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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Why so serious?

Sim, o título deste post não é propriamente original e deve ter sido o mais utilizado na blogosfera na última semana, embora agora não vá debruçar-me muito sobre "O Cavaleiro das Trevas" - gostei da abordagem de Christopher Nolan mas fica para depois.

 

Muito se tem falado da densidade do novo filme do Homem-Morcego, do seu lado de policial que acaba por quase anular os modelos dos filmes de super-heróis, das consequências do 11 de Setembro, da psicologia das personagens... como se um filme do género precisasse de tudo isto para se elevar acima dos restantes.

Ora, pelo menos na BD, há personagens que estão muito longe desta vertente e que não tentam sequer apostar na seriedade, refugiando-se no humor com óptimos resultados - e sem deixarem de ter complexidade por isso. Como fanboy assumido que sou (apesar de já ter sido mais), sugiro algumas que podem funcionar bem no grande ecrã e os realizadores mais apropriados para o feito:

 

 

Mulher-Hulk: A prima de Bruce Banner não poderia ter acolhido os raios gama de forma mais distinta do que este. Se para ele foi uma maldição, para Jennifer Walters foi o que a levou a sentir-se melhor consigo própria. E isto reflecte-se nas suas histórias, marcadas por um humor refrescante e auto-consciente que gerou momentos memoráveis através de argumentistas como John Byrne ou Dan Slott. Nas mãos certas, podem estar na origem de uma comédia irresistível e perspicaz - como nas de Marc Foster, que em "Contado Ninguém Acredita" andava próximo deste espírito.

 

 

X-Statix: Das séries mais corrosivas e cáusticas que a Marvel já gerou, esta equipa de super-heróis foi uma polémica e por vezes incompreendida sátira ao culto das celebridades e ao papel dos media. Há de tudo um pouco por aqui, desde uma versão gay de Eminem que pode alterar as dimensões de cada parte do corpo, um herói com um skate com consciência própria ou uma personagem inspirada numa certa princesa do povo (bem evidente na imagem acima). A BD é de culto e o filme também poderia sê-lo - e alguém como John Waters talvez não o rejeitasse.

 

 

Liga da Justiça América: Neste contexto, a formação mais apropriada seria a que Keith Giffen e J.M DeMateis criaram, pegando em vários super-heróis da DC de quinta categoria, que ninguém queria aproveitar, e dando-lhes uma reviravolta. E com grandes resultados, já que cada número tinha uma contagiante injecção de humor assente nos contrastes das personalidades das personagens. E não faltam boas personagens por aqui, o que leva a pedir que Guy Gardner, o Besouro Azul, Fogo ou Gelo sejam devidamente honrados numa eventual (embora improvável) adaptação cinematográfica. Pelos irmãos Farrelly num dia bom, por exemplo.

 

 

Deadpool: O mercenário mais inconveniente e desbocado da Marvel - e, provavelmente, de todo o lado - começou como um dos muitos vilões genéricos da X-Force mas aos poucos tornou-se numa das figuras mais carismáticas. Entre a esquizofrenia, o nonsense e a acção disparatada, poderia sair daqui um belo filme. Guy Ritchie numa fase de inspiração faria maravilhas com este material.

 

 

X-Factor: A equipa de mutantes mais cool de sempre tem uma das séries de BD mais consistentes dos últimos anos, com uma óptima química entre personagens e o humor sempre certeiro da escrita de Peter David. Depois da bem-sucedida abordagem aos seguidores do Professor Xavier em "X-Men" e "X2", Bryan Singer bem podia pegar no grupo de Jamie Madrox e dar-lhe uma atmosfera mais noir e indie - e tendo na filmografia uma obra a condizer ("Os Suspeitos do Costume"), dificilmente se sairia mal.

 

 

Savage Dragon: Das séries mais arrojadas e imprevisíveis geradas pela Image Comics, este projecto da vida de Erik Larsen foi uma lufada de ar fresco no universo dos super-heróis. Investindo em situações mais adultas e longe do esquematismo de muitos colegas de editora que ao início apenas imitavam personagens da Marvel, criou em "The Savage Dragon" um universo próprio e inventivo. Já teve direito a desenhos animados, mas falta o filme - e Guillermo del Toro era realizador para fazer uma adaptação convincente.

 

 

Gen13: Outra criação da Image dos primórdios, os eternos adolescentes liderados por John Lynch são a concertização perfeita de um guilty pleasure: humor simples mas eficaz, boas doses de aventura, imaginação q.b., personagens que geram empatia e muito eye candy por página. Nas mãos certas, podia ser tudo aquilo que as algo toscas adaptações do Quarteto Fantástico não conseguiram. Peter Jackson talvez fizesse disto um bom blockbuster, mas não sei se mesmo ele seria capaz de escolher uma actriz à altura de Caitlin Fairchild.

 

 

 

Novos Mutantes: Outra equipa de adolescentes, ainda que nem sempre com uma atmosfera tão feelgood, os supostos sucessores dos X-Men têm histórias mais do que suficientes para originar um filme que em nada perderia na comparação com os dos seus tutores. Na trilogia do Homem-Aranha, Sam Raimi soube como captar o deslumbramento que também marca presença nas aventuras de Sam, Rahne ou Danielle. E com os CGI de hoje em dia, Warlock no grande ecrã seria seguramente um prodígio visual.

 

 

Novos Titãs: Mais uma equipa de adolescentes, esta a da principal da DC, viveu fases de inspiração irregular mas a de Marv Wolfman e George Pérez deixou vários momentos de antologia. Uma adaptação cinematográfica era um bela oportunidade para ver um Robin em condições no grande ecrã, e Gar ou Koriander levariam ao êxtase os fãs oldschool. Andrew Adamson, que não se tem dado mal com as aventuras de Narnia, era uma boa escolha para levar a mítica equipa ao grande ecrã.

 

Haverá mais e melhores, mas estes foram os que ocorreram. Quaisquer adendas são bem-vindas.

 

Fundo de catálogo (17): Lamb

 

 

Antes do inevitável "Gabriel", os Lamb criaram alguns dos melhores momentos que o trip-hop veio a conhecer, em dois discos que os atiraram para o grupo de projectos mais desafiantes da década passada.

 

Em "Lamb" (1996) e, sobretudo, "Fear of Fours" (1999), Lou Rhodes e Andy Barlow deixaram grandes testemunhos de uma pop mutante e imprevisível, contrastando ritmos e melodias que tanto vinham do jazz como do breakbeat.

 

Canções como a desconcertante "Trans Fatty Acid" ou a bizarra "Fly" não perderam a força com o passar dos anos, e o mesmo pode dizer-se do clássico "Gorecki", um dos temas recorrentes, por exemplo, do programa "Chill Out Zone", quando a MTV ainda podia ser considerada um canal de música.

E a verdade é que continua um tema arrepiante como poucos para ouvir durante a madrugada - ou noutras ocasiões. O muito apropriado videoclip fica aqui para recordar:

 

 

Lamb - "Gorecki"

 

Revisitações anteriores

 

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