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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Para um after hours de confiança

 

Quem procurar um disco que vá da synth pop à EBM, do industrial ao 8-bit ou do electro ao gótico, mais virado para o after hours do que para o horário nobre da festa, tem na estreia dos Trust um ponto de passagem a considerar.

 

A dupla canadiana de Robert Alfons e Maya Postepski (baterista dos Austra) não vai a todas, mas quase - pelo menos quando o assunto é electrónica negra e dançável -, e neste primeiro álbum, "TRST", concentra doses de tensão e energia que não ficam a dever muito a uns Crystal Castles ou aos momentos mais inspirados dos Bondage Fairies ou Fischerspooner.

 

Antes do álbum, editado esta semana, o duo já tinha revelado dois singles igualmente promissores no ano passado. Aqui ficam ambos com os respectivos videoclips - "Candy Walls", canção que se não é perfeita anda lá perto (Interpol meets dream pop?), e a mais cinética "Bulbform", a piscar o olho às pistas (e esta sim, a lembrar os Crystal Castles na produção):

 

Fundo de catálogo (78): Kristin Hersh

 

Ao lado dos recém-regressados Throwing Muses, deixou a sua marca no percurso da 4AD, editora cuja boa reputação ajudou a criar, e por extensão na história do rock alternativo norte-americano, de que foi um dos ícones em finais dos anos 80.

 

Mesmo assim, oito álbuns a solo depois - e mais um com os 50 Foot Wave -, Kristin Hersh tem demostrado que há mais na sua obra do que a criatividade, euforia e excentricidade desses primeiros dias.

 

Após alguns discos em que o rock aguerrido foi cedendo espaço a uma folk nos seus antípodas, "Sky Motel" (1999), o seu quarto álbum, aproximou-a, pelo menos em parte, das canções eléctricas e sensoriais das suas experiências com os Throwing Muses - ambientes que viriam também a marcar o mais cru "Learn to Sing Like a Star", de 2007.

 

As letras, entre o realista e o esquizofrénico, foram aqui um meio para desenhar imagens e não tanto histórias ("White Trash Moon" ou "Cathedral Heat" são temas especialmente visuais) e o segundo single, "A Cleaner Light", canção vertiginosa e viciante, nada ficou a dever a clássicos da 4AD - mas infelizmente passou a leste das atenções. Uma vez que esse tema dificilmente se encontra nas avenidas virtuais, a revisitação ao disco faz-se com "Echo", o primeiro single, que como outros do álbum alterna entre o contemplativo e o frenético:

 

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