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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O som e a fúria (agora mais domesticada)

 

Com 2010 a aproximar-se do final, o segundo álbum dos Crystal Castles, mais uma vez homónimo, mantém o lugar na lista de registos incontornáveis do ano.

Tal como no primeiro, Ethan Kath e Alice Glass propõem um alinhamento feito de contrastes (quase sempre extremos) onde texturas electrónicas tanto envolvem explosões guturais - devidamente ensaidas na estreia - como momentos de uma inesperada introspecção - não necessariamente menos intensos.

 

A voz dela volta a ser cobaia das experiências dele, numa viagem que sobe ao céu (na perfeição etérea de "Celestica") para logo depois descer ao inferno (em "Baptism", que já era uma bomba ao vivo e resulta num dos pilares do disco). E entre pontuais acessos de fúria (no esqueleto punk distorcido de "Doe Deer") não fecha a porta à pista de dança (ouça-se o docinho saltitante "Pap Smear" ou a soberba hipnose fluorescente de "Intimate").

 

Mas Glass não é a única vítima das manipulações de Kath. "Year of Silence", um dos temas mais desconcertantes (e viciantes), sampla "Inní Mér Syngur Vitleysingur", dos Sigúr Ros, e é a melhor canção com a voz de Jonsí em muitos anos. Já "A Walk in the Park", da também nórdica Stina Nordenstam, é exemplarmente retalhada e aproveitada nas brumas asfixiantes de "Violent Dreams" e na propulsão 8-bit de "Vietnam".

 

"Crystal Castles" esconde ainda pérolas como "Suffocation", com uma fragilidade que dificilmente teria lugar no disco anterior, e mesmo que o alinhamento talvez seja demasiado longo não atrapalha o essencial: esta intoxicação sonora mantém-se quase sempre inebriante.

 

 

 

Crystal Castles - "Year of Silence"

 

O novo mundo do primeiro disco

 

As suas canções já passaram por vários palcos desde 2008 e hoje o disco de estreia dos Guta Naki chegou finalmente às lojas. O álbum homónimo do trio lisboeta não trai as boas impressões deixadas ao vivo, aprimorando algumas canções já escutadas nos concertos, e ainda vai bem a tempo de constar entre as melhores surpresas nacionais deste ano.

 

Quase metade do disco pode ouvir-se no myspace da banda e o próximo encontro com os palcos faz-se no MusicBox, em Lisboa, já amanhã (espaço onde o grupo já deixou boas recordações). Além do álbum, os Guta Naki contam com outra novidade: o seu primeiro videoclip. O tema escolhido foi "Novo Mundo" e o resultado fica aqui:

 

  

Tiro ao lado

 

Tem alguma graça ver Helen Mirren a disparar como se não houvesse amanhã. Ou John Malkovich (ainda) mais psicótico do que o habitual. E assim até se aceita que Bruce Willis e Morgan Freeman estejam iguais a si próprios pela enésima vez.

 

Mas mesmo para um filme que não quer ser mais do que simples entretenimento pipoqueiro, "RED - Perigosos" deixa a desejar. As sequências de acção são muitas e as explosões também, já tensão há pouca e o humor nem sempre é tão certeiro como os disparos dos protagonistas. A música estridente que acompanha cada tiroteio não ajuda e, no final, fica um filme que se vê com alguma simpatia (sobretudo pelos actores) e pouco entusiasmo.

 

E é pena, porque a graphic novel de Warren Ellis e Cully Hamner, aqui adaptada por Robert Schwentke, propunha um tom mais inquietante para esta história de agentes da CIA reformados e na lista negra da organização. Ao menos para o elenco a experiência parece ter sido divertida...

 

 

Um final de semana com nuestros hermanos

Fotograma de 'Lúcia e o Sexo', de Julio Medem

 

No post anterior falava-se de cinema e da crise económica. Neste os dois temas voltam a juntar-se numa iniciativa amiga da carteira, já que é de entrada livre.

 

A terceira edição do Ciclo de Cinema Espanhol arranca esta noite no Cinema São Jorge, em Lisboa, e além de ser gratuita tem a seu favor um cartaz apelativo.

 

Até domingo, passam pela sala da Avenida da Liberdade filmes de diferentes épocas e sensibilidades, ou não fosse esta mostra centrada nos contrastes entre a Espanha do passado e do presente.

 

Entre as obras mais antigas inclui-se "Bienvenido Mr. Marshall!", de Luis García Berlanga, o filme de abertura do ciclo. Já as mais recentes, em destaque no fim-de-semana, são quase todas de Julio Medem, mas ainda há espaço para (re)ver o muito recomendável "Mar Adentro", de Alejandro Amenábar, ou o também premiado "Tapas", de Juan Cruz e José Corbacho (inédito em salas nacionais). A programação completa, horários e sinopses podem consultar-se aqui. A espreitar, até porque não se paga mais por isso...

 

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