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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

SE7EN

Este foi um dos blogs contemplados nas escolhas do My_Little_Bedroom e dO Astronauta na selecção para as 7 Maravilhas da Blogoesfera, e desde já agradeço a ambos pela menção. A proposta da iniciativa, organizada pelO Sentido das Coisas, é esta:

"Depois da ideia de se elegerem as 7 Maravilhas do Mundo, alguém teve a brilhante ideia de eleger as 7 Maravilhas de Portugal. E como se não bastasse, outra alma iluminada teve a ideia de fazer a votação para as 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa. Bem, depois disto tudo também tive uma ideia... Por a votação as 7 Maravilhas da Blogoesfera.

Regulamento:
1. Podem participar na votação todos os bloggers que mantenham blogues activos há mais de um mês [os outros esperem por outra ideia brilhante que alguém irá ter].

2. Cada blogger deverá referenciar sete nomes de blogs. A cada menção corresponde um 1 voto.

3. Cada blogger só poderá votar uma vez, e deverá publicar as suas menções no seu blog [da forma que melhor lhe aprouver], enviando-as posteriormente para o seguinte e-mail: 7.maravilhas.blogoesfera@gmail.com.

No e-mail, para além da escolha, deverão indicar o link para o post onde efectuaram as nomeações. A data limite para a publicação e envio das votações é dia: 01/07/2007.

4. De forma a reduzir alguns constrangimentos [e desplantes], e evitar algumas cortesias desnecessárias, também são considerados votos nulos:
- Os votos dos blogger(s) em si próprio(s) ou no(s) blogue(s) em que participa(m);
- Os votos no blog O Sentido das Coisas.

No dia 7.7.2007 serão anunciados os vencedores e disponibilizadas todas as votações."


Assim sendo, as minhas escolhas - após algumas dores de cabeça para me decidir - são as seguintes:

apARTES
As Imagens Primeiro
More All of Me
Planet Fiction
Planeta Pop
Sound + Vision
Take a Break

E fica o desafio para que sigam o exemplo, quanto mais não seja para verem como é difícil escolher apenas 7.

3 NON BLONDES

Com pouco mais de uma década de carreira, os Blonde Redhead têm já uma discografia relativamente extensa, com seis álbuns de originais e cujo sétimo tomo chega agora com "23". O trio (que incialmente era quarteto), composto pela japonesa Kazu Makino e pelos gémeos italianos Amedeo e Simone Pace, começou por destacar-se por recuperar a herança indie e noise de uns Sonic Youth, patente num rock lo-fi, experimental e de considerável sentido atmosférico.
Contudo, os Blonde Redhead de hoje são uma banda diferente, e embora a espaços ainda mantenham esses elementos investem maioritariamente em canções mais polidas, condimentadas com uma sensibilidade pop pouco presente nos primeiros registos.

"23" apresenta então dez temas onde o grupo soa mais imediato mas não necessariamente menos exigente, uma vez que a composição é acessível sem ser facilista e a produção evidencia um rigor que se traduz em cenografias ainda enigmáticas e estimulantes (ou não estivesse a cargo de Alan Moulder).

Interessante contraste entre momentos de luz e sombra que se manifestam nas subtis mudanças de sonoridade, na voz agridoce de Makino ou nas letras (ora melancólicas, ora ligeiramente optimistas), "23" resulta num disco equilibrado e convidativo, capaz de seduzir durante várias audições. Seja nos tons épicos da faixa-título - uma das melhores -, no romantismo amargurado de "The Dress" ou na placidez de travo electrónico de "Top Ranking", os Blonde Redhead comprovam que a opção por novos caminhos se revelou bem sucedida.

A banda não desbrava aqui novos territórios, mas sabe como renovar muitos sinais reconhecíveis, desde o shoegaze de uns My Bloody Valentine ou Lush ao rock esparso, negro e amargurado, próximo dos Radiohead ou Archive (estes últimos reflectem-se sobretudo nas canções cantadas por Amedeo Pace, como a óptima "Spring and by Summer Fall ou "S.W.").
O savoir faire do grupo traduz-se num disco que alia eficazmente elegância e mistério - ainda que o tema final, "My Impure Air", não o termine da melhor forma - mas ao qual faltam momentos que o atirem para um nível mais apaixonante.
Seja como for, "23" é um álbum seguro e recomendável, em especial para apreciadores de dream pop bem feita, algo pelo qual uma editora como a 4AD sempre se destacou e cuja reputação os Blonde Redhead não comprometem.


E O VEREDICTO É:
3/5 - BOM



Blonde Redhead - "23"

8 BLOGUES, 5 FILMES, 1 REALIZADOR

As escolhas e classificações dos bloggers do costume relativas às estreias de Junho. O realizador do mês foi Steven Soderbergh, à conta do recente (e fraquinho) "Ocean's 13". Daqui a um mês há mais, resta saber quem irá ser o nome em destaque: Michael Bay ("Transformers") ou Quentin Tarantino ("Death Proof")? Façam as vossas apostas.

ESTREIA DA SEMANA: "A RAPARIGA MORTA"

A melhor estreia da semana, e certamente uma das mais recomendáveis deste Verão, "A Rapariga Morta" (The Dead Girl) é a segunda longa-metragem de Karen Moncrieff, realizadora de alguns episódios da série "Sete Palmos de Terra" e de uma primeira obra, "Blue Car", que passou quase despercebida.
O filme, bem mais interessante do que o antecessor, cruza cinco histórias que em comum têm a personagem que inspira o título, proporcionando um drama sobre a morte e o universo feminino que, além de um argumento bem explorado, inclui um elenco exemplar onde constam Toni Collette, Brittany Murphy, Marcia Gay Harden ou James Franco. A não perder.

Outras estreias:

"Die Hard 4.0 - Viver ou Morrer", de Len Wiseman, o surpreendente regresso de John McLane num muito aceitável filme de acção
"Querida Wendy", de Thomas Vinterberg, desapontante abordagem ao livre porte de arma nos EUA, com (mau) argumento de Lars Von Trier



Trailer de "A Rapariga Morta"

GOLPE BAIXO

Há quem defenda “Ocean’s 13” suportando-se nos créditos de Steven Soderbergh, artesão camaleónico que tem cimentado uma filmografia assente numa multiplicidade de registos. Deve-se a ele a coolness que afasta este de muitos outros blockbusters de Verão, em parte pelo seu aprazível trabalho de realização, com enquadramentos imaginativos que não caem na monotonia; pela banda-sonora de David Holmes, que se conjuga eficazmente com as imagens; e claro, pelo elenco, um autêntico who’s who de algumas das caras mais carismáticas de Hollywood.

Ora, se todos estes elementos podem ser contributos valiosos para que daqui saia um filme pelo menos interessante, “Ocean’s 13” acaba por ser um lamentável tiro ao lado, já que apenas desperdiça recursos e nem sequer consegue oferecer os mínimos de entretenimento. Nada que não pudesse apontar-se já ao título que iniciou a série, “Ocean’s 11”, seguramente um dos mais sobrevalorizados dos últimos anos; e ao segundo regresso a saga mostra que é um claro exemplo onde o estilo esmaga a substância, e o que no primeiro filme poderia aceitar-se como relativamente refrescante descarrila aqui para um frustrante modo de piloto automático.

Ao contrário do que o percurso “autoral” de Soderbergh poderia sugerir, “Ocean’s 13” é um daqueles produtos que contribui para que os blockbusters sejam encarados com desconfiança por muitos, objectos rasos e preguiçosos, tendencialmente esquecíveis. Não vem nenhum mal ao mundo do facto deste ser um filme leve e despretensioso, mas à medida que a acção se vai desenrolando a falta de chama vai sendo cada vez mais evidente, não havendo entusiasmo nem na narrativa nem nos actores.
Destes, Clooney e Pitt trocam algumas linhas de diálogo razoavelmente divertidas, o problema é que já seriam poucas para sustentar um sketch e mostram-se ainda mais insuficientes para que se aguente todo o filme sem olhar para o relógio. De resto, todos os actores parecem apenas figurantes e mal chegam a ser esboçadas caricaturas, tanto que ao pé disto um filme de Michael Bay é um prodígio de construção de personagens e densidade dramática (agora a sério, o maltratado “A Ilha” é francamente superior a este banal heist movie).

Dizer que o argumento é esquemático talvez seja um eufemismo, uma vez que o filme propõe uma história de vingança, desprovida de qualquer intensidade, em que o gang de Danny Ocean sabota a inauguração de um casino. Soderbergh não resiste a debitar todo o plano dos protagonistas, perdendo largos minutos em estratégias fastidiosas que apenas entopem a narrativa e debilitam o ritmo, e nem as novas presenças do elenco, Al Pacino e Ellen Barkin, trazem especiais mais-valias, sujeitando-se ao papel de marionetas da acção.

Em última instância, a campanha de marketing sustentada nos muitos nomes mediáticos faz com que tudo valha a pena para a equipa do filme, já que o interesse artístico de “Ocean’s 13” é inversamente proporcional ao comercial. Só é pena que, nesse processo, um espectador com alguma exigência esteja sujeito a ficar de fora.

E O VEREDICTO É: 1,5/5 - DISPENSÁVEL

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