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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

2009 em revista

2008 ainda não acabou mas já há quem tenha feito o balanço de 2009, como pode comprovar-se neste vídeo, um dos muitos delirantes que se encontram no CENA:

 

 

Ao que parece, teremos um bom ano. Boas entradas e até daqui a uns dias.

 

Os melhores de 2008: filmes

 

1 - "Nós Controlamos a Noite", James Gray
Entre o drama familiar e o policial, Gray apresenta aqui um dos filmes norte-americanos mais intensos dos últimos anos, aliando o clássico e o moderno e confirmando as boas suspeitas lançadas pelas obras anteriores.

 

2 - "A Turma", Laurent Cantet
O melhor filme de Laurent Cantet é também, e justamente, aquele que mais o aproximou do grande público. Olhar complexo, simultaneamente sério e divertido, sobre os problemas do ensino, é mais uma prova da solidez de algum cinema francês recente.

 

3 - "Hellboy II: O Exército Dourado", Guillermo del Toro
Filme-pipoca do ano? Muito provavelmente, já que esta sequela do anti-herói criado por Mike Mignola é, mais do que o anterior, uma valiosa oportunidade para Guillermo del Toro soltar a sua imaginação. E quando o delírio visual surge aliado a personagens carismáticas, garante-se entretenimento de topo do princípio ao fim.

 

4 - "Detenção Secreta", Gavin Hood
Além de contar com um elenco invejável - Jake Gyllenhaal, Meryl Streep ou Resse Witherspoon, entre outros -, este misto de drama e thriller é um dos mais conseguidos (e injustamente ignorados) olhares sobre os reflexos do terrorismo. "Tsotsi" já tinha dado bons motivos para acompanhar Gavin Hood, e "Detenção Secreta" só vem alargar o interesse.   

 

5 - "O Cavaleiro das Trevas", Christopher Nolan
Mesmo algo sobrevalorizado, o segundo capítulo da nova saga dedicada ao alter-ego de Bruce Wayne é a melhor adaptação da personagem ao grande ecrã. Nolan é, como sempre, um relizador meritório, mas é o inquietante Joker de Heath Ledger o que mais insiste em persistir na memória .

 

6 - "Expiação", Joe Wright
Com um brilhante primeiro terço, esta adaptação da obra homónima de Ian McEwan raramente atinge o nível do arranque, ainda que proponha uma das mais envolventes histórias de amor do ano. E tal como em "Orgulho e Preconceito", Wright sabe como fugir aos lugares-comuns dos dramas históricos.

 

7 - "O Segredo de um Cuscuz", Abdel Kechiche
Com algumas das cenas mais tridimensionais do ano, fruto de um efeito realista que só poucos conseguem, Kechiche aprimora os méritos da direcção de actores (com forte recurso ao improviso) registados em "A Esquiva". A par de "A Turma", foi o grande filme francês de 2008. 

 

8 - "Antes que o Diabo Saiba que Morreste", Sidney Lumet
O realizador norte-americano continua hábil na gestão do suspense, como o comprova este drama familiar com uma tensão de cortar à faca. E proporciona a Philip Seymour Hoffman uma das grandes interpretações do ano.

 

9 - "O Menino de Cabul", Marc Foster
"007 — Quantum of Solace" pode ter sido o filme mais mediático de Marc Foster nos últimos tempos, mas é "O Menino de Cabul" que mais merece ser relembrado. Centrado na amizade de duas crianças afegãs, é talvez o filme mais consistente do multifacetado realizador até agora.

 

10 - "Caramel", Nadine Labaki
Desenrola-se em Beirute mas pouco tem a ver com os ventos trágicos que levam a que a cidade ganhe protaginismo nos telejornais. Em vez disso esta comédia dramática opta por uma história sobre o quotidiano de quatro mulheres, emanando um apelo universal sem cair em facilitismos. O título não engana, esta é uma surpresa irresistível.

 

Este top 10 seria diferente se tivesse estreado por cá o óptimo "Saturno Contro", de Ferzan Özpetek (exibido no Queer Lisboa), e o não menos recomendável "Gespenster", de Christian Petzold (que passou pela KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã), mas ficaram de fora já que a lista so inclui estreias do circuito comercial. E voltando a estas, há pelo menos mais dez que também merecem ser relembradas:

 

11 - "Filho de Rambow", Garth Jennings
12 - "Bem-Vindo ao Turno da Noite", Sean Ellis
13 - "O Estado Mais Quente", Ethan Hawke
14 - "Corações", Alain Resnais
15 - "Do Outro Lado", Fatih Akin
16 - "California Dreamin'", Cristian Nemescu
17 - "Sedução, Conspiração", Ang Lee
18 - "O Lado Selvagem", Sean Penn
19 - "WALL-E", Andrew Stanton
20 - "O Acontecimento", M. Night Shyamalan

 

Para ver uma lista mais extensa, com várias categorias, basta passar pelo especial do SAPO Cinema, que reúne as minhas escolhas, as da Inês e do Luís Salvado.

 

Os melhores de 2008: discos

 

1 - "Velocifero", Ladytron

Ao quatro disco, os Ladytron confirmam-se entre os mais confiáveis criadores de pop electrónica da década. O antecessor, "Witching Hour", continua a ser a obra-prima do quarteto de Liverpool, mas "Velocifero" revela-se mais intrigante pelo reforço das guitarras e percussão, assim como de uma carga gótica que sugere novos caminhos a acompanhar.

 

2 - "Crystal Castles", Crystal Castles

Os EPs eram promissores e o disco não desiludiu. Numa das estreias mais surpreendentes do ano, a dupla canadiana oferece um hipnótico caldeirão de influências, tão intempestivo quanto sedutor, onde a voz mutante de Alice Glass se entrecruza com as imaginativas texturas servidas por Ethan Kath. Ao vivo, o caos é ainda maior.

 

3 - "Kleerup", Kleerup

Saindo dos bastidores e assinando um disco em nome próprio, o produtor sueco Andreas Kleerup conta contudo com óptimas companhias. As conterrâneas Neneh Cherry, Lykke Li ou Robyn são apenas algumas de um belo conjunto de canções de electrónica simples, contemplativa e sempre envolvente que merecia maior atenção.

 

4 - "In Ghost Colours", Cut Copy

Há quatro anos, poucos foram os que repararam no seu álbum de estreia. Em compensação, o sucessor é presença obrigatória em várias listas de melhores do ano, tornando os Cut Copy nos porta-estandartes oficiais da nova (electro)pop australiana. Quando quase todos os temas dariam um (bom) single, percebe-se porquê.

 

5 - "Fireproof", Dawn Landes

Quase um segredo bem guardado entre as novas cantautoras norte-americanas, Dawn Landes apresenta no seu primeiro álbum uma mistura discreta, sensível e equilibrada entre folk e indie pop. Não marca pela novidade, mas a consistência do alinhamento é assinalável.

 

6 - "Couples", The Long Blondes

De um single viciante como "Century" à claustrofobia de "Round the Hairpin", passando pela urgência de "Here Comes the Serious Bit", "Couples" mostra os britânicos Long Blondes em boa forma. A presença de Erol Alkan na produção é evidente mas é a vocalista Kate Jackson quem dá alma à energia pós-punk destas canções.

 

7 - "The Smallest Acts of Kindness", Anne Clark

Quando outras figuras femininas da pop dos anos 80 regressaram em discos eficazes e alvo de atenção - como Grace Jones ou Cyndi Lauper -, o de Anne Clark passou ao lado de muitos embora se afirma como o mais interessante. Mais acústico do que se esperaria, não deixa de manifestar a intensidade habitual da sua autora em algumas grandes canções como "Full Moon" ou "If".

 

8 - "Apocalypso", The Presets

Juntamente com os Cut Copy, foram os maiores responsáveis pelo regresso da Austrália ao mapa musical em 2008. Mas em "Apocalypso" a pop é mais negra, desesperada e abrasiva, ainda que nunca deixe de ser dançável e gere mesmo alguns singles de excepção em "My People" ou "This Boy's in Love".

 

9 - "Midnight Boom", The Kills

Menos homogéneo e derivativo dos que os discos anteriores da dupla, "Midnight Boom" é o mais refrescante álbum dos Kills. O minimalismo mantém-se e não é imune a uma carga mais imediata que em nada compromete a coesão de um conjunto de canções com personalidade e aspereza q.b..

 

10 - "Last Night", Moby

O mais interessante disco de Moby desde "Play", "Last Night" pretende ser um regresso às noites dançantes de Nova Iorque dos anos 80 - e resulta. Desavergonhadamente kitsch, com vozes de divas duvidosas entre batidas datadas, a sucessão de refrões pegajosos só pára nas faixas finais, mais atmosféricas.

 

Mesmo não tendo sido um ano pródigo em álbuns marcantes - pelo menos para mim -, em 2008 não faltaram boas edições. Por isso, ficam aqui mais dez:

 

11 - "Reality Check", The Teenagers

12 - "Santogold", Santogold

13 - "Saturdays = Youth", M83

14 - "Vantage Point", dEUS

15 - "Partie Traumatic", Black Kids

16 - "This Gift", Sons and Daughters

17 - "Youth Novels", Lykke Li

18 - "Holiday", Alaska in Winter

19 - "Intimacy", Bloc Party

20 - "Donkey", Cansei de Ser Sexy

 

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