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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

2005: O FIM

Mais um ano a chegar ao fim. Desta vez estou predisposto para a festa daqui a umas horas, mais intimista do que frenética, mas que vai, espero, ser suficientemente memorável.

Como a celebração do reveillon vai inaugurar também a minha casa, os preparativos têm-me ocupado q.b., o que explica porque é que este blog tem estado em stand by, não só isso mas também parte da recolha e organização de material para o mais recente projecto @work, que já foi finalizado há uns dias (e que, curiosamente, também tem a ver com o final do ano).

Prometidas para breve ficam as obrigatórias listas de melhores de 2005 na música (apesar de muita me ter passado ao lado) e no cinema (que consumi avidamente). Até lá, bom final de ano e melhor entrada em 2006 para todos...

Uma aventura em Nárnia

Adaptação do primeiro livro de uma série de sete que marcaram a literatura infanto-juvenil do século XX, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: As Crónicas de Nárnia” (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe) recupera a clássica obra de C.S. Lewis e transfere-a para o grande ecrã, apresentando uma história marcada pela fantasia, heroísmo, traição e a eterna luta do Bem contra o Mal, indispensável em qualquer conto de fadas.

Andrew Adamson, que aqui se estreia na realização a solo, foi um dos criadores de Shrek, mas se na emblemática saga do ogre verde os modelos das fábulas eram desconstruídos e satirizados, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: As Crónicas de Nárnia” aposta em domínios mais convencionais, seguindo de perto o registo do livro em que se baseia.

Esta proposta, que pretende atingir um público dos 7 aos 77, era um dos blockbusters mais aguardados de 2005, muito por culpa de rumores que o apontavam como um título capaz de superar a adaptação de “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, realizada por Peter Jackson. As proximidades entre as duas sagas são evidentes, não só porque os seus autores eram amigos mas também porque geraram obras que remetem para um imaginário semelhante, edificando mundos paralelos povoados por criaturas míticas, consideráveis doses de aventura e escapismo e uma fértil criatividade.

Os contos que decorrem no universo de Narnia são, não raras vezes, acusados de maior simplismo, mas esse factor não impede que o filme de Andrew Adamson seja uma muito conseguida proposta plena de entusiasmo, consistência e vibração, que embora siga uma narrativa linear e um formato clássico combina de forma eficaz a inovação tecnológica (não ostensiva) dos efeitos especiais com a densidade emocional necessária para que as doses de magia e encanto sejam envolventes.

Começando com as peripécias e quatro irmãos britânicos que viajam para uma casa no campo de forma a escapar a uma tumultuosa Londres durante a Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha depois a entrada destes no reino de Narnia, possibilitando através de um portal que se encontra num dos guarda-fatos da velha mansão.
Aos poucos, o jovem quarteto adapta-se a esse mundo recém-descoberto e vê-se envolvido numa outra guerra, esta contra a hegemonia da impiedosa Bruxa Branca, cuja tirania impede o bem-estar da maioria dos habitantes de Narnia.

“O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: As Crónicas de Nárnia” poderia ter sido mais um subproduto ancorado apenas nos prodígios dos efeitos especiais e em imponentes cenas de batalha, mas Adamson evidencia cuidado com muitos outros elementos, desde a direcção de actores até ao ritmo necessário para que a acção decorra de forma credível e ponderada.

Os quatro protagonistas, quase todos interpretados por actores estreantes, conseguem ser cativantes e espontâneos, encarnando personagens que, apesar de jovens, não são tratadas com displicência e apresentam personalidades bem vincadas e distintas (bem longe, portanto, das insuportáveis figuras de uns “Spy Kids” e afins).
A actriz mais jovem, Georgie Henley, é especialmente encantadora, irradiando frescura e inocência e destacando-se como uma das grandes revelações de 2005. A veterana Tilda Swinton oferece uma composição não menos impressionante no papel da implacável, gélida e calculista Bruxa Branca, gerando uma das melhores vilãs dos últimos tempos.

Para além das personagens humanas, outro dos trunfos do filme são as animadas por CGI, provas de uma surpreendente mestria técnica. Desde o austero leão Aslan ao irresistível e espirituoso casal de castores, todas são convincentes, assim como os belíssimos cenários, muitos criados através do recurso ao ecrã azul, que já se vai tornando habitual (usado também, por exemplo, em “Sky Captain e o Mundo de Amanhã”, cujos primeiros minutos até são semelhantes aos de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: As Crónicas de Nárnia”).

É certo que a película chega a ser previsível a espaços, e que tratando-se de um conto de fadas o desenlace está praticamente definido à partida e os bons valores acabam por superar tudo, contudo a não-infantilização do argumento e das personagens não deixa de ser meritória, tornando “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: As Crónicas de Nárnia” numa bela, emotiva e divertida homenagem ao poder da imaginação, à confiança e à amizade, feita de forma genuína e com algumas das cenas mais bonitas do ano. Para ver sem preconceitos.

E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM

OS PRÉMIOS LUMIÉRE ESTÃO A CHEGAR...

O gonn1000 foi um dos trinta blogs escolhidos para participar na segunda edição dos prémios Lumiére, uma iniciativa coordenada pelo Miguel Lourenço Pereira cujo objectivo o "de continuar a premiar o que de melhor se faz de cinema a nivel mundial (...). Longe de estar restringido ao leque dos membros da ABCine, a nova edição dos Lumiére conta com trinta membros do júri.
E esses trinta nomes, não são apenas nomes. Da politica ao jornalismo, da música ao cinema, passando pela sociedade civil, são trinta personalidades altamente apreciadas e respeitadas na blogosfera nacional. Porque os Lumiére agora são mais do que simples prémios de cinema. São também uma forma de aproximar a grande família dos blogs portugueses, que teima em não viver como uma comunidade.
Este primeiro passo pode ser pequeno, mas é feito com determinação e vontade de aproximar pessoas (e blogs), que aparentemente, pouco teriam a ver uns com os outros."


O Miguel acrescneta ainda que "cada blog - cada membro do jÚri - apresenta um top5, por ordem de preferência, em cada uma das treze categorias escolhidas. Ao primeiro de cada lista serão atribuídos cinco pontos, quatro ao segundo, três ao terceiro, dois ao quarto e um ao quinto e último nome. Os vencedores serão os que tiverem mais pontos, sob o ponto de terem sido, pelo menos uma vez, a primeira escolha de um dos membros.
(...) O dia 15 de Janeiro será o último dia de votação. Os vencedores serão anunciados simultaneamente em cada um destes trinta espaços no dia 28 de Janeiro de 2006."

As categorias sujeitas a votação são as de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária, Melhor Argumento, Jovem Promessa Masculina, Jovem Promessa Feminina, Melhor Filme Animado, Melhor Banda Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Let the games begin...

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