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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Estreia da semana: "X-Men Origens: Wolverine"

 

Conta com um realizador interessante, um actor principal carismático, sucede uma trilogia consistente e chega finalmente às salas esta semana.

 

"X-Men Origens: Wolverine", como o título indica, revela parte do passado da popular personagem dos X-Men - que muitos conheceram através de Hugh Jackman -, e como chamariz para os fãs inclui alguns dos mutantes mais requisitados para o grande ecrã (casos de Gambit ou Deadpool).

 

E como até agora o franchise tem sido rentável, estão já prometidos outros regressos ao passado de personagens da saga, como Magneto ou a equipa original dos X-Men, que sugerem que a aliança da Marvel com o cinema está para durar.

 

Mas se agora o filme de Gavin Hood (realizador que assinou os estimáveis "Tsotsi" e "Detenção Secreta") mantiver a qualidade assegurada na trilogia de Bryan Singer e Brett Ratner, valerá a pena aguardar com alguma expectativa as próximas apostas da Marvel, pelo menos no que à família X diz respeito.

 

Outras estreias:

 

"Casamentos e Infidelidades", de Ira Sachs

"De Malas Aviadas", de Jonas Elmer

"O Elo do Amor", de Richard Attenborough

"Salazar - A Vida Privada", de Jorge Queiroga

 

 

e-Cinema: Hugh Jackman mostra as garras em Wolverine

 

Uma primeira obra de cortar a respiração

Durante a primeira meia-hora "Breathless" (Ddjongpari) é mais cansativo do que estimulante, concentrando-se quase exclusivamente em cenas de violência encetadas pelo seu protagonista, elemento de um gangue sul-coreano que é o terror dos caloteiros do seu patrão (e melhor amigo).

 

Mas estas sequências introdutórias, demasiado repetitivas, acabam por fazer sentido tendo em conta o que o filme oferece depois, e ao final de mais de duas horas em nada comprometem a sensação deixada por Yang Ik-Juke: a de que esta é uma brutal (literalmente) e brilhante estreia na realização.

 

 

O realizador sul-coreano acumula ainda as funções de produtor, argumentista e actor principal, e consegue equilibrar todas estas vertentes numa obra que ao início parece feita de estereótipos embora vá, subtilmente, contornando os rumos que se esperariam num arranque algo atabalhoado.

 

Como as cenas iniciais sugerem esta é uma história de violência, sim, mas serve-se desta para desenvolver uma inspirada teia narrativa que visita os abismos emocionais do protagonista – sobretudo através da oportuna presença de flashbacks – sem descurar as personagens com os quais este se cruza, todas igualmente ambíguas e atormentadas.

 

 

A violência, sobretudo doméstica, marca inevitavelmente as vidas que a acção segue, e Ik-Juke filma-a com uma crueza que faz de "Breathless" um filme a acompanhar sempre com o coração nas mãos, tanto por esses vários momentos de uma agressividade asfixiante como por alguns episódios comoventes em que as personagens partilham a sua vulnerabilidade com o espectador (cujo pico de intensidade será uma cena ao luar entre o protagonista e a sua amiga, uma destemida estudante do liceu).

 

A realização, quase sempre com câmara à mão e predilecção por grandes planos, acentua a tensão da narrativa, mas felizmente a acção é temperada com algum humor, que se revela vital para compensar muitas situações de um nervosismo claustrofóbico.

 

  

"Breathless" é especialmente surpreendente no desfecho, já que há duas ou três cenas que aparentam ser as finais embora também aí Ik-Juke troque as voltas ao espectador.

 

E quando o filme finalmente termina, com a violência das primeiras sequências a ecoar nas últimas, deixa mais evidente o que já tinha demonstrado: que é mesmo uma primeira obra angustiante e envolvente como poucas, capaz de cortar a respiração em várias cenas de antologia.

 

 

"Breathless" integra a sexta edição do IndieLisboa e é reexibido amanhá às 15h45 no Cinema Londres

 

Uma segunda tentativa

 

O disco homónimo de Kleerup foi um dos mais hipnóticos do ano passado e a participação de algumas convidadas de luxo como Neneh Cherry, Lykke Li ou Robyn ajudou.

 

Mas mesmo a presença dessas vozes não o tornou num alvo de grandes atenções, e talvez por isso o músico e produtor sueco vá reeditá-lo em Junho, com um alinhamento um pouco diferente.

 

Uma das canções que permanece na nova versão é "Waiting for Lullabies", colaboração com Titiyo, meia-irmã de Neneh Cherry.

Não sendo das melhores do disco, é um bom single de apresentação e só sai favorecida com o belo videoclip que a acompanha:

 

 

E porque a obra de Kleerup não se resume ao seu álbum a solo, fica aqui também uma das suas recomendáveis remisturas, neste caso para um tema da melhor fase dos conterrâneos Cardigans, registada no saudoso "Gran Turismo" (que será assunto para um outro post):

 

 

Kickboxer melancólico

Afinal Van Damme até tem sentimentos. Ou pelo menos simula-os bem em "JCVD", certamente o filme mais inesperado do seu currículo, onde faz de si próprio e não tem medo de expor os altos e (sobretudo) baixos da sua carreira.

 

Com uma vida familiar a desmoronar-se e propostas profissionais cada vez menos apelativas - que o obrigam a aceitar sempre papéis pouco exigentes -, a estrela de filmes de acção de outros tempos é agora um homem desencantado que regressa à Bélgica, onde nasceu, apenas para se ver envolvido num assalto a uma estação de correios.

 

 

Além de ser um dos sequestrados por um trio de ladrões, um equívoco leva a que a polícia e população locais - que o idolatram - o considerem o cabecilha dos criminosos.

 

Mas em vez do habitual e previsível festival de pancadaria, "JCVD", do francês Mabrouk El Mechri, é antes um heist movie conjugado com comédia espevitada e, especialmente, uma oportunidade para projectar uma imagem renovada de Van Damme, que aqui não tem medo de se rir de si próprio nem de demonstrar a sensibilidade escondida atrás de acrobacias e pontapés.

 

Pena que a revele de forma por vezes forçada, como num monólogo a roçar a auto-comiseração, onde une um olhar de cãozinho abandonado a música saca-lágrimas.

 

 

E lamenta-se também que a oportuna carga auto-consciente do filme - com bons momentos na forma como a população belga lida com o actor ou nas farpas que atira a Steven Seagal ou John Woo - não tenha contraponto numa narrativa pouco arrojada.

El Mechri bem evita que esta seja linear, mas as cenas de suposta tensão entre assaltantes e polícia pouco diferem de outras já vistas e revistas muitas vezes.

 

E isto, aliado a um tom indeciso entre a ligeireza e a gravidade ou à irrelevância de qualquer personagem excepto o protagonista, faz de "JCVD" um filme menos refrescante do que parece ao início.

Mesmo assim, quem o vir dificilmente olhará para Van Damme da mesma forma: (quase) ninguém diria, mas aqui consegue ser convincente, e não só nas (raras) ocasiões em que a testosterona comanda a acção.

 

 

"JCVD" integra a programação da sexta edição do IndieLisboa, a decorrer até 3 de Maio

 

Para além do fado

 

É editado esta semana "Amália Hoje", o disco resultante da colaboração de Nuno Gonçalves, Sónia Tavares (ambos dos Gift), Fernando Ribeiro (Moonspell) e Paulo Praça (Plaza, Turbojunkie).

 

O álbum reúne nove canções da incontornável voz do fado, agora abordadas de forma muito pouco canónica - pelo que as reacções deverão estar longe do consenso. Mas os elementos do projecto mostram-se confiantes, como pode comprovar-se nesta entrevista:

 

 

Entrevista aos Hoje

 

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