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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A sedução continua

 

Não tem o sabor electropop dançável dos primeiros tempos da banda nem o sentido de urgência de "Velocifero" (vénia), mas "White Elephant" volta a sugerir que os Ladytron não sabem fazer uma má canção.

 

O tema é o segundo avanço para "Gravity the Seducer", o quinto disco do grupo de Liverpool, e tal como o single anterior, "Ace of Hz", faz crer que esse vai ser o registo mais denso e atmosférico do quarteto (enquanto 9 de Setembro tarda em chegar, fica só mesmo a suspeita, que de resto a banda tem alimentado).

 

"White Elephant", revelado em Maio, não é o avanço mais recente - entretanto já ouvimos também o muito promissor "Ambulances" -, embora conte com um videoclip acabado de estrear. À semelhança da canção, não é das coisas mais veraneantes dos últimos tempos, mas mostra que a imagem dos Ladytron também continua bem tratada (e mais retro do que nunca):

 

 

Fundo de catálogo (69): R.E.M.

 

O novo disco dos R.E.M., "Collapse Into Now", terá os seus momentos (e até nem são assim tão poucos), mas ainda não é o álbum que faz crer num regresso a sério da banda de Athens (que já anda a tardar desde o saudoso "Up", de 1998).

 

Sem acrescentar muito ao universo do grupo, o disco não deixa de contar com algumas particularidades, caso da colaboração com Patti Smith, em "Blue", tema que fecha o alinhamento.

Infelizmente, a canção também confirma que estes não são mesmo os tempos mais inspirados do grupo de Michael Stipe, ficando muito aquém da primeira colaboração com a autora de "Horses": estávamos então em 1996 e o resultado foi "E-Bow the Letter", talvez o momento mais memorável de "New Adventures in Hi-Fi".

 

Tão icónico como o single, o videoclip mostrou-se um acompanhamento visual perfeito - apesar do óbvio baixo orçamento, ou talvez por causa dele. Quinze anos depois, ainda não há assim tantos capazes de tornar o lusco-fusco urbano tão poético e envolvente:

 

Amor a preto e branco

 

É verdade que a maioria das compilações são pouco mais do que saca-euros, e "The Ultimate Collection", a nova reunião de êxitos de Sade, não foge muito à regra. Mas pelo menos esta traz, ainda assim, algum valor acrescentado, contando quatro temas inéditos entre faixas já bem conhecidas.

 

Um deles é "Love is Found", também o mais recente single da artista - e banda - britânica. A canção, inesperadamente agreste vinda de quem vem, mostra por onde os Massive Attack poderiam ter ido no morno "Heligoland" (2010), cruzando uma voz quente com guitarras sinuosas.

 

O videoclip é ainda melhor, já que capta uma actuação com cenografia irrepreensível e conjuga na perfeição cor (ou a falta dela) e movimento. Em tempo de festivais, esta seria uma fortíssima adenda à lista:

 

Masoquista, eu?

Foto @José Sena Goulão/Lusa

 

Arcade Fire no Super Bock Super Rock, o concerto do ano? Os Hercules & Love Affair que me perdoem, mas para já diria que sim.

Na 17ª edição do festival do Meco viu-se, pelo menos, outra grande actuação, em mais um feliz regresso de Lykke Li a Portugal. E até uns Strokes e Portishead alguns furos abaixo do esperado - os primeiros a meio gás, os segundos deslocados - são melhores do que muita coisa.

 

Nota positiva, também, para boas apostas nacionais (X-Wife, PAUS, Noiserv ou The Legendary Tigerman), a confirmar que o melhor do SBSR foi sem dúvida parte do cartaz, porque de resto... do omnipresente pó aos acessos, passando pelas condições do campismo, restauração ou iluminação (em alguns espaços, simplesmente inexistente), tentar fazer um elogio torna-se num desafio hercúleo (e mesmo em relação aos concertos, o som e a visibilidade deixaram a desejar nos do Palco Super Bock).

 

Os Arcade Fire foram muito bons, sim senhor, e ir vê-los até poderia justificar um ou outro sacrifício, mas há diferenças entre um sacrifício pontual e filas e filas de masoquismo festivaleiro. Seja como for, valerá a pena reclamar quando não parecem estar a ouvir-nos?

 

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