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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A espiral ascendente

 

Além de ser um belo acompanhamento para as imagens de "A Rede Social", de David Fincher, o conjunto de composições de Trent Reznor e Atticus Ross vale enquanto álbum por si só (e foi, aliás, dos melhores do ano passado).

 

A sua distinção na categoria de Melhor Banda-Sonora, ontem à noite, constou entre as raras surpresas da cerimónia de entrega dos Óscares, numa das escolhas menos conservadoras da Academia.

 

Trent Reznor, que já tinha deixado boas pistas na música para filmes - em "Assassinos Natos" (1994), de Oliver Stone, ou "Estrada Perdida" (1997), de David Lynch -, mostrou-se aqui mais inspirado do que nos últimos discos dos Nine Inch Nails - desde "With Teeth" (2005) que já não fazia nada a este nível.

 

Depois desta distinção (ou da dos Globos de Ouro), a opção por instrumentais (que já eram alguns dos melhores momentos de álbuns como "The Fragile" ou "Still") pode ser um bom caminho a seguir. E se continuar ao lado de Atticus Ross - dos How to Destroy Angels ou dos infelizmente extintos 12 Rounds -, tanto melhor, como se comprova neste videoclip não-oficial:

 

 

 

Estreia da semana: "127 Horas"

 

Danny Boyle tanto acerta ("Trainspotting", "Pequenos Crimes Entre Amigos") como falha ("Vidas Diferentes", "Milhões"). Se o seu filme anterior, "Quem Quer Ser Bilionário?", o mostrava na sua melhor forma, "127 Horas" segue no sentido oposto e é um dos pontos baixos da sua filmografia - talvez mesmo o mais baixo.

 

Esta aventura de um jovem montanhista cujo braço fica preso numa ravina do Utah, inspirada em factos reais, parecia ser um bom desafio para um realizador que tem testado diversos géneros.

Infelizmente, o que tinha potencial para ser um retrato claustrofóbico e intenso de uma experiência-limite vai perdendo força, culminando num final moralista que condena o individualismo do protagonista.

 

Mas mesmo antes de um desenlace histérico e lacrimejante, regado com música dos Sigur Rós, "127 Horas" raramente convence.

Uma situação que pedia um olhar intimista é filmada com excesso de adrenalina, flashbacks à descrição, banda-sonora intrusiva e uma ligeireza que faz equivaler sofrimento a entretenimento - "A Descida", mesmo com criaturas estranhas à mistura, conseguia ser infinitamente mais credível e sufocante ao atirar personagens para debaixo da terra.

 

Salva-se James Franco, cuja dedicação e carisma mereciam um filme à altura. A sua nomeação é, de longe, a mais merecida das seis com que "127 Horas" concorre na corrida aos Óscares.

 

 

Esta semana chegam mais três filmes às salas

 

 

 e-Cinema: Os filmes com mais Óscares

Fundo de catálogo (59): Timbaland/Missy Elliott

 

Nada dura para sempre... Timbaland que o diga, ou não fosse, há cerca de dez anos, um dos nomes mais falados da produção R&B e territórios próximos.

Mas o que então era novidade rapidamente se tornou preguiçoso e rotineiro, e basta ouvir um dos seus discos a solo para o comprovar.

 

Ainda assim, não é preciso procurar muito para encontrar canções do início do milénio que não perderam o brilho do seu toque. O melhor exemplo talvez seja "Get Ur Freak On", single do terceiro álbum de Missy Elliott, "Miss E ...So Addictive" (2001), e de longe o ponto alto não só do alinhamento como, muito provavelmente, de toda a discografia dessa sua colaboradora regular.

 

O ritmo da canção, com tanto de infeccioso como de exótico - nascido de um encontro entre hip-hop e o tempero indiano do bhangra -, é devidamente defendido pela atitude de Missy - que, como sempre, dispara palavras e não faz prisioneiros.

"People gon' play me now/ In and outta town/ 'Cause I'm the best around/ With this crazy style", dizia ela. E não se enganou, porque ouvido hoje, dez anos depois, este single continua fresco e tresloucado como poucos:

 

 

Missy Elliott - "Get Ur Freak On"


Revisitações anteriores

 

Punk para uma nova geração

 

No final dos anos 70, ao lado dos britânicos X-Ray Spex, deixou aquele que é para muitos um clássico do punk, "Germ Free Adolescents" (1978). Agora Poly Styrene regressa, a solo, com o seu segundo álbum em nome próprio, "Generation Indigo".

 

O disco é editado a 28 de Março e, além de (pós-)punk, traz também experiências próximas do ska ou do dub. Ou ainda do rock electrónico, como no primeiro single "Virtual Boyfriend", onde Styrene parte dos relacionamentos online para voltar a fazer o retrato de uma geração:

 

 

Poly Styrene - "Virtual Boyfriend"

 


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