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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

guest (play)list #1

 Rise to the Challenger (Hunting for Ghosts):

 

 

Ladytron - Ghosts (Cassette Jam Mix)

Digitalism - Pogo (Shinichi Osawa Remix)

The Presets - My People

Depeche Mode - I Feel Loved

Bloc Party - Hunting for Witches (Crystal Castles Remix)

Cansei de Ser Sexy - Beautiful Song

X-Wife - Ping Pong

Does It Offend You, Yeah? - Doomed Now

Minitel Rose - Better Days (Part. II)

Sneaker Pimps - Tesko Suicide

Björk - Army of Me

We Start Fires - Let's Get Our Hands Dirty

The Cardigans - Erase and Rewind (Kleerup Mix)

The Notwist - Consequence

Radiohead - Pyramid Song

Garbage - You Look So Fine (Fun Lovin' Criminals Remix)

Ladytron - Ghosts (Modwheelmood Mix)

 

Banda-sonora imaginária para o jantar de ontem (talvez real, não fosse o jogo de futebol), viagens de carro e after-hours. E parabéns ;)

 

Canções para acompanhar o dia ou a noite

Há dois anos, com o seu segundo álbum "Movements", os alemães Booka Shade foram alvo de um aplauso quase consensual, mérito de um disco que tanto incitava ao dinamismo na pista de dança como à inércia num sofá, de preferência com headphones.

 

A sua combinação de house e ambient, onde as batidas não impediam que os temas respirassem, não foi no entanto inédita e teve paralelo, por exemplo, na forma como muitos artistas da editora conterrânea Kompakt ajudaram a consolidar o techno minimal, vincado pelo mesmo hipnotismo e um seguro equilíbrio entre energia e serenidade.

 

 

"The Sun & the Neon Light", o seu sucessor, era por isso aguardado por muitos, desde os seguidores dos primeiros dias a um público mais alargado que descobriu a dupla através de faixas como "Mandarine Girl" e "Body Language", singles com rotação tanto nos bares musicalmente mais estimulantes como em discotecas de adesão massiva.

 

Em vez de apostarem nos caminhos que marcaram esse disco comercial e artisticamente bem-sucedido, Arno Merziger e Walter Kammermeier desviam-se para territórios que até aqui ainda não tinham percorrido, mesmo que essa nova orientação nem sempre seja sinónimo de risco.

Pelo contrário, este é o seu álbum mais imediato, onde pela primeira vez adoptam de facto o formato canção ao apresentarem alguns temas com vozes, em vez de composições exclusivamente instrumentais.

 

 

Longe do pragmatismo dançante dos primeiros tempos, momentos como "Solo City" ou "Sweet Lies" enveredam por uma synth-pop que não esconde a sombra de uns Depeche Mode, ainda que devidamente reenquadrada no livro de estilo Booka Shade: a produção é minuciosa como sempre, com atmosferas milimetricamente desenhadas e uma elegância textural que as torna em episódios envolventes.

Se na primeira canção a pista de dança ainda é uma meta possível, dados os constantes crescendos instrumentais entre palavras cantadas, na segunda o ritmo abranda e origina uma bela balada com embrulho digital.

 

Também com ecos da banda de "Ultra" e "Violator", "Dusty Boots" é um pequeno devaneio electroacústico que tenta provar que o electro e a country podem ser parentes próximos - mesmo não sendo totalmente convincente -, e "Outskirts" ou a faixa-título entram pelo universo das bandas-sonoras, emanando a espaços uma carga épica com a ajuda da German Film Orchestra de Babelsberg.

 

 

 Menos linear do que os registos anteriores, "The Sun & the Neon Light" não é necessariamente melhor mas pelo menos alarga o espectro do projecto, que não sofreu grande alterações do primeiro para o segundo álbum.

Tal como esses, este é um disco interessante embora desequilibrado, pois se nunca oferece maus momentos também raramente atinge níveis superlativos. E peca pelo excesso de duração, já que catorze temas de qualidade variável geram um álbum que nem sempre prende a atenção (sobretudo na recta final), mesmo que nunca seja desagradável enquanto música de fundo.

 

Este regresso dos Booka Shade pode não marcar o ano mas ainda é uma das boas surpresas, que por vezes consegue ascender a outros patamares em faixas como "Charlotte", um infeccioso single que pede praia ou uma festa animada como acompanhamento - ou como diz o título do disco, a luz do Sol ou de néons, que iluminam as pontuais zonas de sombra de uma música que, sem inovar muito, ainda mantém o apelo.

 

 

 

Booka Shade - "Charlotte"

 

Estreia da semana: "Terra de Bravos"

 

 

A filmografia de Irwin Winkler não é particularmente entusiasmante, mas de vez em quando, entre filmes genéricos como "A Rede" ou "À Primeira Vista", o realizador apresenta ocasionais obras mais recomendáveis como "Uma Casa, Uma Vida".

 

O seu trabalho mais recente, "Terra de Bravos" (Home of the Brave), até tem uma premissa interessante: a de seguir o regresso a casa de quatro soldados norte-americanos após uma conturbada missão no Iraque, incidindo nos reajustamentos que terão que fazer no seu dia-a-dia.

Resta saber se deste filme, cujo elenco inclui Samuel L. Jackson, Christinna Ricci, Jessica Biel ou... 50 Cent(!), resulta uma abordagem pessoal e interessante ou apenas mais um entre tantos outros títulos sobre a guerra do Iraque.

 

Outras estreias:

 

"A Ilha de Nim", de Jennifer Flackett e Mark Levin

"Babylon A.D.", de Mathieu Kassovitz

"Star Wars: A Guerra dos Clones", de Dave Filoni

"Viagem ao Centro da Terra 3-D", de Eric Brevig

 

Amores de Verão (13): The Whip

 

 

"X Marks Destination", o registo de estreia dos The Whip, pode não ser um grande disco, mas pelo menos por cada duas canções medianas tem uma com fortes probabilidades de se tornar viciante, sobretudo numa pista de dança. É o caso de "Trash", "Blackout" ou "Sister Siam", não por acaso todas singles.

 

O álbum dificilmente marcará o ano, mas temas como estes resultam muito bem nas noites de Verão (ou de Inverno), o que já é alguma coisa. Abaixo fica o vídeo do meu tema de eleição do quarteto de Manchester, "Divebomb", canção que foi alvo de uma (também) óptima remistura dos Crystal Castles:

 

 

The Whip - "Divebomb"

 

Amores anteriores

 

Entre os jogos de computador e as pistas de dança

São um dos hypes do ano, mas ao contrário de muitos aqui há de facto motivos para a onda de entusiasmo que têm desencadeado. Após a edição de EPs e singles que os tornaram alvo de atenção, com uma forte aliada na internet, os canadianos Crystal Castles confirmam no álbum homónimo as expectativas que algumas das suas canções e remisturas criaram, numa estreia que entra para a lista de melhores propostas da electrónica recente.

 

Ethan Kath (programações) e Alice Glass (voz) desconstroem e misturam estilhaços de techno, synth pop, noise ou electroclash, mantendo como alicerces uma frequente dose de elementos 8-bit e diluindo as fronteiras entre as pistas de dança e bandas-sonoras de jogo de computador vintage (em grande parte devido ao chip do jogo "Atari" colocado nos teclados).

 

 

Daqui resulta um imaginário absorvente, tão lúdico como enigmático, mas outra coisa não seria de esperar de uma dupla que herda o nome da fortaleza dos desenhos animados de She-ra e que entrecruza serenos acessos de nostalgia com uma cortante atitude punk.

Esta reflecte-se sobretudo nos seus intempestivos concertos, descargas tão féericas quanto caóticas onde Glass parece uma candidata a arauto do apocalipse, embora o disco contenha já o rastilho para essas explosões em temas como "Alice Practice" ou "XXZXCUZX Me".

 

Mas o contrário também acontece, já que noutros momentos os Crystal Castles parecem outra banda, tendo em conta a serenidade que domina episódios como o belo e aconchegante instrumental "Magic Spells" ou o estupendo "Air War", minimalista devaneio 8-bit com uma faceta pop infecciosa e encantadora. Igualmente cativante, "Vanished" é uma versão revista e melhorada de "Sex City", dos Van She, um delicioso momento de electropop melancólica, embora dançável.

 

 

 

Mais alegre e desbragado, "Good Time" são quase três minutos de boa disposição e "Through the Hosiery" mostra aquilo que poderiam ser uns The Go! Team sem a aura solarenga e antes revestidos por uma capa sombria, e onde Glass não fica nada abaixo de Ninja a gritar palavras de ordem (ainda que, como em grande parte das outras faixas, sejam quase imperceptíveis).

 

Se "Atlantis to Interzone", dos Klaxons, ou "Hunting For Witches", dos Bloc Party, já tinham provado que a dupla de Toronto é uma exímia autora de remisturas, "Crimewave", dos HEALTH, confirma esses créditos. Mais um tema marcado pela forte presença do 8-bit, é um viciante novelo de ritmos e melodias, combinando com equilíbrio imediatismo e estranheza.

"Courtship Dating" recorre também a elementos dessa banda nova-iorquina, no caso do tema "Courtship", ainda que passem quase despercebidos. Talvez o momento onde o sentido de urgência dos Crystal Castles surge mais evidenciado, mostra uma Alice Glass mais assombrada do que nunca e imersa em texturas sinistras e hipnóticas.

 

 

Um dos melhores singles do ano, é o ponto alto de um álbum de estreia consistente como poucos, que só peca por conter muito material já conhecido - resgatado de EPs de menor visibilidade - e por nem sempre apresentar um nível qualitativo tão elevado, uma vez que o alinhamento é demasiado longo - mesmo que não tenha nenhuma canção abaixo da média.

 

Seja como for, alguns dos temas de facto inéditos prometem alargar ainda mais um espectro sonoro já bastante ecléctico. É o caso do que fecha o disco, "Tell Me What to Swallow", onde a dupla despe a electrónica numa discreta canção de aura etérea e crepuscular, próxima de uma dream pop que não está imune a zonas de sombra.

Ao contrário da maioria dos restantes momentos, a voz de Glass abraça aqui uma fragilidade que lhe assenta bem, sugerindo territórios que poderão - e deverão - ser explorados pelos Crystal Castles daqui para a frente. Mas mesmo que não o façam, o mérito de uma óptima estreia é quase inegável.

 

 

 

Crystal Castles - "Vanished"

 

Amores de Verão (12): Bran Van 3000

 

 

Julgava-os já extintos, mas afinal os canadianos Bran Van 3000 editaram um disco há poucos meses - o seu terceiro, "Rosé", em finais do ano passado, ainda que deste lado do Atlântico não se tenha dado muito por isso (nem do outro, provavelmente).

 

Boas notícias para quem considerou o registo de estreia do colectivo, "Glee", um dos mais imaginativos e promissores da década passada, antes da cena musical canadiana - à qual o grupo nunca é associado - ser alvo de hype e das sonoridades disco - exploradas em "Discosis", o segundo álbum - voltarem a ter impacto na criação musical.

 

E mesmo que o novo registo não seja o melhor da banda (antes pelo contrário), sempre permite abrir possibilidades (remotas, é certo) de ver o grupo ao vivo num palco nacional ou próximo, e aí recordar canções como "Afrodiziak", "Rainshine" ou o hino de Verão "Drinking in LA", que há dez anos tornou o mentor Jamie "Bran Man" Di Salvio e colegas em one hit wonders.

 

 

Bran Van 3000 - "Drinking in LA"

 

Amores anteriores

 

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