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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A primeira página de uma boa estreia

 

Formou-se em 2005 mas só este ano edita o seu primeiro disco, "Nascituro".

O [L][U][D][O], projecto originário de Olhão, tem tido nos últimos meses uma considerável passagem por palcos que deverá intensificar-se a partir de Abril, mês do lançamento do mini-álbum.

 

Composto por seis temas, é já uma das boas estreias nacionais do ano e revela mais um interessante nome praticante de rock em português, devidamente assente numa escrita segura e num muito conseguido trabalho de produção.

 

Mas enquanto o disco não chega, aqui fica o videoclip do primeiro single:

 

 

o [L][U][D][O] - "Ao Virar da Página"

 

(Bad) girls & (good) boys

Em vésperas de Carnaval, sexta-feira prometia ter uma noite de festa no Lux, em Lisboa, ao aliar dois dignos representantes da electrónica lúdica e dançável do momento: os dinamarqueses WhoMadeWho e as alemãs Chicks on Speed.

 

E durante a actuação dos primeiros, dificilmente alguém terá ficado decepcionado, já que o trio de Tomas Barfod, Jeppe Kjellberg e Tomas Hoffding mostrou-se consistente e dedicado na sua mistura de punk funk com disco e pontuais contaminações electro.

 

 

A fusão que o grupo propõe, tanto no álbum de estreia homónimo como no novo "The Plot" (a editar em Março) está longe de ser original e nem sempre se distingue muito da de outros projectos que, nesta década, revisitaram o caldeirão pós-punk (aqui com maior ênfase no legado dos Gang of Four), mas resulta eficaz em disco e ainda o é mais ao vivo.

 

Equipados com fatos de lycra a preto-e-branco, um deles a imitar um esqueleto - que são já habituais na banda e não motivados pelas festividades da época -, acolheram os primeiros espectadores aos quais rapidamente se juntaram muitos outros, e ao fim de cerca de quarenta minutos a moldura humana dominava já toda a sala.

 

A força do baixo, guitarra e bateria, complementada pela envolvência da electrónica, deu ao concerto uma considerável pulsão rítmica que nunca se perdeu ao longo de um alinhamento que conjugou bem temas dos dois álbuns.

 

Sem serem geniais, as canções dos WhoMadeWho comprovaram que cumprem perfeitamente a sua missão quando o que se pede é música festiva e hedonista, e os bons resultados foram visíveis numa multidão que correspondeu aos disparos de energia encetados pelo grupo.

 

A fechar em grande uma actuação equilibrada, o ponto alto ficou a cargo de uma versão de um tema quase obrigatório em serões electro.

"Satisfaction", de Beni Benassi, impõs-se como o melhor momento de uma noite que, infelizmente, perdeu grande parte do apelo a partir do momento em que o palco passou a pertencer às Chicks on Speed.

 

 

Embora a formação da banda seja um trio, apenas dois elementos marcaram presença, e se quando partilharam o protagonismo com os WhoMadeWho - tanto no muito prolongado "Satisfaction" como mais tarde, em "Wordy Rappinghood" - ainda conseguiram convencer, o mesmo não ocorreu em grande parte do concerto.

 

Ou seria um DJ set? A própria banda admitiu não saber bem ao que ia, o que se tornou evidente numa actuação que uniu os dois registos sem ser particularmente sedutor em nenhum deles.

Antes pelo contrário, não foram poucas as ocasiões de gritante indigência que não deve ser confundida com a atitude punk e do-it-yourself que o grupo defende como um dos seus elementos-chave.

Mais do que musical, as Chicks on Speed são um projecto multidisciplinar que passa pelo design, vídeo, moda ou instalações de arte, mas se nestes quadrantes até podem ser uma proposta interessante, no Lux mostraram que na vertente musical não vão além de um mal disfarçado amadorismo.

 

 

Os discos, longe de obrigatórios e apesar de optarem em demasia por versões de referências do pós-punk (como as Au Pairs, B-52's ou Malaria!), conseguiam pelo menos divertir, algo que ao vivo só resultou com muitas doses de boa vontade (ou de álcool).

 

Admita-se que a sua presença em palco foi imprevisível, embora o efeito tenha sido quase o de andar durante uma hora num carrossel (com mais baixos do que altos) onde nem sequer faltou música de feira (algum techno duvidoso a roçar o trance).

 

Infelizmente os apelativos efeitos de cores do grande ecrã colocado ao fundo não tiveram contraponto no desempenho das duas protagonistas, incapazes de cantar ou dançar de forma especialmente entusiasmante.

 

 

"We Don't Play Guitars", um dos seus hinos, já dava a entender que a banda não tocaria nenhum instrumento (à excepção de algumas brincadeiras com um saxofone), reforçando o efeito karaoke do espectáculo, e como DJs também não impressionaram, oferecendo algumas das piores passagens já ouvidas no Lux - as quebras de ritmo manifestaram-se ainda num medley onde canções como "Fashion Rules!" ou "Euro-Trash Girl" se atropelaram consecutivamente.

 

Ainda assim, e mesmo que parte do público tenha saído durante a actuação, a dupla manteve muitos espectadores animados até ao final, para o qual contribuiu convidar mais de uma dezena para o palco, uma das manobras de distracção que não colmatou, no entanto, a inconsequência de um espectáculo com um desagradável sabor a embuste.

 

WhoMadeWho

Chicks on Speed

 

 

WhoMadeWho - "TV Friend"

 

 

 

Dave Clarke feat. Chicks on Speed - "What Was Her Name?"

 

Sound & vision

As ideias são boas, mas não só não são novas como não foram aproveitadas de forma tão estimulante como o nome dos envolvidos sugeria. Foi esta a impressão que a colaboração entre os Micro Audio Waves e o coreógrafo Rui Horta, "Zoetrope", deixou na passagem do espectáculo pela Culturgest, em Lisboa, na quinta-feira passada.

 

Não se assumindo como um concerto, uma peça teatral ou uma instalação vídeo, este é um híbrido que funde traços de tudo isso, onde as canções da banda se conjugam com as imagens projectadas nas três telas atrás do palco (algumas gravadas no momento).

Entre estas surgem vários interlúdios com divagações dos elementos do grupo (principalmente da vocalista, Cláudia Efe), que reforçam a atmosfera densa e algo onírica do espectáculo.

 

 

A infância, a linguagem, o sonho, o movimento ou o medo são apenas algumas das temáticas que esta viagem propõe, de onde emana um intimismo que se pretende de apelo universal - não por acaso, algumas das sequências de animação tanto focam um quarto escuro como aglomerações de estrelas.

Esta simbologia nem sempre é muito subtil, embora não seja por isso que "Zoetrope" fique um pouco aquém do que poderia esperar.

Por um lado, a sua vertente multimédia não traz nada assim tão arrojado - o facto da banda se fotografar ou filmar em palco (ou ao público) é pouco mais do que um pormenor curioso e a maioria das restantes imagens que passam pelas telas também não são muito impressionantes.

 

Por outro, as novas canções dos Micro Audio Waves convencem mas não atingem, pelo menos ao primeiro embate, o nível das melhores de "Odd Size Baggage" - a excepção é "Sunshine Sunlight", magnífica criação pop que está no centro de um dos raros episódios (literalmente) reluzentes do espectáculo.

E embora conte com um ou dois momentos mais abrasivos, "Zoetrope" perde por não ter temas tão viscerais como "2night (U&I)" ou "Odd Size Baggage", que em concertos anteriores atiravam as actuações da banda para domínios de um musculado - e arrebatador - rock electrónico (do qual o grupo revelou querer afastar-se).

Aqui os ambientes são tendencialmente mais contemplativos e distantes, o que está muito longe de ser mau mas não esmaga a memória desse passado recente.

 

 

 

Quem se supera, contudo, é Cláudia Efe, que além da óptima e expressiva voz cativa pelas suas capacidades de performer, demonstrando uma carga teatral já presente em disco e alguns concertos e que tem agora oportunidade para se soltar.

É sobretudo pela sua presença que "Zoetrope" oferece alguns momentos hipnóticos, uma vez que a vocalista assumir a função de protagonista e a sua alternância de personas (com direito a trocas de indumentária entre o sombrio e o inocente) é interessante.

 

Pena que nem tudo o resto esteja à altura, tornando "Zoetrope" numa experiência que até pela duração (pouco mais de uma hora) acaba por saber a pouco - o que não o impede de ser um espectáculo com um rigor e sensibilidade estimáveis, sempre alicerçado em boas canções que merecem ser partilhadas com os seus autores num dos vários locais da digressão.

 

 

 

Excertos de "Zoetrope"

 

O Carnaval de sexta à noite

 

O trio feminino acima são as Chicks on Speed e o masculino os WhoMadeWho.

Ambos estarão mais logo em Lisboa, no Lux, e prometem uma actuação desbragada, ideal para gastar os resquícios de energia que sobram ao final de uma sexta-feira.

 

Se o que se diz dos concertos das raparigas alemãs e dos rapazes dinamarqueses se confirmar, esta promete ser uma noite de frenética folia carnavalesca, sem concorrência à altura nas festividades desta época que decorrem até terça-feira. A espreitar - e de preferência dançar - a partir das 22h30m, portanto.

 

Como antecipação, serve-se por aqui um videoclip resultante da colaboração das duas bandas. A canção é "This Train", dos WhoMadeWho, e a realização ficou a cargo das Chicks on Speed:

 

 

WhoMadeWho - "This Train"