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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

SCORSESE ENTRE AMIGOS

Foi a edição dos Óscares com algumas das melhores nomeações dos últimos tempos e, diz quem viu, uma das mais convincentes enquanto espectáculo. Ao contrário de há uns anos, desta vez Marty brilhou e Clint foi quase esquecido, e embora ambos concorressem com bons filmes também prefiro o vencedor "The Departed: Entre Inimigos". Ainda que o Óscar de Melhor Filme e Realizador se devam mais à carreira de Scorsese do que ao filme em si, antes premiar este do que obras menores como "Gangs de Nova Iorque" e "O Aviador", ou voltar a incensar Eastwood (para isso já bastou "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos").

Coppola, Spielberg e Lucas festejam a vitória de Scorsese

O hype de "Babel" não teve reflexo nas premiações e deu à obra de Iñárritu apenas uma estatueta - para a banda-sonora de Gustavo Santaolalla -, e se o filme não é o melhor do mexicano convence, pelo menos, pela realização e montagem. A "rainha" foi mesmo Helen Mirren, que não desmerece, mas Penélope Cruz e Kate Winslet talvez merecessem mais. Forest Whitaker não deixou que fosse desta que DiCaprio levasse um Óscar para casa (e, já agora, nem Ryan Goslin, que passou praticamente despercebido apesar de um excelente desempenho em "Half Nelson - Encurralados").
"Happy Feet" venceu na animação, e ainda bem, mas se "Uma Verdade Inconveniente" é de facto o melhor documentário então o género não teve a frescura que registou em anos anteriores (não vi os outros nomeados). O feelgood movie indie "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos" lá conquistou o argumento original e o actor secundário e de resto fiquei ainda mais curioso quanto a "O Labirinto do Fauno". Já "Dreamgirls" não me parece muito mais interessante do que um "Chicago", mas ao contrário deste não monopolizou a noite. Da canção vencedora, como de costume, quanto menos se falar - e ouvir-, melhor.

FEBRE (E FUNK) DE SÁBADO À NOITE

Embora já tivessem passado por palcos portugueses mais de uma vez, os londrinos Spektrum ainda não o haviam feito depois do lançamento do seu segundo álbum, "Fun at the Gymkhana Club", editado no final do ano passado. A estreia ao vivo do novo disco deu-se na noite de sábado no MusicBox, em Lisboa, espaço que tem recebido alguns nomes da música urbana de dentro e fora de portas.

O quarteto, que em palco se apresentou como trio, uma vez que o teclista esteve ausente, gerou já algum culto por cá, como o confirmou considerável adesão de público ao concerto, que encheu o espaço muito antes da banda entrar em palco. A entrada, à semelhança de outros momentos do espectáculo, foi efusiva, ao som dos dinâmicos "May Day" e "Horny Pony", curiosamente os dois primeiros temas do novo álbum. Propostas que evidenciam bem a receita sonora dos Spektrum, um híbrido imprevisível de funk, pop, electro e soul servido com um ritmo hipnótico, mescla por vezes difícil de assimilar mas dominada por uma vibração desconcertante.

Em disco, as propostas do grupo nem sempre entusiasmam, já ao vivo o contágio sonoro mostra-se mais eficaz e a espaços mesmo fulminante e irresistível, a que não é alheio o carisma da vocalista Lola Olafisoye, cuja postura ora austera ora insinuante toma as rédeas do espectáculo e incita a que o público reproduza a sua pose irriquieta. As suas vocalizações, temperadas por tons oscilantes e desregrados, geram uma aura excêntrica e em certos momentos quase mística, que associada à electrónica minimal e à cadência intrigante da bateria dota a música dos Spektrum de uma bizarra energia.

Apesar deste carácter singular da banda, o concerto foi algo desequilibrado, pois se as canções combinam múltiplas referências não deixam de acusar uma certa repetição de ideias - que se comprova mesmo no segundo álbum, que pouco ou nada corta em relação ao primeiro -, e por vezes prolongam-se para além do necessário, sugerindo alguma redundância.

No entanto, quando o grupo acertou, não deu tréguas a ninguém, como o comprovaram ocasionais episódios de explosão rítmica visíveis em "Don't Be Shy", um dos singles de "Fun at the Gymkhana Club", e principalmente em "Kinda New", uma das recuperações do disco de estreia, "Enter the... Spektrum", que gerou o maior acesso dançável entre a audiência e acendeu o rastilho para uma experiência sensorial imbatível. Também "Freefall", outra canção do primeiro álbum, causou estragos no muito aplaudido encore, infelizmente a última de um concerto que, embora eficaz e convincente, foi demasiado curto, não atingindo sequer uma hora de duração.
Mesmo assim, a julgar pelas reacções da maioria dos presentes ao longo do concerto, terão sido poucos ou nenhuns os que deram o seu tempo por perdido, o que leva a crer que os Spektrum continuarão a ter casa cheia da próxima vez que voltarem a palcos nacionais.


E O VEREDICTO É:
3/5 - BOM

Spektrum - "Don't Be Shy"

SPACE CAKE IS A FAKE

Visita-relâmpago à capital holandesa, onde ainda deu para estar duas tardes às voltas entre as ruas e os canais. O tráfego de bicicletas é ainda maior do que pensava, o que praticamente só traz vantagens - económicas, ambientais, na circulação pela cidade -, embora a própria morfologia de Amesterdão também ajude, uma vez que não tem grandes declives . Sistema de transportes públicos eficiente, tanto de metro como sobretudo de tram (metro de superfície, que vai a quase todo o lado), preços menos exorbitantes do que noutras capitais europeias (os dos CDs e DVDs, então, são de meter inveja, e tirando as novidades são muito mais baratos do que os de cá), e ambiente aparentemente seguro q.b., a julgar pelas bicicletas à disposição na maioria das ruas, muitas sem cadeados. Não convém é fotografar o inevitável Red Light Discrict, sob pena de se ser atirado ao canal por alguns locais mais impacientes, segundo me disseram dois polícias à paisana. A revisitar com mais tempo...

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