
"Old Ideas", o novo álbum de Leonard Cohen

Quem procurar um disco que vá da synth pop à EBM, do industrial ao 8-bit ou do electro ao gótico, mais virado para o after hours do que para o horário nobre da festa, tem na estreia dos Trust um ponto de passagem a considerar.
A dupla canadiana de Robert Alfons e Maya Postepski (baterista dos Austra) não vai a todas, mas quase - pelo menos quando o assunto é electrónica negra e dançável -, e neste primeiro álbum, "TRST", concentra doses de tensão e energia que não ficam a dever muito a uns Crystal Castles ou aos momentos mais inspirados dos Bondage Fairies ou Fischerspooner.
Antes do álbum, editado esta semana, o duo já tinha revelado dois singles igualmente promissores no ano passado. Aqui ficam ambos com os respectivos videoclips - "Candy Walls", canção que se não é perfeita anda lá perto (Interpol meets dream pop?), e a mais cinética "Bulbform", a piscar o olho às pistas (e esta sim, a lembrar os Crystal Castles na produção):

Dead Combo actuaram no Teatro Municipal de Almada

Ao lado dos recém-regressados Throwing Muses, deixou a sua marca no percurso da 4AD, editora cuja boa reputação ajudou a criar, e por extensão na história do rock alternativo norte-americano, de que foi um dos ícones em finais dos anos 80.
Mesmo assim, oito álbuns a solo depois - e mais um com os 50 Foot Wave -, Kristin Hersh tem demostrado que há mais na sua obra do que a criatividade, euforia e excentricidade desses primeiros dias.
Após alguns discos em que o rock aguerrido foi cedendo espaço a uma folk nos seus antípodas, "Sky Motel" (1999), o seu quarto álbum, aproximou-a, pelo menos em parte, das canções eléctricas e sensoriais das suas experiências com os Throwing Muses - ambientes que viriam também a marcar o mais cru "Learn to Sing Like a Star", de 2007.
As letras, entre o realista e o esquizofrénico, foram aqui um meio para desenhar imagens e não tanto histórias ("White Trash Moon" ou "Cathedral Heat" são temas especialmente visuais) e o segundo single, "A Cleaner Light", canção vertiginosa e viciante, nada ficou a dever a clássicos da 4AD - mas infelizmente passou a leste das atenções. Uma vez que esse tema dificilmente se encontra nas avenidas virtuais, a revisitação ao disco faz-se com "Echo", o primeiro single, que como outros do álbum alterna entre o contemplativo e o frenético:

"Reign of Terror", o novo álbum dos Sleigh Bells

Os Crystal Castles têm novo álbum agendado para o Verão - estão a gravá-lo na Polónia -, mas por enquanto continuam a voltar ao anterior.
Fazem bem, porque "Crystal Castles" (2010) mantém-se entre os melhores discos dos últimos anos e tem em "Suffocation" um dos argumentos mais envolventes. A canção é o novo single da dupla canadiana e o videoclip, mais um protagonizado por Alice Glass, foi realizado pelo próprio Ethan Kath em colaboração com a revista de moda VS. Magazine.
"Suffocation" e a sua nova remistura, assinada pelos HEALTH, foram disponibilizadas para download gratuito no site oficial da banda - vale a pena espreitá-lo, já que além destes há mais de vinte temas para descarregar sem pagar um cêntimo.

Ena Pá 2000 actuaram no TMN ao Vivo, em Lisboa

Para quem está cansado de filmes de super-heróis gordos em orçamento e magros em ideias, "Crónica" pode muito bem ser a alternativa ideal. Desde logo porque, embora se centre em três adolescentes que ganham capacidades telecinéticas, a primeira obra de Josh Trank nunca tenta transformar os seus protagonistas em super-heróis.
Estes são miúdos normais, com ou sem superpoderes, mesmo que essa novidade acabe por afectar, inevitavelmente, o seu dia-a-dia. E é no quotidiano juvenil que o realizador norte-americano se mostra mais interessado, seguindo o contraste de personalidades do trio de amigos e a forma como estas determinam o uso das habilidades recém-adquiridas.
Mais do que uma pedrada no charco, "Crónica" é uma variação astuta que sabe combinar heranças da BD - dos comics a manga, dos X-Men a Akira - e as possibilidades do estilo found footage - levando mais além o que se viu, por exemplo, em "Nome de Código: Cloverfield", de Matt Reeves, com a câmara subjectiva a deixar algumas sequências de tirar o fôlego.
No meio das peripécias que vai acumulando, da tensão que constrói e de uma agilidade técnica impressionante (e orgulhosamente low budget), o filme nunca perde de vista o que move os seus protagonistas, sendo até mais arrojado do que o habitual ao aliar uma adolescência atribulada a capacidades que podem reflecti-la de forma devastadora. E consegue-o equilibrando leveza e densidade, escapismo e realismo, códigos e desconstruções, coração e adrenalina. Da amálgama sai uma das melhores (e mais empolgantes) surpresas da temporada.


Entevista a Capitão Pedro, d'Os Capitães da Areia

"Past Life Martyred Saints", de Erika M. Anderson, mais conhecida como EMA, foi um dos bons discos de estreia do ano passado e resultou ainda melhor ao vivo - que o digam os poucos que puderam ouvir as suas canções no concerto no Cinema São Jorge.
O novo single da norte-americana, editado esta semana, sugere que há mais surpresas a caminho. "Take One Two", não incluída no álbum, é uma pequena grande canção e mostra que a inspiração da estreia não foi sorte de principiante. E ainda por cima tem boas intenções, já que a totalidade das verbas da sua venda no iTunes reverte a favor da ONG Jamie Isaacs Foundation, dedicada ao combate ao bullying nos EUA.
O bullying fez, aliás, parte dos dias de adolescente de Erika, em South Dakota. O videoclip do single revisita esses tempos, mas através de episódios mais felizes, partilhando memórias de uma festa com amigos em 1996. Aqui fica ele, directamente da sua cassete VHS:

"Le voyage dans la Lune", o novo disco dos Air

"Paixão", o novo filme de Margarida Gil, não demora muito a coleccionar os maneirismos menos encorajadores de algum cinema português: personagens sem espessura, interpretações teatrais, situações inverosímeis e diálogos que, querendo passar por tiradas eruditas, resultam antes em trivialidades emproadas - e não é pelo facto de os actores as declamarem que ganham densidade (espontaneidade, então, ainda menos).
"Adriana" (2005), o filme anterior da realizadora, até se acompanhava com curiosidade e simpatia, mas esta reflexão sobre o desejo e a obsessão - partindo de uma mulher que aprisiona um homem num quarto - não revela fôlego para uma longa-metragem (os seus modestos 75 minutos acabam por parecer bem mais longos).
O arranque é, ainda assim, promissor, mérito de uma atmosfera com tanto de realista como de simbólica desenhada com alguma energia visual: há por aqui planos muito inspirados e perfeccionistas, capazes de aproveitar ao máximo os espaços, quase sempre de interiores, e a fotografia de Acácio de Almeida, esplêndida, só os valoriza. A narrativa encarrega-se depois de desperdiçar estas qualidades, deixando as personagens (ou cabeças falantes?) a vaguear (no caso da metade masculina do casal, interpretada por Carloto Cotta, a câmara até parece mais deslumbrada com o seu tronco nu do que com o que sente e expressa - se calhar a saga "Twilight" não está assim tão longe).
"Paixão"? Não, nunca a sentimos aqui. Infelizmente, a experiência nem chega a aproximar-se de um flirt...

cinema
música
bd/comics
cultura pop
blogs: cinema
blogs: música
blogs: diversos
- "127 Horas", Danny Boyle
- "A Nossa Vida", Daniele Luchetti
- "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar
- "Amigos Coloridos", Will Gluck
- "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance
- "Cisne Negro", Darren Aronofsky
- "Drive - Risco Duplo", Nicolas Winding Refn
- "Green Hornet", Michel Gondry
- "Gritos 4", Wes Craven
- "Hanna", Joe Wright
- "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2", David Yates
- "Insidioso", James Wan
- "Jane Eyre", Cary Fukunaga
- "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki
- "Melancolia", Lars von Trier
- "O Amor é o Melhor Remédio", Edward Zwick
- "O Código Base", Duncan Jones
- "Os Agentes do Destino", George Nolfi
- "Os Bem-Amados", Christophe Honoré
- "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet
- "Sem Identidade", Pierre Morel
- "Sem Tempo", Andrew Niccol
- "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric
- "X-Men: O Início", Matthew Vaughn
- Beyoncé - "4"
- Britney Spears - "Femme Fatale"
- Cansei de Ser Sexy - "La Liberación"
- Cut Copy - "Zonoscope"
- Digitalism - "I Love You Dude"
- Duran Duran - "All You Need is Now"
- Florence + The Machine - "Ceremonials"
- The Gift - "Explode"
- Jamie Woon - "Mirrorwriting"
- The Kills - "Blood Pressures"
- Lady Gaga - "Born This Way"
- Ladytron - "Gravity the Seducer"
- Lykke Li - "Wounded Rhymes"
- Mesa- "Automático"
- Moby - "Destroyed"
- PJ Harvey - "Let England Shake"
- Poly Styrene - "Generation Indigo"
- R.E.M. - "Collapse into Now"
- The Shoes - "Crack my Bones"
- Smix Smox Smux - "Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas"
- The Strokes - "Angles"