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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Burros e ratos

 

O seu mais recente álbum, "Donkey", só é editado no Verão, mas um dos novos temas dos Cansei de Ser Sexy já pode ser adquirido gratuitamente através do seu site oficial.

 

Chama-se "Rat is Dead (Rage)" e nele a banda brasileira mostra-se menos festiva do que em canções como "Alala" ou "Superafim" e dá prioridade às guitarras em detrimento da electrónica. Não sendo um portento, é catchy como sempre e demonstra mais uma vez o carisma de Lovefoxxx.

 

Sangue novo (e sueco)

Estranha surpresa, a segunda longa-metragem do sueco Tomas Alfredson. Algures entre o drama centrado nos inícios da adolescência e os códigos do filme de terror, "Let the Right One In" (Låt den rätte komma in) debruça-se sobre a cumplicidade que nasce entre dois vizinhos de doze anos, Oskar e Eli, ele alvo de agressões na escola, ela passando os dias em casa e apenas saindo à noite, para o pátio ao pé do seu prédio.

 

Em comum têm a postura desconfiada e circunspecta, e aos poucos a partilha da solidão origina uma forte amizade que ameaça ficar comprometida por uma repentina vaga de homicídios locais, em que as vítimas ficam sempre ensanguentadas e cujos predadores são procurados pelos habitantes da zona.

 

 

Sugerindo uma hipótese de realismo fantástico, que nasce de uma crueza bem nórdica com que são retratados os acontecimentos e da carga simultaneamente poética e inquietante que define atmosferas, "Let the Right One In" é uma bela história sobre o crescimento, a inadaptação e o confronto com a diferença.

 

Estes temas têm sido trabalhados em muitos filmes independentes, mas aqui ainda mantêm a frescura pois Alfredson cruza-os com um suspense metódico e absorvente, abordando com eficácia o sempre fértil universo da adolescência enquanto revitaliza as histórias de vampiros, propondo uma amálgama original e bem desenvolvida.

 

Ancorado em boas interpretações, sobretudo do jovem par protagonista, numa narrativa que dá tempo e espaço às personagens e numa realização hipnótica, o filme alia morte e inocência sem cair em maniqueísmos e resulta num atípico conto vincado por um inesperado romantismo.

 

 

O arrojo temático é complementado por algumas excelentes ideias visuais, desde o ambiente invernoso que marca todo o espaço exterior, em que a neve potencia imagens impressionantes, até rasgos de maior inspiração como uma das sequências finais, filmada debaixo de água.

 

A bizarria - e carga gore - de algumas cenas poderá fazer de "Let the Right One In" uma obra difícil de agradar a todos os paladares, mas o talento e singularidade de Alfredson são inegáveis.

 

 

"Let the Right One In" integra a programação da quinta edição do IndieLisboa e é reexibido a 1 de Maio às 21h45 no cinema São Jorge.

 

Rainha do hip-hop?

 

Pelo menos tem a ajuda de dois magos da produção do género, Timbaland e Pharrell Williams, assim como participações de Justin Timberlake ou Kanye West.

Mas esta galeria de ilustres não basta para disfarçar que "Hard Candy", editado hoje, é bem capaz de ser o disco mais fraco de Madonna desde "Bedtime Stories" (1994), optando por seguir os modelos do mainstream actual em vez de arriscar como no relativo experimentalismo do subvalorizado "American Life" (2003) e estando muitos furos abaixo da introspecção electrónica de "Ray of Light" (1998).

 

Acrescentando pouco à obra da cantora e ainda menos à dos produtores, e tendo a estratégia de imagem mais desinspirada e previsível de Madonna em muitos anos, "Hard Candy" não chega, mesmo assim, a ser o falhanço que o single "4 Minutes" sugeria.

Canções como "Miles Away", "Heartbeat" ou "She's Not Me" ainda resultam e as primeiras impressões deixadas pelo disco não são más, embora também não sejam as melhores. Mas nada como ouvi-lo mais algumas vezes para confirmar a suspeita...

 

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