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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

MÚSICA BRASILEIRA PARA O HALLOWEEN

Quem quiser sair de casa a altas horas no dia das bruxas pode dançar ao som do paulista Gui Boratto, que estará no Lux nesta quarta-feira, e embora a sua música não seja assustadora, ao contrário da de inúmeros "artistas" brasileiros mais disseminados, é uma proposta a ter muito em conta.

O compositor/músico/produtor/DJ/etc brasileiro é um dos rapazes-prodígio do techno minimal e um dos trunfos da editora alemã Kompakt, cujo álbum de estreia, "Chromophobia", editado este ano, conseguiu convencer até os menos aficionados do (sub)género (como eu, que o tenho há meses como disco de cabeceira).
O single "Beautiful Life" não é muito representativo do que o álbum tem para oferecer, mas não deixa de ser um bom aperitivo:



Gui Boratto - "Beautiful Life"

10 BLOGUES, 5 FILMES, 1 REALIZADOR


A tabela de estrelas de Outubro, via Knoxville, cujo realizador em destaque foi M. Night Shyamalan. As opiniões dividiram-se, mas acho que "The Village" é de longe o melhor, embora o massacrado "Lady in the Water" também não desmereça.
Aproveito para deixar aqui também as estreias que vi mas que não foram escolhidas, assim como outros filmes vistos no cinema ou em casa este mês:

Estreias:

".45", Gary Lennon - 1/5
"Ils", David Moreau e Xavier Palud - 4/5
"Julgamento", Leonel Vieira - 3/5
"The Breakup Kid", Bobby Farrelly e Peter Farrelly - 2/5

Outros:

"Choses Secrètes", Jean-Claude Brisseau - 2/5
"Dark City", Alex Proyas - 3/5
"Midnight Cowboy", John Frankenheimer - 3/5
"Morvern Callar", Lynn Ramsey - 1/5
"O Ano em que os Meus Pais Partiram de Férias", Cao Hamburguer - 3/5
"Peggy Sue Got Married", Francis Ford Coppola - 2/5
"Personal Velocity: Three Portraits", Rebecca Miller - 2/5
"Pierrot Le Fou", Jean-Luc Godard - 1/5
"Saneamento Básico", Jorge Furtado - 3/5

AS ÚLTIMAS ONDAS

Nos últimos dias dediquei um post ao disco e outro ao concerto dos Micro Audio Waves, e como às vezes não há dois sem três fica aqui mais um dedicado ao trio, desta vez com a entrevista que lhes fiz na semana passada. Que me desculpe quem não simpatiza com a banda, mas como não há muitos projectos nacionais que me tenham impressionado em 2007 acho que este merece a dose tripla:


Entrevista aos Micro Audio Waves

TEIAS E MUTANTES

aqui falei do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, a decorrer até dia 4 de Novembro, embora só neste fim-de-semana lá tenha ido sem ser em trabalho - ou melhor, teve que ser assim depois da câmara e microfone me terem pregado partidas, por isso nada de entrevistas ao Manara e outros autores, mas adiante.

Ainda sou capaz de lá voltar, já que houve pouco tempo para explorar em condições tudo o que havia nas bancas, e por isso só trouxe duas recordações:


Finalmente vou conseguir saber se o hype Josh Whedon no universo X é justificado (não tenho paciência para a a Buffy mas gostei de "Serenity");



O Aranha e o Miller no mesmo livro, parece-me bem, e desconhecia que o autor de "Sin City" tinha iniciado o seu percurso nos comics com o sobrinho da tia May.

E espero não voltar a cair no vício de comprar BD de super-heróis regularmente, foram necessários muitos anos para o largar e a carteira agradeceu...

ROCK IT 2NIGHT!

Faltavam cerca de dez minutos para a uma da manhã quando Cláudia Efe, Flak e C. Morg, mais conhecidos como Micro Audio Waves, iniciaram o concerto no MusicBox, em Lisboa, com quase uma hora de atraso que pareceu ter passado despercebida para grande parte do público, que até aí se entreteve com copos, música ambiente e conversas várias. Mas mesmo os que deram pelo atraso terão "perdoado" o trio - acompanhado por mais dois elementos - logo aos primeiros minutos de actuação, já que o grupo entrou em palco com "At the Age of Five", um dos melhores temas de "Odd Size Baggage", o seu terceiro registo de originais.
Para além de ser uma canção hipnótica e servir como brilhante introdução para o espectáculo, foi apresentada numa versão consideravelmente diferente da do disco, onde a bateria ganhou protagonismo e ajudou a implementar uma cadência mais enérgica e dançável. Esta situação não foi, de resto, caso único, já que a maioria dos temas do concerto surgiram com alterações face ao que se conhecia dos discos, não sendo meros decalques mas antes repensadas para melhor se adaptarem a um formato ao vivo.

Esta foi sem dúvida uma grande mais-valia, mostrando uma vertente mais orgânica da banda, pois embora a presença da electrónica tenha sido uma constante não o foi tanto como em disco, dando lugar a recorrentes devaneios de guitarra e bateria, esta última o elemento responsável pela força rítmica da maioria dos temas (a remeter para alguns territórios dos Moloko ou dos Spektrum).
A considerável rudeza instrumental, distante da sofisticação e sobriedade registadas nos álbuns, fez com que a voz de Cláudia Efe ficassse por vezes submersa no meio de momentos de descarga, mas isso não impediu que os Micro Audio Waves tenham gerado um concerto sem episódios menores, mantendo um perfeito domínio do ritmo e uma notável coesão.

 

 
 

Mesmo as canções menos interessantes de "Odd Size Baggage" ganharam aqui vida nova, caso de "Future Smile", que conseguiu cativar numa versão mais acelerada (e onde, mais uma vez, a bateria foi fulcral), ou "Curl Like a Cannonball", cujas imponentes camadas de distorção dos momentos finais foram um curioso contraponto à carga contemplativa inicial.

"Down by Flow" provou ser um single já bem conhecido pela maioria do público presente, não sendo poucos os que acompanharam a vocalista no refrão, e "2night (U & I)" parece seguir-lhe os passos pelas boas reacções que despoletou, levando muitos a dançar ao seu ritmo frenético.


 

Melhor ainda foi "Odd Size Baggage", o grande momento da noite, que resultou numa excelente centrifugadora de ruído tornado melodia, mais uma vez com um irrecusável apelo dançável. "Fully Connected", disparado logo a seguir, ofereceu competição à altura e também apareceu com texturas mais agressivas do que em disco, e outros temas como "Escape From Albania" mantiveram o alto nível de intensidade. No extremo oposto, "Shadow of Things" ou "Long Tongue" enveredaram por ambientes mais apaziguados e igualmente cativantes, mas não demorou muito para que a agitação voltasse a tomar conta do palco e dos espectadores.

Se "Odd Size Baggage" fora já um passo em frente para os Micro Audio Waves, a julgar pelo que demonstram em concertos como este terão avançado mais dois ou três, corrigindo alguns desequilíbrios que impediram que todo o disco estivesse à altura de uma série de momentos acima da média.

 

 

Para além de estetas exigentes em álbum, baseados num sólido domínio da electrónica, convencem ainda pela crueza e visceralidade rock que exibem ao vivo, e o mínimo que se pode dizer para resumir o espectáculo é que terá sido seguramente o melhor shot de adrenalina da noite, e nada indigesto.
 

E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM

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