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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Um festival e três trailers

 

O IndieLisboa regressa hoje à capital, onde se mantém até 6 de Maio, e para não variar a programação, além de ecléctica, volta a despertar curiosidade.

 

Este ano, na sua nona edição, o Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa propõe 233 filmes e divide-se pelo Cinema São Jorge, Culturgest e Cinema Londres. É no primeiro destes espaços que "Dark Horse", de Todd Solondz, tem honras de abertura esta noite, às 21h30, mas o novo filme do realizador de "Happiness" nem é, à partida, dos mais sugestivos do cartaz.

 

"Take Shelter", a segunda obra do também norte-americano Jeff Nichols, poderá ser dos pontos altos do festival (não lhe faltam, aliás, elogios internacionais) e tal como o filme antecessor (e promissor), "Histórias de Caçadeira", tem Michael Shannon como protagonista em ambientes da América profunda. Também tem estreia nacional confirmada, mas quem não quiser esperar só precisa de garantir presença na sessão de encerramento do festival, a 6 de Maio na Culturgest. Para já, fica o trailer:

 

 

Com o IndieLisboa regressam as suas secções regulares, quase todas com longas e curtas metragens entre ficção, documentário e territórios de fronteiras menos nítidas: Competição Nacional e Internacional, Observatório, Cinema Emergente, Pulsar do Mundo, Director's Cut, IndieJúnior e IndieMúsica.

 

Apenas uma, Herói Independente, não volta a marcar presença, embora este ano haja uma homenagem ao Festival de Cinema de Viena, com cinco filmes, ou um olhar mais centrado no novo cinema suíço dentro da secção Cinema Emergente. É nesta que podem ver-se novos e antigos filmes de Ursula Meier, quase todos novidades em salas nacionais - a realizadora assinou "Home", com Isabelle Huppert, talvez o seu filme mais emblemático, mas as histórias de adolescentes de "Des épaules solides" ou do recente "L'enfant D'en Haut" não parecem menos intrigantes.

 

Apostas seguras desta secção são "Garçon Stupide" e "Un Autre Homme", ambas de Lionel Baier (já exibidas no QueerLisboa e IndieLisboa, respectivamente) enquanto que "Complices", de Frédéric Mermoud, esta inédita, gera alguma expectativa pelo misto de amor juvenil e investigação policial (e motivou a foto para este post).

 

Mais ao lado, na Áustria, surgiu "Michael", de Markus Schleinzer, que poderá resultar numa das experiências mais fortes do festival - a que não será alheio o facto de abordar o dia-a-dia de um pedófilo. O trailer deixa no ar a suspeita de um filme desconfortável, no bom sentido:

 

 

Da secção Cinema Emergente há, aliás, vários outros filmes de que valerá a pena tomar nota: "Alpis", o novo do grego Yorgos Lanthimos (realizador de "Canino"); "El Estudiante", do argentino Santiago Mitre, ou "17 Raparigas", das francesas Delphine Coulin e Muriel Coulin, são apenas alguns.

 

Já agora, fora desta secção, fica a chamada de atenção para "Wuthering Heights", nova versão do clássico de Emily Brontë assinada pela britânica Andrea Arnold ("Sinal de Alerta", "Aquário"), e para os dramas familiares "Toata Lumea Din Familia Noastra", do romeno Radu Jude, e "De Jueves A Domingo", da chilena Dominga Sotomayor, este último com direito a trailer abaixo. E fica também, claro, aberta a porta para umas quantas surpresas pelo caminho; mas se todas estas apostas se confirmarem, já não é nada mau...

 

Onde está a mente deles?

 

A mente não sabemos, mas os ouvidos dos The Big Pink parecem ter passado por discos dos Jane's Addiction, Prodigy ou The Music (o que confirmaria que alguém ainda se lembra destes) antes da criação de "Lose Your Mind". Ou ainda dos Stone Roses (o verso "I wanna be adored", logo ao início, não deverá ser coincidência).

 

Seja como for, este novo single, ao contrário de outros momentos de "Future This", o segundo disco da dupla londrina, compensa em adrenalina o que não mostra tanto no bilhete de identidade. E a energia cinética aumenta com o videoclip, que acompanha a explosão/implosão/explosão musical e sugere que o tema funciona ainda melhor ao vivo:

 

Fundo de catálogo (81): Fiona Apple

 

Fiona Apple não se contenta com pouco. Sobretudo em relação a títulos de discos, como o comprova o do próximo, para o qual convém ganhar algum fòlego antes de tentarmos dizê-lo: "The Idler Wheel is wiser than the Driver of the Screw, and Whipping Cords will serve you more than Ropes will ever do".

 

Ainda assim, o título deste quarto álbum (agendado, finalmente, para 19 de Junho, sete anos depois do anterior) chega a ser minimalista quando comparado com o do segundo - esse sim, no pódio dos mais longos de sempre:

 

"When the pawn hits the conflicts he thinks like a king

What he knows throws the blows when he goes to the fight

And he'll win the whole thing 'fore he enters the ring

There's no body to batter when your mind is your might

So when you go solo, you hold your own hand

And remember that depth is the greatest of heights

And if you know where you stand, then you know where to land

And if you fall it won't matter, cause you'll know that you're right"

 

Felizmente, "When the Pawn..." (1999), embora possa ter chamado parte das atenções que obteve devido ao título, esteve longe de ter aí o seu maior motivo de interesse. Além de ter superado a promessa da estreia, este continua a ser o melhor conjunto de canções da norte-americana e o que tem mais emoções - nem sempre bonitas - à flor da pele, da faceta espinhosa de "Limp" à grandiosidade de "The Way Things Are", da valsa moderna de "Paper Bag" ("I'm a mess that he don't wanna clean up" está para Fiona Apple como "You know I'm no good" para Amy Winehouse) ao desafio assumido de "Mistake" ("I'm gonna make a mistake/ I'm gonna do it on purpose").

 

O cartão de visita para o disco chegou, contudo, com o swing quebrado de "Fast as You Can", cujo videoclip apresenta Apple a olhar de frente para a câmara - por vezes a preto e branco, por vezes embaciada, quase sempre fixa - do seu namorado de então, Paul Thomas Anderson (no mesmo ano em que realizou "Magnolia"):

 

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