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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

SELECÇÃO DE ESPERANÇAS

Enquanto a brasileira Pitty concentrava atenções no Palco Mundo, os britânicos Kill the Young apresentavam, dia 27 no Hot Stage, o melhor concerto que ninguém viu do Rock in Rio, através de um cruzamento entre brit pop e indie rock bastante decente, com algumas boas canções.
O jovem trio de Manchester editou no ano passado o disco de estreia homónimo e, embora não pareça ter ainda uma personalidade muito vincada (assemelha-se a uma fusão de The Vines e JJ72), merece alguma atenção, como o comprova o single "Origin of Illness".


Kill the Young - "Origin of Ilness"

A CIDADE DO PECADO

Por vezes as primeiras impressões enganam, e "Medo de Morte" (Running Scared), é um exemplo de como tal ocorre também no cinema, uma vez que o trailer fazia prever um rotineiro e cansativo filme de acção na linha de "Velocidade Furiosa" e derivados, suspeita reforçada pelo protagonista ser Paul Walker, tornado conhecido pela participação nesse tipo de (sub)produtos, e afinal a película está uns furos acima daquilo que inicialmente se esperaria.

Contudo, uma análise à ficha técnica do filme revela também que o realizador do filme se tratava de Wayne Kramer, escolha algo surpreendente tendo em conta que a sua primeira (e anterior) obra, "Má Sorte", gerou algum entusiasmo dentro de domínios indie em 2003.

Neste caso, o papel do realizador foi mesmo decisivo, pois se "Medo de Morte" parte de facto de um argumento mais ou menos indistinto, a diferença encontra-se na forma como Kramer o filma e desenvolve, tornando o resultado final bem mais convincente e singular do que o que se esperaria à partida.

Centrada num gangster, Joey Gazelle, que tem de recuperar a sua arma, roubada por um amigo do filho, a película proporciona uma viagem ao lado mais obscuro e pérfido da noite de New Jersey, povoada por figuras para quem a moral já pouco significa e que se encontram perdidas nos seus desvios e obessões.

O próprio protagonista é um indíviduo de índole duvidosa, pois embora seja um marido e pai dedicado não deixa de enveredar por actividades aparentemente ilícitas, mas quando comparado com os seus bizarros e rudes antagonistas consegue gerar alguma empatia.
Paul Walker não apresenta um desempenho esmagador, mas pelo menos afasta-se das interpretações baças e inexpressivas que apresenta habitualmente, apostando a espaços num registo quase histriónico à medida que Joey se torna cada vez mais lunático devido à desconcertante situação em que se envolve.

Mantendo uma tensão constante, que se pronuncia logo na cena inicial, "Medo de Morte" é um eficientíssimo concentrado de reviravoltas e cliffhangers, contendo uma série de cenas abrasivas e excessivas que perdem em plausibilidade aquilo que ganham em adrenalina e visceralidade.

Ocasionalmente o argumento entra na banalidade, mas a componente visual do filme, caracterizada por um realismo sujo e estilizado, compensa essa limitação, pois Kramer constrói uma atmosfera (ou melhor, selva) urbana com tanto de sinistro como de envolvente.

O ritmo desvairado e alucinante, a par das personagens à beira do limite, dificilmente faz desta uma experiência entediante, e se o filme não vai muito além do entretenimento (quando foca questões sérias, como a pedofilia, a perspectiva é algo moralista e superficial), sai-se muito bem nesse campo, com uma realização mais inventiva do que a maioria da concorrência.

Algures entre Tony Scott, Robert Rodriguez e Michael Mann (os ambientes nocturnos lembram os de "Colateral"), Wayne Kramer oferece uma vibrante amálgama de thriller, humor negro, e acção, que até consegue ser competente no elenco (Walker cumpre no papel principal, mas Vera Farmiga ou o jovem Cameron Bright também convencem).
É certo que há por aqui mais estilo do que substância, mas seria injusto não reconhecer que, mesmo assim, "Medo de Morte" é uma proposta a merecer atenção.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

EU FUI

Sim, fui dos que esteve pelo Rock in Rio dias 26 e 27, e se perdi os D'ZRT (as page-views que vou ganhar ao referi-los...), a Ivete, a Shakira e os Guns n' Roses, ainda vi Jamiroquai num concerto competente, em modo best of, que felizmente ignorou quase todo o material recente, mas onde Jay Kay apenas picou o ponto e nem sempre esteve à altura do entusiasmo emitido pelo público.
"Deeper Underground" terminou em grande um espectáculo que pedia mais vitalidade, mas quem lá estava não parece ter reclamado.

Também o Groove Armada Sound System jogou pelo seguro na Tenda Electrónica, numa noite inegavelmente eficaz mas menos ecléctica do que se esperaria tendo em conta a discografia de Tom Findlay e Andy Cato (na foto).
No Hot Stage, dedicado a novos projectos, os Room 74, Fingertips e Expensive Soul inauguraram as sessões de concertos.
Para a semana há mais com os Mesa, Da Weasel, Kasabian, Red Hot Chili Peppers e também aqueles que aguardo com maior expectativa, os 2 Many DJs.

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