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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Estreia da semana: "O Lado Selvagem"

 

À semelhança da anterior, esta quinta-feira tem muitas estreias cinematográficas com potencial, mas por estes lados o destaque vai para "O Lado Selvagem" (Into the Wild), o quarto filme assinado por Sean Penn. Dele só vi a sua primeira obra, "União de Sangue" (The Indian Runner), um grande filme esquecido sobre dois irmãos excelentemente interpretados por Viggo Mortensen e David Morse, e há quem diga que agora é Emile Hirsch quem apresenta um desempenho memorável.

 

O filme baseia-se na história verídica de Christopher McCandless, um jovem que partiu em jornada pela América e manteve um contacto cada vez mais próximo com a natureza e a aventura. Além de Hirsch, o elenco inclui Marcia Gay Harden, William Hurt, Catherine Keener, Vince Vaughn ou Jena Malone, que apenas despertam maior curiosidade em torno desta obra. (ver trailer)

 

Outras estreias:

 

"Astérix nos Jogos Olímpicos", de Frédéric Forestier e Thomas Langmann

"Sedução, Conspiração", de Ang Lee

"Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street", de Tim Burton

10 blogues, 5 filmes, 1 realizador: Janeiro 2008

 

Cá está a primeira tabela de estreias de 2008, mais uma vez servida pelo Knoxville. Este mês a H. não participou devido a uma pausa do seu blog - que se espera que seja breve - e em destaque esteve Woody Allen. Elegi "Match Point" como meu filme preferido do realizador, embora seja difícil escolher algum de uma filmografia onde ainda tenho muito para descobrir.

A cor do dinheiro

Filmes ou séries centrados em acontecimentos da Segunda Guerra Mundial têm sido uma constante nas últimas décadas e, por isso, nem sempre cada nova produção consegue apresentar pontos de vista originais.

 

"Os Falsificadores" (Die Fälscher), do austríaco Stefan Ruzowitzky, parece ser um desses casos durante os primeiros minutos, revisitando os dramas dos judeus aprisionados em campos de concentração mas sem uma abordagem que se distinga de tantas outras. Aos poucos, contudo, o filme vai adquirindo maior consistência e singularidade, quando segue o quotidiano do protagonista e dos restantes colegas encarcerados que trabalham para os nazis como falsificadores de dinheiro, uma acção secreta que pretende atingir a economia dos Aliados.

 

 

Ruzowitzky adapta o livro "The Devil's Workshop", de Adolph Burger, baseado em factos verídicos, e retrata aqui um curioso episódio de cumplicidade, ainda que forçada, entre judeus e nazis, onde o grupo de prisioneiros gozou de condições um pouco melhores do que as habituais num campo de concentração e o exército alemão lucrou à custa do trabalho desses especialistas na falsificação de notas.

 

"Os Falsificadores" não será das melhores obras baseadas no Holocausto, mas é um filme sério e inteligente, que evita cair num tentador maniqueísmo já que tanto o retrato dos judeus como o dos soldados nazis é ambíguo, apontando o oportunismo de alguns dos primeiros e salientando que os segundos eram também, à sua maneira, vítimas das circunstâncias, ou que pelo menos não estavam imunes a pressões do topo da hierarquia - embora o argumento nunca sugira qualquer desculpabilização dos seus actos.

 

 

A nível formal não há aqui nada de muito arriscado, pois apesar da fotografia ser contaminada por apropriados tons sépia a realização não anda muito longe da de séries televisivas que decorrem no mesmo período, ainda que seja capaz de desenhar um competente efeito realista nos cenários e personagens. O elenco também contribui para isso, sobretudo o protagonista Karl Markovics e David Striesow, o seu nemesis de quem se torna quase um confidente.

 

Mais convincente do que arrebatador, "Os Falsificadores" é uma obra que merece atenção, e que felizmente deverá ganhar alguma pela sua nomeação para o Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

 

A descobrir esta noite, pelas 21h30, no cinema São Jorge, no início da KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã.

 

 

 

Girls and boys

 

Diz-me o sempre confiável Last.fm que, na semana passada, a canção que mais ouvi foi "Homecoming", dos Teenagers, 59 vezes.

Não é habitual ouvir tanto o mesmo tema num período tão curto, mas este é daqueles que o justifica, ou não fosse uma daquelas raras delícias pop de três minutos que consegue equilibrar um irresistível apelo melódico e a um forte sentido de humor, gerando um retrato boy meets girl tão irónico quanto sensível e tridimensional, partindo de dois pontos de vista sobre a mesma situação.

 

Já tinha achado piada a "Starlett Johansson", o single mais mediático do jovem trio francês, embora ache que em "Homecoming" que atingem a excelência. É pena que não haja mais momentos deste calibre no primeiro disco da banda, "Reality Check", mesmo que as canções que lá estão não envergonhem ninguém e permitam identificar aqui uma das boas estreias do ano.

Mas do álbum falarei mais daqui a uns tempos, por enquanto deixo o vídeo - muito Sofia "Coppolish", digo eu - e a letra de "Homecoming":

 

Last week I flew to san diego
to see my antie
on day 1 I met her hot step daughter
shes a cheerleader, she is a virgin
and she is really tan
as she stepped out of her massive car
I could only notice
she was more than fuckable
I think she was coming back from the game
or something, cause she was
holding those silly pompoms
on day 2 I fucked her and it was wild
she is such a slut


Ok listen girls
I met the hottest guy ever
basically as I was stepping out my s.u.v.
I came face to face with my step cousin or whatever
who cares
anyway he was wearing skinny jeans had funky hair
and the cutest british accent ever
straight away
I could tell he was a rocker
with his sexy attitude and the way he looked at me
mmm he is totally awesome
Oh my god I think im in love


I fucked my american cunt
I loved my english romance
It was dirty a dream came true
just like I like it shes got nice tits
It was perfect a dream came true
just like a song by blink182

 

 


and don't forget to send me a friend request

as if


 

 

 

 

 

The Teenagers - "Homecoming"

Um filme fal(h)ado

E se Cristóvão Colombo tivesse sido português? É esta a ideia que Manoel de Oliveira tenta comprovar em "Cristóvão Colombo - O Enigma", em que parte de investigações que defendem que o navegador que descobriu a América não era italiano mas originário da aldeia de Cuba, no Alentejo.

 

Os protagonistas do filme são, por isso, Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, casal que na década de 40 realizou estudos com vários indícios de que a nacionalidade de Colombo era portuguesa. Oliveira começa por se concentrar nas pesquisas da dupla, nos tempos em que eram mais jovens, e acaba com o foco na sua relação nos dias de hoje, já na velhice, debruçando-se sobre a sua experiência conjugal.

 

 

Infelizmente, "Cristóvão Colombo - O Enigma" nunca se revela muito interessante em nenhum dos cenários, sendo até bastante insípido durante grande parte da sua duração. A História de Portugal é abordada com num misto de didactismo gritante e uma nostalgia excessivamente reverente pelas glórias dos Descobrimentos, através de diálogos demasiado explicativos e sem qualquer traço de espontaneidade.

As interpretações não disfarçam essa falta de subtileza, já que tanto Ricardo Trêpa como Leonor Baldaque não concedem qualquer espessura dramática às personagens, mantendo sempre uma rigidez exasperante e debitando texto sem convicção.

 

 

Ao fim de poucos minutos, o filme vai caindo num esquematismo incapaz de seduzir, e nem mesmo a sobriedade da câmara de Oliveira é capaz de compensar a mediocridade de tudo o resto, até porque a iluminação do interior dos locais por onde o casal vai passando deixa muito a desejar.

 

Admita-se que o cineasta gera, pontualmente, alguns pequenos milagres, como a criação de uma Nova Iorque dos anos 40 envolta em nevoeiro ou o modo como a retrata hoje em dia, a milhas da forma como esta costuma ser filmada.

Mas por cada oportuna ideia visual há duas ou três fragilidades do argumento ou das interpretações, o que leva a momentos dispensáveis como as aparições do anjo de Portugal ou a declamação de um poema de Pessoa por Luís Miguel Cintra, um dos maiores picos de pretensão do filme.

 

 

Quando a acção foca o casal na velhice torna-se um pouco mais entusiasmante, até porque a reflexão sobre a experiência conjugal se sobrepõe, e ainda bem, à vertente histórica. Aqui, o par protagonista surge interpretado por Oliveira e a sua esposa, o que talvez ajude a explicar o intimismo e cumplicidade que resulta de algumas cenas, contrapondo-se à postura forçada de Trêpa e Baldaque.

 

Quando, nestes momentos, "Cristóvão Colombo - O Enigma" se debruça na relação amorosa - que parece não ser tanto a das personagens mas a daqueles que as interpretam - até oferece algumas sequências curiosas e enternecedoras, embora deite tudo a perder quando se entrecruza com a História e volte aos tiques de vídeo institucional amador. E são esses que, por serem quase omnipresentes, tornam o filme numa experiência cinematográfica pesada e mortiça, que apesar de não ir além dos 70 minutos parece durar o dobro do tempo, resultando num enigma que não desperta muita curiosidade.

 

 

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