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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

História (e canções) de duas irmãs

 

Há pouco de novo na música das 2:54. Tão pouco que o disco homónimo da irmãs Colette e Hannah Thurlow, editado esta semana, poderia descrever-se (sem grandes desvios) como uma amálgama dos Curve dos primeiros dias com alguns traços dos Belly ou das mais recentes Warpaint.

 

Felizmente, se a identidade do duo irlandês (que cresceu em Bristol) ainda parece estar em construção, as canções são boas e têm o nervo e a densidade que faltaram, por exemplo, ao novo disco dos Garbage (outros parentes próximos). Shoegaze de boa colheita, portanto, em mais uma revisitação que, sem alargar as fronteiras do género, deve resultar em amor à primeira audição (ou, no mínimo, num interesse significativo) junto dos apreciadores. Provas? Os dois singles mais recentes, por exemplo:

 

 

Era uma vez na América

 

No seu segundo filme, "Procurem Abrigo", Jeff Nichols recupera pelo menos dois elementos que se destacaram no primeiro (o muito promissor "Histórias de Caçadeira"): os ambientes da América rural, que o realizador norte-americano continua a filmar como poucos, e Michael Shannon, a oferecer mais uma interpretação de grande fôlego num percurso auspicioso.

 

Mas se esse antecessor era quase sempre seco e directo ao assunto, este novo drama familiar cai em algumas tentativas duvidosas de simbolismo e anda muitas vezes a marcar passo, com uma narrativa de interesse intermitente.

 

Mais esotérico, não deixando de lado o realismo - pense-se em Terrence Malick ou mesmo em M. Night Shyamalan -, "Procurem Abrigo" propõe uma reflexão sobre o medo, a paranóia, a comunidade ou a família, questões abordadas com algumas premissas intrigantes que Nichols não chega, contudo, a desenvolver com a complexidade que mereciam - depois de tantas sequências oníricas, que acabam por perder o efeito, e de uma tensão dramática nem sempre muito subtil, o desenlace poderia, pelo menos, deixar um impacto mais forte e revelador, em vez de optar por uma ambiguidade previsível.

 

O resultado não é, ainda assim, uma perda de tempo, e grande parte do mérito deve atribuir-se à dupla protagonista. Michael Shannon e Jessica Chastain fazem o que podem para disfarçar as fragilidades da narrativa, e fazem muito: o seu drama conjugal deixa uma ressonância bem maior do que a vertente de thriller psicológico apocalíptico (embora derive desta), num dos retratos mais belos e dolorosos do amor (e do casamento, na saúde e na doença) que têm passado pelo grande ecrã. Essa química, nascida de duas interpretações irrepreensíveis, não chega para que "Procurem Abrigo" seja o grande filme que se esperaria, mas é mais do que suficiente para o salvar da desilusão que se insinua em três ou quatro momentos.

 

 

É favor seguir por aqui

 

Ao revisitar o pior dos anos 80, "Perfect World" foi o amargo primeiro single de "A Joyful Noise", o novo álbum dos Gossip. Amargo e algo enganador, porque o quinto disco do trio norte-americano nunca é tão mau como esse tema de avanço.

 

Infelizmente, também nunca chega a ser tão bom como em "Move in the Right Direction", o segundo single, onde o grupo aponta novas direcções que deixa por concretizar ao longo do alinhamento.

 

Longe da raiva de outros tempos, a canção é uma ode ao optimismo recheada de electrónica dançável, com Beth Ditto a ganhar terreno - depois do EP a solo, editado no ano passado - para o lugar de diva entregue à synth pop, à house ou ao electro. O videoclip, fiel a esse espírito hedonista, acompanha com balanço e ideias um tema irresistível:

 

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