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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Electrónica para dias de trovoada

 

Qualquer semelhança com Fever Ray, Zola Jesus e Florence + the Machine - ou, recuando um pouco mais, Anne Clark ou Kate Bush - não será pura coincidência.

 

Mas a electrónica mais ou menos gótica, mais ou menos dançável de Austra vale a pena por conseguir trazer qualquer coisa a uma combinação que tem tido várias adeptas. Prova disso é "Feel It Break", o primeiro disco da canadiana, que esconde quatro ou cinco grandes canções. Estes dois singles, por exemplo, perfeitos para dias cinzentos como os deste fim-de-semana:

 

 

 

O fim do mundo em cuecas

 

O Gregg Araki de "Kaboom - Alucinação" nem parece o mesmo do brilhante "Mysterious Skin - Pele Misteriosa", que até aqui tinha sido, infelizmente, o seu único filme estreado em Portugal.

 

Se esse título anterior propunha um olhar sério, complexo e inspirado sobre traumas infantis, agora o realizador norte-americano atira-se a um devaneio cheio de estilo e cor sobre... bem, sobre nada em concreto.

 

Entre um cartoon irónico e em imagem real, centrado nas relações (mais sexuais do que emocionais) de estudantes universitários, e teorias da conspiração com sugestões sci-fi - cada vez mais presentes com o decorrer da narrativa -, esta mistura tem tanto de esgrouviada como de intrigante.

 

"Kaboom - Alucinação" não parece querer mais do que divertir o espectador e nesse aspecto não desilude: há aqui uma bela colecção de gags sarcásticos e/ou absurdos, uma energia contagiante e um ritmo bem oleado. E à medida que à acção se desenvolve, dificilmente alguém adivinha onde é que vai parar.

 

Mostra Araki no seu melhor? Nem por isso, mas também não é do pior que já fez (ver "Esplendor") e prova que, depois da maturidade de "Mysterious Skin - Pele Misteriosa", não perdeu o sentido de humor.

 

 

Noite de estreias

 

Foi mais um showcase do que um concerto - 35 minutos souberam a pouco -, mas passando ao lado da curta duração, a estreia de Glasser em Portugal, no Musicbox, em Lisboa, não deixou grandes motivos para reclamações.

 

Com o ainda fresco "Mirrorage" (2010) a preencher todo o alinhamento, o projecto da norte-americana Cameron Mesirow defendeu bem esse primeiro álbum numa actuação que passou por ritmos tribais ("Apply"), dream pop da melhor colheita ("Plane Temp") ou até ocasionais contactos com música oriental ("Glad").

Em vez da dispersão, a mistura de condimentos assegurou um resultado coerente, capaz de lembrar Björk, School of Seven Bells ou Telepathe mas a deixar evidente o recanto seguro - e promissor - de Glasser.

 

Partilhando o palco com um percussionista, que tratou também das texturas electrónicas, Mesirow manteve-se entre o transe e a dança com excentricidade q.b. e uma simpatia tímida. E mostrou ainda, no encore, que a sua voz sobrevive muito bem sem elementos adicionais, num encore onde interpretou, a capella, uma canção tradicional britânica.

 

Já a primeira parte contou, infelizmente, com um tremendo erro de casting. Drawlings, projecto a solo de Abigail Portner, irmã de um elemento dos Animal Collective, moveu-se por alguns ambientes sonoros comparáveis mas sem o mesmo fulgor. A vertente instrumental, pontualmente curiosa, não chegou para compensar a fragilidade da composição e, sobretudo, da interpretação, com uma voz que não aguentou os altos voos a que se propôs. Desafinar parece ter sido o lema da maioria dos temas e, a julgar por esta amostra, seria preferível que Portner se dedicasse apenas à criação de artwork para a banda do irmão.

 

Foto: TBDArts

 

 

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