue apresentá-la com alguma ironia e peso dramático enquanto vai exibindo uma colecção de ambientes importados de David Lynch ou Nicolas Winding Refn. Só que depois de uma primeira meia-hora sedutora q.b., o filme perde-se irremediavelmente ao levar-se demasiado a sério numa banal história de vingança, que só a espaços recupera o sarcasmo inicial.

 

NOCTURNAL ANIMALS

 

A trama do subenredo que acaba por tomar conta da narrativa mostra-se tão arrastada e redundante que nem os actores são capazes de fazer muito para ajudar. Pior: as personagens são tão planas que Jake Gyllenhaal acaba por ter aqui um desempenho inesperadamente cabotino, daqueles que só mesmo vendo é que se acredita (e que nem sequer é temperado com algum humor que pudesse ampará-lo, pelo menos em parte). Amy Adams faz o que pode com a caricatura de mulher amargurada que o argumento lhe oferece, apesar de tudo preferível à de Michael Shannon, que faz de polícia desbocado com uma perna às costas. Ironicamente, o actor menos cotado deste núcleo, Aaron Taylor-Johnson, é o que deixa o desempenho mais convincente, na pele de um crimonoso lunático - que, de qualquer forma, não contribuiu para dar grande densidade a estas figuras.

 

"ANIMAIS NOCTURNOS" até pode fazer vista pela chuva de estrelas, do realizador ao elenco, e por estar forrado numa fotografia e banda sonora lustrosas, só que nada disso chega quando o resultado é tão atabalhoado, ao longo de duas horas que parecem insistir em não terminar. Cinema de griffe, mas menos satisfatório do que muita marca branca...

 

 

 

"Ninguém parado, ninguém calado"

elza_soares

 

Apesar de não ter contado com um cartaz tão sonante como os de algumas edições anteriores, o VODAFONE MEXEFEST, que regressou a Lisboa na passada sexta e sábado, ainda contou com uma mão cheia de bons concertos. No SAPO Mag, recordo os dos Jagwar Ma, Nao, Sunflower Bean e Medeiros/Lucas, no primeiro dia, e de Elza Soares, Digable Planets e Señoritas, no segundo.

 

Bailando no México

denver_2016

 

Os DËNVER continuam a oferecer motivos para voltar a "Sangre Cita", o seu quarto álbum, editado no ano passado. Depois do óptimo "El Fondo De Barro", a dupla chilena aposta em mais um tema do disco, também este um dos que vinca a faceta mais dançável e acessível do alinhamento face aos antecessores.

 

"MI DERROTA" começa por fazer lembrar algumas tendências do R&B recente, com batida tensa e insinuante, antes de se atirar a um refrão mais garrido e sintético, num single óbvio que só peca por tardio. O travo pop é sublinhado no videoclip, com produção e coreografias inspiradas em estrelas norte-americanas e nipónicas (a meio caminho entre Britney Spears, Grimes e os Kero Kero Bonito) apesar de ter sido gravado na Cidade do México, durante a digressão da banda. Um bom rastilho para aquecer nestes dias a caminho do Inverno: