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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Uma nova banda para uma nova década

No ano passado, os seus singles despertaram alguma atenção não só junto da imprensa (em especial a britânica) mas também de vários blogs, e esse burburinho surgiu acompanhado por uma agenda preenchida com concertos pela Europa (incluindo Portugal, no festival Optimus Alive!09).

 

Meses depois de uma considerável passagem pelos palcos, os Delphic editam agora o aguardado disco de estreia, "Acolyte", que não defrauda as expectativas geradas pelos temas já apresentados e coloca o trio britânico entre as primeiras (boas) confirmações de 2010.

 

 

Mais próximo do rock electrónico de uns Friendly Fires ou Klaxons do que de outros conterrâneos com heranças do pós-punk, o grupo revela ainda óbvias ligações à euforia dançável que marcou a sua cidade-natal, Manchester, em finais dos anos 80 e inícios de 90.

 

Embora as guitarras dominem parte do alinhamento, os teclados e sintetizadores desempenham um papel igualmente determinante, numa combinação que está longe de ser original mas que tem frescura suficiente para alicerçar uma estreia aconselhável (e muitas vezes vibrante).

 

 

Estes elementos encontravam-se já, por exemplo, no livro de estilo dos New Order (com os quais os Delphic são habitualmente comparados), uma referência que, no entanto, está longe de ser a única - ou mesmo a mais forte - de "Acolyte".

 

Um tema como "Counterpoint" está mais próximo de uns Bloc Party remisturados pelos 808 State ou Orbital, e as texturas espaciais e etéreas destes últimos vincam vários momentos do disco - e alguns dos mais inspirados, como a belíssima faixa-título, com cerca de nove minutos quase sempre instrumentais onde os Delphic melhor exploram o seu sentido atmosférico.

 

Mesmo em temas aparentemente mais convencionais, como o single "This Momentary", a banda sabe como fugir à estrutura verso-refrão-verso (sem perder a eficácia pop), propondo um crescendo de intensidade com desfecho anticlimático.

 

 

Também capaz de surpreender, "Red Lights" abandona a meio um refrão contagiante para terminar de forma imprevisível e instrumental. "Remain", menos acelerado, serve um episódio contemplativo com electrónica cristalina.

 

E "Halcyon" instala um frenesim ansioso, com todas as condições para deixar uma pista de dança a gritar "Tell me something I can believe in/ What you say doesn't say that you mean it".

Nada de revolucionário, é certo, mas se todos os discos de estreia mantiverem pelo menos o nível e equilíbrio de "Acolyte", 2010 terá um cardápio musical apetitoso.

 

 

 

Delphic - "This Momentary"

 

Discos dos 00s (10): "Velocifero"

 

Álbum: "Velocifero", 2008

Artista: Ladytron

 

O problema de "Velocifero" é apenas um: o disco anterior. "Witching Hour" (2005) atirou os Ladytron para um patamar de excelência que o seu sucessor nem sempre consegue atingir, mesmo que raramente se aproxime da mediania.

 

Mas quando acerta em cheio - e isso ainda acontece em vários momentos -, volta a mostrar que o quarteto de Liverpool é incomparável numa amálgava com o melhor da synth pop, do shoegaze ou de ambientes góticos e industriais.

 

Ao longo da década passada mais ninguém fez pop electrónica assim, e mesmo fora desses domínios há poucas bandas que se tenham mostrado tão consistentes ao longo de quatro álbuns. E "Velocifero" é facilmente um dos mais sedutores.

 

Mais sobre o disco aqui e abaixo a entrevista a um dos elementos do grupo, Reuben Wu:

 

 

The man who hated phonies

  

 J.D. Salinger (1919 - 2010)

 

Faleceu ontem o autor de "The Catcher in the Rye", livro que apresentou ao mundo Holden Caulfield, um dos adolescentes mais memoráveis da literatura (sobretudo para quem leu o livro no final da adolescência).

 

Sem dúvida o título mais influente do escritor, ofuscou também outras obras que de resto nunca se mostraram tão emblemáticas. Mas a morte de Salinger vem relembrar, pelo menos por aqui, que talvez ainda mereçam ser descobertas. R.I.P.

 

Estreia da semana: "Invictus"

 

Depois de "A Troca" e do excelente "Gran Torino" terem passado pelas salas nacionais no ano passado, Clint Eastwood manteve-se prolífico e o resultado é a estreia de um novo filme já no primeiro mês de 2010.

 

"Invictus" acompanha a fase inicial de Nelson Mandela como presidente da África do Sul, em 1994, em particular a sua ligação (de forte apoio) à selecção de râguebi, que venceria o Campeonato do Mundo no ano seguinte.

 

Resta saber se este drama, protagonizado por Morgan Freeman e Matt Damon, mantém o rigor e sensibilidade do filme anterior ou se cai no tom excessivamente edificante de tantas outras histórias de triunfos sobre a adversidade. A resposta pode ser agora descoberta numa sala de cinema.

 

Outras estreias:

 

"A Bela e o Paparazzo", de António-Pedro Vasconcelos

"Anticristo", de Lars Von Trier

"O Exército do Crime", de Robert Guédiguian

 

 

e-Cinema: Clint Eastwood e o retrato de Nelson Mandela

 

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