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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Quando o México é uma miragem

 

"Mexico", o novo álbum dos GusGus, não só está entre os bons regressos do ano como é o disco mais inspirado dos islandeses desde "This Is Normal" (1999), o seu registo de referência. No domingo, prepara-se para começar a rodar o mundo numa digressão que arranca na cidade-natal da banda, Reiquiavique, com um concerto de abertura para Justin Timberlake. Mas se o cantor de "Cry Me a River" até já passou por Lisboa este ano, infelizmente nenhuma das 25 cidades onde os GusGus vão actuar é portuguesa, o que só vem prolongar uma ausência demasiado longa (desde 2006, no Festival Sunrise, no Algarve?).

 

Enquanto não podemos vê-los num palco próximo, vão chegando mais videoclips. O da faixa-título é já o terceiro (depois de "Crossfade" e "Obnouxiously Sexual") e inspira-se na capa do álbum para experiências de animação a antecipar a cenografia dos concertos, diz a Kompakt Records. A canção, a única instrumental do alinhamento, nem é dos momentos mais brilhantes mas mostra que os islandeses também sabem jogar no campeonato dançável de uns Chemical Brothers:

 

Os cinco estarolas (e uma aventura a meio gás)

 

O nível de expectativa em relação à maioria dos blockbusters de Verão - e aos deste em particular - anda tão em baixo que um divertimento razoável como "Os Guardiões da Galáxia" parece ganhar logo direito a ser celebrado, seja nas bilheteiras ou por boa parte da crítica. Tanto melhor para a Marvel, cuja aposta em James Gunn, escolha pouco óbvia e que alguns consideraram arriscada, não só foi um trunfo como já garantiu uma sequela.

 

O realizador norte-americano tinha demonstrado em "Slither - Os Invasores" (2006) e "Super Quê?" (2010) que os ambientes de série B e de super-heróis, respectivamente, não lhe eram estranhos, e esta adaptação de um grupo de personagens cósmicas e marginais da BD deve muito a essas linhagens.

Mas é pena que Gunn nunca consiga manter um tom ao longo de duas horas irregulares, indecisas entre o saudável desvario de uma aventura paródica, acção pouco mais do que rotineira (sobretudo na recta final) e momentos dramáticos intrusivos, ainda mais forçados do que as recorrentes tentativas de humor (estas a variar entre o habilidoso, em alguns jogos de linguagem divertidos, e o aparvalhado, como numa péssima e decisiva cena da batalha final que quase deita o filme abaixo).

 

Se é verdade que "Os Guardiões da Galáxia" não se leva tão a sério como outras adaptações de super-heróis, o que só lhe fica bem quando tem um guaxinim ou uma planta antropomorfizados entre as personagens, também não chega a ser a viagem delirante que os seus melhores episódios sugerem - Guillermo del Toro, por exemplo, saiu-se bem melhor a combinar excentricidade, ironia e acção na saga de Hellboy, em especial no segundo filme.

 

 

O que começa como uma perseguição ágil que vai juntando cinco anti-heróis com personalidades contrastantes - e doses generosas de mau feitio, irresponsabilidade e oportunismo - acaba formatado por uma ode à união e à amizade que perde a graça quando vai acumulando sequências melosas, tão artificiais como a colecção de extraterrestres. O argumento episódico e genérico não ajuda muito e é basicamente uma desculpa para entrecruzar o quinteto e explorar a sua dinâmica. Pelo caminho ficam algumas boas ideas, como a mixtape de canções foleiras dos anos 70 guardada religiosamente pelo protagonista, embora até esta se esgote ao fim de duas ou três cenas.

 

Chris Pratt e Zoe Saldana têm carisma, desenvoltura, química e fazem o que podem com as duas personagens que mais resistem à caricatura, mesmo que não consigam resistir às imposições românticas do argumento, também elas a expor a mão pesada do lado dramático. Já Glenn Close, Benicio Del Toro, John C. Reilly, Djimon Hounsou ou Josh Brolin são reduzidos a cameos de luxo, apesar de tudo com mais presença do que Lee Pace, vilão baço a lembrar uma personagem descartável de "He-Man" e não tanto a versão de Ronan, o Acusador da BD, mais ambígua e intrigante. Mas nem era preciso a ameaça ser fraca para adivinhar como termina esta jornada, por muito que Gunn tente enganar-nos com perigos ao virar do planeta...

 

 

As brumas de "Par Avion"

 

Dez anos depois de formarem os Xeno & Oaklander, Sean McBride e Liz Wendelbo parecem ter pouca vontade de abandonar o caminho entre a coldwave e synth pop crepuscular, já percorrido desde o disco de estreia, "Vigils" (2006). E se calhar ainda bem, porque "Par Avion", o novo e quarto álbum, volta a mostrar que a dupla de Brooklyn conhece esses domínios como poucos.

 

Não é um caminho particularmente novo, os Visage, Ultravox ou New Order dos primeiros tempos que o digam. E às vezes nem tenta ir muito além da mera revisitação, mesmo que inegavelmente meticulosa. Mas pelo menos os adeptos de electrónica sombria, minimalista e cinemática deverão agradecer canções como "Par Avion" ou "Sheen".

 

Na primeira, a voz distante de Wendelbo marcha por um tapete de sintetizadores e drum machine, em modo sorumbático mas hipnótico - o videoclip, de imagem granulada e tons sépia, filmado em Budapeste, parece ter saído directamente do lado mais obscuro dos anos 80, à medida da canção. Já "Sheen" é dos temas mais arejados de sempre dos Xeno & Oaklander, a lembrar uns Vive La Fête menos expansivos e a sugerir que ainda vai havendo, aqui e ali, alguma margem de manobra para contornar o nevoeiro cerrado:

 

 

Verão árabe

 

Filme de estreia de Yuval Adler, "Belém" não só partilha os ambientes do conflito israelo-árabe com "Omar", também em cartaz, como parte de modelos do policial para seguir um informador palestiniano e um agente dos serviços secretos israelitas. Mas embora a premissa seja comparável, a abordagem do realizador israelita - escrita a quatro mãos, ao lado de um jornalista palestiniano - tem poucas semelhanças com a do filme de Hany Abu-Assad.

 

Se "Omar" acaba por nunca se afastar do protagonista que lhe dá título, tanto na acção como na visão do conflito (sempre do ponto de vista da Cisjordânia), "Belém" alterna entre a rotina de Razi, o agente, e Sanfur, o adolescente com quem o primeiro estabelece uma relação quase paternal para tentar descobrir o paradeiro do seu irmão, líder de uma unidade que luta contra a ocupação.

 

Enquanto mergulha nos meandros desta investigação, Adler adopta o formato narrativo de procedural televisivo, acompanhando de forma precisa os passos do agente e a teia mais complexa da resistência palestiniana.

 

 

As muitas trocas de informação são fulcrais para o desenrolar da acção, mas "Belém" ganha mais força quando se desvia do thriller e dá espaço ao estudo de personagens. O drama de Sanfur é especialmente forte, ao mostrar um miúdo obrigado a crescer demasiado rápido quando tenta estar ao nível do irmão e honrar e impressionar o pai sem comprometer o seu papel de informador, que esconde da família.

 

Shadi Mar'i, um dos muitos actores amadores do elenco, defende uma personagem exigente com uma energia impressionante, ao conciliar inocência, angústia e determinação. Mais contido, Tsahi Halevi não encarna uma figura tão temperamental mas mostra um carisma comparável enquanto se debate com o papel de pai e de agente.

 

À volta do jogo entre o polícia e o informador, Adler vai deixando um olhar sobre o conflito que, apesar de tentar não ser tendencioso, acaba por ser mais crítico em relação ao lado palestiniano quando expõe a guerra interna entre as várias facções ou contrasta as figuras femininas locais com as israelitas.

 

De qualquer forma, tal como em "Omar", ambos os lados são humanizados (e aqui até de forma mais equilibrada) e nenhum fica isento de culpas, ainda que "Belém" prefira concentrar-se nas personagens em vez de disparar acusações sobre o seu contexto. O filme de Hany Abu-Assad já era dos mais recomendáveis da temporada, agora tem boa companhia para uma sessão dupla (mesmo que em salas diferentes).

 

 

Depois da praia, a montanha

 

Começaram por dar que falar com um single que ainda é das suas melhores canções e facilmente a mais emblemática. Cinco anos depois desse promissor "Let's Go Surfing" e sem grandes sucessores à altura nos dois álbuns que se seguiram, os The Drums garantem deixar a praia no próximo disco, "Encyclopedia", agendado para 23 de Setembro.

 

A primeira amostra, "Magic Mountain", comprova o som mais cru, pesado e surpreendente que a dupla de Brooklyn tem prometido para o alinhamento em entrevistas recentes. O cruzamento entre guitarras e sintetizadores mantém-se e Johnny Pierce e Jacob Graham continuam a apostar quase tudo no refrão (felizmente, a insistência é mais viciante do que cansativa), mas o tom mais musculado e a lógica pára-arranca mostram uma euforia que parecia ter esmorecido.

 

O videoclip acompanha a mudança de ambientes e encontra a dupla a refugiar-se na montanha com armaduras, entre imagens a preto e branco e uma (inesperada) dedicatória a Elizabeth Taylor no final:

 

O sol nasce sempre

 

A separação das Vivian Girls, no início deste ano, fez com que o projecto paralelo da ex-baixista, Katy Goodman, se tornasse no principal. Quando responde como La Sera, a nova-iorquina acumula também as funções de cantora e compositora, mais uma vez bem defendidas no seu terceiro álbum a solo, "Hour of the Dawn".

 

O disco faz justiça ao título e é mesmo o mais luminoso da sua autora, quase sempre com alusões ao Verão, seja nas histórias que conta ou, sobretudo, nos ambientes tão devedores dos girl groups dos anos 50 e 60 como do surf rock seu contemporâneo. Alguma dream pop também passa por aqui e chega a lembrar não tanto os álbuns da antiga banda de Katy Goodman, mas de gente como os Best Coast (em fase de inspiração) ou umas Dum Dum Girls mais veraneantes. O encanto, mesmo que eventualmente sazonal, explica-se pela leveza e harmonias vocais de "All My Love Is for You", "Control", "Summer of Love" ou "Fall in Place", o único tema com videoclip até agora:

 

Os tribalistas

 

E se os Ladytron sambassem? O novo projecto de um dos elementos da banda não dá propriamente a resposta, mas faz a aproximação possível. Depois de produzir o disco de estreia a solo da colega Helen Marnie, no ano passado, Daniel Hunt tem andado ocupado com Tamoios, aventura paralela ao lado dos brasileiros Luisa Maita e Fernando Rischbieter.

 

A morar em São Paulo desde 2012, o multi-instrumentista britânico promete um álbum entre a pop electrónica através da qual se distinguiu e influências tropicais, uma novidade no seu percurso - por muito que os ambientes dos Ladytron tenham mudado ao longo de cinco discos. A viragem sul-americana começa logo pelo nome do projecto, que designava uma tribo indígena do litoral brasileiro, e mantém-se num primeiro single com percussão tribal moderada e voz feminina lânguida, a abrir caminho para um longa-duração no Outono. Soa mais aos Brazilian Girls do que aos Ladytron, mas soa bem.

 

A aproximação ao Brasil em geral e a São Paulo em particular sai reforçada no videoclip de "Alto lá", que tem como cenário o Memorial da América Latina, um dos marcos arquitectónicos da cidade, da autoria de Oscar Niemeyer - embora as imagens até vivam mais da(s) figura(s) da vocalista, quase sempre em contraluz:

 

 

 

O paraíso, nunca (?)

 

A discrição da estreia de "Omar" é inversamente proporcional ao tempo de antena dos temas abordados pelo filme nos noticiários, sobretudo nos últimos dias - e pelos motivos menos felizes. E é pena, porque se é verdade que também passam por aqui situações marcadas pelo conflito israelo-palestiniano, nem todas são as que vemos noutros ecrãs, ou pelo menos não as vemos apresentadas desta forma.

 

Tal como no poderoso e justamente premiado "O Paraíso, Agora!"(2005), o olhar de Hany Abu-Assad volta a fazer a diferença num retrato ambivalente e à prova de simplismos, não necessariamente neutro, nem tentando sê-lo tanto quanto esse antecessor, mas sempre ponderado, adulto, sério sem ser sisudo, urgente sem cair em histerias ou rodriguinhos - e talvez por isso tenha sido nomeado para Óscar de Melhor Filme Estrangeiro ou distinguido em Cannes, nada mal para o primeiro filme feito quase só com investimento palestiniano.

 

Depois de relatar as experiências de dois bombistas suicidas com uma empatia que gerou controvérsia, o realizador palestiniano acompanha o conterrâneo Omar, jovem padeiro cuja colaboração na morte de um soldado israelita o torna num alvo dos ocupantes da Cisjordânia, que depois de o capturarem e torturarem lhe dão a oportunidade de se tornar num agente duplo. E a partir daí, não só a sua liberdade fica cada vez mais condicionada como o seu sonho de casar com Nadia, irmã de um dos seus amigos militantes, é igualmente ameaçado.

 

 

Esgueirando-se entre o thriller e o drama, com agilidade para o primeiro e sensibilidade para o segundo, "Omar" recorre a alguns códigos narrativos reconhecíveis para contar uma história num cenário pouco habituado a acolhê-los. Uma história baseada em factos verídicos, incluindo em alguns vividos pelo próprio Abu-Assad, e um dos casos em que as reviravoltas reais competem com as da ficção rocambolesca q.b..

Mas apesar das surpresas do argumento, o resultado não é implausível e convence tanto na candura das cenas amorosas como nos momentos policiais de tom mais agreste, com destaque quase inevitável para as cenas em que os soldados israelitas perseguem o protagonista pelas ruas da sua vila. Omar não é Jason Bourne, mas Abu-Assad não fica a dever nada a Paul Grengrass, com a vantagem da montagem do seu filme ser menos epiléptica e capaz de manter um apelo físico assinalável.

 

O contraste entre esses ambientes, muitas vezes abrupto para quem vê embora habitual para quem o vive, é um dos elementos mais fortes de um filme em que a amizade, o amor e a confiança ficam reféns de um sistema de controlo claustrofóbico, com danos irreversíveis para o idealismo de um protagonista que nunca se despede, ainda assim, da sua dignidade. E aí há que elogiar Adam Bakri, a comandar um elenco de actores maioritariamente amadores (e credíveis) com a obstinação, elegância e intensidade que a personagem merece. Sem julgamentos, e também sem grandes soluções à vista, Abu-Assad segue-o com cinema à altura e conta, mais uma vez, a história dos que nem sempre a podem contar.

 

 

Agressões numa pista de dança

 

"Carpe Jugular" foi das melhores surpresas de "Age", o disco mais recente dos Hidden Cameras, ao deixar de lado a pop de câmara associada aos canadianos e procurar inspiração na pista de dança - não só pela moldura electrónica (linhagem anos 80) mas também pela própria letra, crónica de corações partidos em ambiente hedonista.

 

Escolhida, e bem, como novo single do projecto de Joel Gibb, a canção ganha agora ilustração quase literal num videoclip certeiro. O jogo de olhares e movimentos, entre a sedução e a agressão, dá outra força ao que já era um belo exemplar de synth pop negra, embora com margem para sarar as feridas neste complemento visual:

 

40 de 2014

 

Num mundo perfeito, os Bis teriam tanta atenção como uns Franz Ferdinand, também eles de Glasgow, também eles inspirados pelo pós-punk. No mundo que temos, a banda de Manda Rin, John Disco e Sci-fi Steven (como não simpatizar com gente com nomes destes?) conta apenas com uma canção que poderá aproximar-se de um hit: a do genérico final da série das Powerpuff Girls (como não simpatizar com gente que fez música para a era dourada do Cartoon Network?).

 

Dificilmente será "Data Panik Etcetera", o novo disco, a mudar muito as coisas. Antes pelo contrário, este quarto álbum até tem passado mais despercebido do que os anteriores, o preço a pagar por uma separação no início do milénio que resultou em projectos - individuais ou em grupo - ainda mais discretos. Neste regresso, os Bis juntam canções novas, dão outra cara a algumas raridades e repescam temas dos Data Panik, grupo que formaram depois da dissolução ao lado de outros músicos. E o que poderia soar a uma manta de retalhos requentada é um dos discos mais frescos dos últimos tempos, além de uma das pouquíssimas revisitações recentes do pós-punk com identidade e garra.

 

 

B-52's, Human League, Talking Heads ou Blur (em alguns piscares de olhos à britpop) continuam a ser referências inegáveis, mas não há mal nenhum nisso quando temos tantas viragens e surpresas pelo caminho, desde a forma como as vozes masculina e feminina se revezam entre o protagonismo e os coros ao contraste instrumental comparável, num braço de ferro entre o orgânico e o electrónico a reforçar o apelo físico - a sequência "Flesh Remover"/"(That Love Ain't) Justified"/"Insider", lá para o final, amparada na percussão, é especialmente transpirada e estonteante.

 

"Data Panik Etcetera" é um óptimo candidato a disco deste Verão, mas há mais uns quantos álbuns a reter do primeiro semestre de 2014. Abaixo recordo 15, embora a colheita inclua outros que merecem ser ouvidos do princípio ao fim, ou que raramente pedem o salto para a faixa seguinte. Um balanço mais memorável do que o cinematográfico, talvez o mais fraco dos últimos anos - a absurda quantidade de estreias, inversamente proporcional ao tempo de cada filme nas salas, também não ajuda nada. Os palcos pareceram mais apelativos, mas ficou muita coisa por ver. Mesmo assim, Silence 4, Warpaint e Arcade Fire deixaram três concertos para não esquecer tão depressa. Ao lado de uma dezena de canções à altura, fica feito o top 40 dos últimos seis meses, sem ordem de preferência.

 

Nota: este post estreia o novo layout do blog, cortesia do Pedro Neves e dos Blogs do SAPO

 

5 FILMES

 

 

"O Clube de Dallas", Jean-Marc Vallée
"Jovem e Bela", François Ozon
"Mãe e Filho", Calin Peter Netzer
"Tom na Quinta", Xavier Dolan
"X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido", Bryan Singer

 

15 DISCOS INTERNACIONAIS

 

 

"Data Panik Etcetera", Bis
"Diploid Love", Brody Dalle
"Too True", Dum Dum Girls
"The Future's Void", EMA
"Vieux Frères - Partie 1", FAUVE
"Mexico", GusGus
"Age", The Hidden Cameras
"Food", Kelis
"I Never Learn", Lykke Li
"July", Marissa Nadler
"Changing Light", Mirah
"Blank Project", Neneh Cherry
"Tales From the Realm of the Queen of Pentacles", Suzanne Vega
"Luck", Tom Vek
"Joyland", Trust

5 DISCOS NACIONAIS

 


"#batequebate", D'Alva
"A Bunch of Meninos", Dead Combo
"True", The Legendary Tigerman
"Penelope", Sequin
"Mambos de Outros Tipos", Throes + The Shine

 

5 CONCERTOS

 

 

Arcade Fire no Rock in Rio Lisboa
Hercules and Love Affair no Rock in Rio Lisboa
Matias Aguayo no Lux
Silence 4 no Pavilhão Atlântico (foto @Rita Sousa Vieira/SAPO On The Hop)
Warpaint na Aula Magna

 

10 CANÇÕES

 

 

"Wave", Beck
"Down in the Hole", Bruce Springsteen
"Neuromancer", EMA
"Brooklyn Baby", Lana Del Rey
"Vox Tuned D.E.D.", Liars
"Wolves and Lambs", Maria Minerva
"Desire", Marissa Nadler
"No Direction Home", Mirah
"Tempest", Shit Robot
"Geryon", Trust