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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Os meninos dançam

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Por um lado, os COMPACT DISK DUMMIES não fazem grandes avanços à mistura de guitarras e sintetizadores que deu a conhecer os Klaxons, The Shoes, Delphic ou Juveniles há uns anos. Por outro, e tal como aconteceu com essas bandas, passar ao lado do disco de estreia da dupla belga é perder algumas das canções mais pegajosas deste Verão - e daquelas que em vez de saturarem à primeira, obrigam a ir voltando ao disco.

 

"Silver Souls", o álbum dos irmãos Janus e Lennert Coorevits, chega depois do EP "Mess with Us", de 2013, e confirma que o duo tem pontaria para pop dançável e vitaminada, alicerçada num formato canção que não esconde flirts com o electro ou o techno. No fundo, é um disco que poderia ser associado à new rave caso a tendência não tivesse nascido e morrido tão depressa há cerca de dez anos - com a vantagem de ter um alinhamento mais consistente do que os álbuns de muitos nomes dessa altura.

 

O coro infantil de "Remain in Light", aposta arriscada mas bem sucedida, ou a voz feminina em "No More", que fecha o disco em modo ressaca, são apenas duas das particularidades que este ciclo de canções vai revelando enquanto atira algumas pérolas para a pista de dança. É o caso de "Girls Keep Drinking", "Ulysses", "True Colours" ou de um dos singles, "HOLY LOVE", que junta sopros à festa:

 

 

Então adeus, "sestras"

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É capaz de ser melhor assim... talvez seja preferível que "ORPHAN BLACK" fique mesmo pela quinta temporada, confirmação anunciada agora que a quarta chegou ao último capítulo. E chegou de forma bem menos inspirada do que um arranque que prometia recuperar a graça, subtileza e engenho dos episódios iniciais da saga de Sarah Manning e seus clones.

 

Mas nesta altura já nem Tatiana Maslany, habitualmente impecável na pele uma mão cheia de personagens, consegue disfarçar que esta história anda em círculos desde há muito, e o facto de ela ser tão boa só acentua o quão maus podem ser alguns actores secundários e as figuras que encarnam - os vilões desta temporada, então, são do mais preguiçoso e cabotino, ao nível de algumas reviravoltas de telenovela dos últimos episódios.

 

Ao contrário de temporadas anteriores, até a actriz principal começa a revelar algum cansaço, com a personagem de Krystal, estereótipo da loura burra elevado até à quinta casa, a mostrar-se um tremendo tiro ao lado - e a trazer ainda mais viragens de tom a uma história com dificuldades em manter a agilidade de outros tempos. E o pior é que clones como este roubam espaço aos que valem mesmo a pena, como Helena, que continua a ter as melhores tiradas (e das poucas em que o humor não parece forçado) mas foi completamente desaproveitada ultimamente.

 

Por isso, depois de uma quarta temporada que não conseguiu resolver os problemas da terceira, mesmo com alguns bons ingredientes pelo meio (além de Maslany, Felix e Mrs. S. vão garantindo alguma solidez dramática), será melhor dizer adeus em vez de voltar a desejar rápidas melhoras. Até porque ninguém tem muitas saudades de "Sangue Fresco"; pois não?

 

Contos de Verão

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Pet Shop Boys, Étienne Daho, Giorgio Moroder. Synthpop e chanson. Festa e tédio. Comoção e ironia.

 

Estas são algumas das coordenadas das férias dos SANS SEBASTIEN no EP "Loin d'ici", o terceiro da dupla francesa com selo da Lisbon Lux Records, editora de Montreal dedicada a artistas francófonos em terreno electrónico.

 

Com o Verão a servir de mote, Cyril Briere e Nicolas Magenham deixam meia dúzia de temas com tempero soalheiro, às vezes dançável, noutros casos com uma melancolia de final de tarde a lembrar "As Canções de Amor" (e outras) de Alex Beaupain (confirmar em "Un soir d'été, que pode ser ouvida aqui, tal como o resto do disco).

 

O postal ilustrado da viagem fica por conta de "LA FÊTE EST TRISTE", single com doses generosas de teclados e sintetizadores que convida Laurence Guatarbes, cuja voz já é habitual nas canções do duo e surge em mais duas faixas do EP. O videoclip prova, como o tema, que apesar da fama, o Verão não é necessariamente a estação mais animada. Às vezes, pode até revelar-se a mais solitária - embora não o seja tanto quando há discos como este na bagagem.

 

 

O fim do mundo em collants

Embora seja um final digno para a segunda trilogia dos mutantes, "X-MEN: APOCALIPSE" fica aquém dos capítulos anteriores e acaba por dar razão a um comentário de Jean Grey: neste caso, o terceiro filme é mesmo o pior.

 

x-men_apocalipse

 

Bryan Singer terá sempre um papel importante na transposição de super-heróis da BD para o cinema. Afinal, os seus dois primeiros filmes centrados na equipa do Professor Xavier provaram que havia esperança para o género quando as aventuras carnavalescas de Batman, dirigidas por Joel Schumacher, ainda estavam bem presentes e deixavam traumas à grande maioria dos fãs. Também é verdade que o que então foi um gesto arriscado transformou-se em tendência e na actual galinha dos ovos de ouro de Hollywood, mas o regresso do realizador de "Os Suspeitos do Costume" ao universo mutante, com "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido", não desiludiu, mesmo que o melhor capítulo da saga tenha sido assinado por Matthew Vaughn - o antecessor "X-Men: O Início", uma lição de como fazer uma prequela.

 

"X-MEN: APOCALIPSE" vem agora fechar o ciclo e até nem o faz mal, apesar de realçar alguns problemas dos anteriores - como a overdose de personagens ou a previsibilidade do terceiro acto - sem juntar grandes ingredientes que lhe concedam especial valor acrescentado. Há caras novas, e vale a pena conhecer algumas, mas na essência esta continua a ser a história de Magneto, Xavier e Mística, o que nem sempre é uma vantagem. Se por um lado esse núcleo duro assegura a coerência narrativa da trilogia, as relações entre as personagens de Michael Fassbender (excelente, como sempre), James McAvoy (seguro, mais uma vez) e Jennifer Lawrence (mais apagada do que nos anteriores) já têm pouco da tensão inicial e parecem andar em círculos.

 

O final, por exemplo, tem uma ligeireza que faz tábua rasa ao que ficou para trás - com destaque para várias cidades transformadas em pó ou uma cena em Auschwitz a deixar sérias reservas - e torna os conflitos do trio protagonista meio indiferentes e inconsequentes. Mas se as motivações de Magneto parecem arbitrárias a partir de certa altura, as do verdadeiro vilão de serviço, Apocalipse (Oscar Isaac a fazer o que pode), são ainda mais vagas, sobretudo as que levaram à escolha dos seus cavaleiros: supostamente os mutantes mais poderosos do mundo, na prática uma Psylocke risível e um Anjo/Arcanjo igualmente frustrante - o caso dela é especialmente penoso depois de tanto alimentar de expectativa por parte de Olivia Munn (aqui em modo cosplay com ar de frete) e do material promocional.

 

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A nova Tempestade, encarnada por Alexandra Shipp, também não convence muito e fica-se pela ligeira melhoria em relação à de Halle Berry. Mas a culpa nem é da actriz, já que não tem propriamente uma personagem para explorar. Mais promissores são os novos Ciclope e Jean Grey, embora Tye Sheridan seja capaz de muito melhor do que o que lhe dão e Sophie Turner nunca chegue a fazer esquecer Sansa Stark.

 

Com tantas figuras para seguir, "X-MEN: APOCALIPSE" perde boa parte do tempo com introduções e referências a episódios anteriores, o que nem seria grande problema se a recta final entusiasmasse e surpreendesse. Mas a solução Deus ex machina é demasiado fácil e Singer escorrega nos efeitos especiais da destruição em massa, não conseguindo disfarçar o excesso de CGI e ficando aquém da desenvoltura de sequências anteriores - como um confronto entre Anjo e Nocturno (pena que Kodi Smit-McPhee tenha tão pouco para fazer) ou o momento de descompressão a cargo de Mercúrcio (versão revista e melhorada daquele que Peter Evans protagonizou no filme anterior, com a vantagem de ser menos gratuita e de a sua personagem justificar a presença nesta história).

 

Este capítulo final olha, de resto, demasiadas vezes para trás, e se integrado na trilogia até funciona, enquanto objecto isolado tem mais dificuldades em fazer-se valer. Até a atmosfera dos anos 80, depois das das décadas de 60 e 70 nos capítulos anteriores, fica aquém do potencial, e se não fossem alguns pormenores ocasionais (um genérico de TV, o penteado à Martin Gore de Anjo) a acção poderia desenrolar-se nos dias de hoje. Neste aspecto, algumas das cenas cortadas (cerca de meia hora de material) talvez pudessem ter feito a diferença - como as que mostram Ciclope, Jean Grey, Nocturno e Jubileu (esta mais cameo do que personagem) no centro comercial, à partida mais interessadas em explorar as relações entre os X-Men do que em fazer o argumento andar.

 

Sente-se falta desse lado humano aqui, ainda que haja boas ideias a pairar no meio do caos, como o facto de Mística ser uma referência para os heróis mais jovens devido ao seu "coming out" mutante em frente às câmaras, uma daquelas pontes com a realidade que ajudaram distinguir a Marvel e esta equipa em particular. Nada que não possa ser repensado numa eventual (ou quase certa) nova trilogia, até porque não faltam mutantes à espera de vaga no grande ecrã...