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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

THERE`S NO PLACE LIKE...

...UNL??????
Ontem, antes de ir ao doclisboa, aproveitei que estava perto da minha ex-faculdade e fui lá almoçar (sim, porque mesmo com advertências a dizer que é necessário cartão de estudante o espírito "deixa andar" é quem mais ordena...típico). Apesar de já não ir lá há meses, pareceu-me que ainda tinha estado lá na semana passada...
O Outono tem destas coisas, estranhas sensações de nostalgia...Quem diria que eu iria ter saudades??? Vivendo e aprendendo...

NOVOS OLHARES CINEMATOGRÁFICOS

O Segundo Festival de Cinema Documental de Lisboa, a decorrer na Culturgest até ao final de Outubro, tem registado múltiplas sessões esgotadas e destaca-se como uma prova da adesão do público português a novos formatos cinematográficos.

Na programação de ontem, o doclisboa incluiu dois títulos integrados na secção "Foco Sobre Espanha": o olhar de Joaquín Jordá sobre a pedofilia em "De Niños" e ainda "La Espalda del Mundo", de Javier Corcuera, com três retratos que se debruçam nas experiências de trabalho numa pedreira de um grupo de crianças do Peru, nas peripécias de um exilado curdo na Suécia e no sofrimento dos familiares dos condenados à pena de morte nos EUA.

Ambos os documentários foram exibidos em diversas salas de cinema espanholas, comprovando a crescente abertura de nuestros hermanos ao cinema documental, contrariamente à situação que se verifica em Portugal, onde só escassos exemplos do género fazem parte do circuito comercial cinematográfico. Este é, de resto, um cenário que o doclisboa se tem esforçado em contrariar, assinalando a vitalidade e diversidade deste género em expansão.

Outra das secções nucleares do Festival, "Como Entender o Médio Oriente?", foi também alvo de destaque através de duas obras de Omar Amiralay. "Le Plat de Sardinesou La Première Fois que J’ai Entendu Parler d’Israel" e "Il y a Tant de Choses à Raconter" foram os dois títulos do veterano documentarista escolhidos para integrar a programação de ontem, focando a sua visão sobre o conflito israelo-árabe. Da Competição Internacional foram exibidos "Santa Liberdade" de Margarita Ledo Andión, "Untertage" de Jiska Rickels e "La Peau Trouée" de Julien Samani.

O doclisboa, para além de apresentar obras incontornáveis do género documental reconhecidas internacionalmente, compromete-se ainda a divulgar alguns dos exemplos deste formato cinematográfico produzidos por autores nacionais. Um desses casos é "Malmequer, Bem-Me-Quer ou o Diário de uma Encomenda" de Catarina Mourão, cineasta cuja primeira-obra, "Desassossego", foi exibida em 2003 nas salas de cinema nacionais.

Projectado num quase repleto Grande Auditório da Culturgest pelas 18h30m, o novo trabalho da realizadora relata as experiências que Catarina Mourão viveu para gerar um documentário para o canal ARTE. "Malmequer, Bem-Me-Quer ou o Diário de uma Encomenda" é, então, um documentário sobre a rodagem de um outro documentário, que tenta proporcionar um retrato dos jovens lisboetas de hoje.

Neste curioso projecto, Catarina Mourão demonstra alguns dos obstáculos e episódios conturbados que a marcaram durante a elaboração da encomenda, dando conta das cedências e limitações a que um autor é exposto quando se submete a prazos e regras formatadas. Acompanhando os vários passos da realizadora, o filme exibe o confronto entre a liberdade criativa e as directivas impostas pelo canal televisivo, centrando-se ainda num interessante olhar sobre cinco jovens lisboetas que exemplificam a heterogeneidade da juventude actual.

O doclisboa decorre no Pequeno e Grande Auditório da Culturgest até ao próximo domingo, dia 31 de Outubro, com cerca de seis sessões diárias. Terça-Feira, dia 2 de Novembro, serão apresentados os filmes premiados no Grande Auditório às 18h30m e às 21h.

AND THIS IS FOR MY BRO...

Pois é, hoje o meu maninho faz 22 Primaveras (neste caso, Outonos) e entramos naquela altura do ano em que, apesar de não sermos gémeos, ficamos ambos com 22 anos durante uns dias...Não é para todos...De qualquer forma, hoje ainda não é propriamente dia de festa, porque essa só se realizará amanhã à noite em mais uma FRIDAY NIGHT FEVER...
E já agora, parabéns...Eu sei que é lamechas, mas alguém tem de o dizer...

BIZARRE LOVE TRIANGLE

Gregg Araki, o controverso realizador da “trilogia adolescente apocalíptica” - Totally F***d Up (1993), The Doom Generation (1995) e Nowhere (1997) – reduz consideravelmente as suas atmosferas de choque e desespero num filme surpreendentemente linear e convencional. “Esplendor” (Splendor), de 1999, afasta-se dos retratos de juventude alienados e niilistas que caracterizaram a obra do cineasta e aproxima-se (perigosamente?) de territórios relacionados com a comédia romântica, ainda que ligeiramente atípica.



Veronica é uma jovem de 22 anos, responsável e ponderada, que subitamente começa a envolver-se com dois homens ao mesmo tempo (o baterista Zed, interpretado por Matt Keeslar, e o crítico de música alternativa Abel, incorporado por Johnathon Schaech). Vivendo uma situação inédita na sua vida, Veronica acaba por encontrar pontos de interesse em ambos os relacionamentos e apaixona-se pelos dois pretendentes em simultâneo. Em vez de optar por um deles, a jovem acaba por gerar uma relação a três, convencendo os dois rapazes a aceitar o triângulo amoroso e, alguns meses depois, os três decidem partilhar o mesmo lar.

Araki afirma ter-se inspirado nas screwball comedies dos anos 30 para criar “Esplendor”, adaptando-as aos dias de hoje, simultaneamente mantendo a abordagem a temáticas sexuais que é inerente à sua obra. Contudo, essa abordagem é inesperadamente discreta e pouco arriscada, não registando particular ousadia ou carga inventiva. É certo que há um esforço por tornar o filme excêntrico, trendy e irreverente (a ménage à trois logo no início, a melhor amiga lésbica, a origem de novos tipos de família, …), mas a perspectiva é, aqui, demasiado superficial e pouco aprofundada, situando-se perto de uma banal sitcom e evitando entrar no âmago das questões.



Se na primeira metade o filme ainda promete surpreender, na segunda a história torna-se cada vez mais açucarada e previsível, expondo um desfecho minado de clichês e não muito longe de comédias românticas na linha de “O Diário de Bridget Jones”, apresentando a protagonista como uma vítima dos acontecimentos (quando, na verdade, ela é a principal responsável pelo caos que domina a sua vida).



“Esplendor” proporciona certos momentos com alguma frescura e, em determinadas cenas, oferece um curioso retrato dos dilemas dos actuais jovens adultos, mas globalmente não ultrapassa a mediania e apresenta uma boa ideia subaproveitada. O recente “Os Sonhadores” (The Dreamers), de Bernardo Bertolucci, engloba alguns dos pontos de partida de “Esplendor” e trabalha-os de forma bem mais inquietante e criativa, transmitindo um resultado final bem mais convincente.



“Esplendor” é um daqueles filmes que é facilmente superado pela sua (excelente) banda-sonora, que contém nomes como New Order, Blur, Air, Chemical Brothers, Lush, Suede, Slowdive ou Fatboy Slim. Espera-se que, na sua próxima obra, Araki volte a exibir alguma da sua carga provocadora e desconcertante…

E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

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