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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O fantástico Andrew Garfield

 

Apenas dez anos depois do início da trilogia de Sam Raimi, era mesmo necessário regressar à origem do Homem-Aranha? Nem por isso - ou não, de todo -, sobretudo quando o primeiro filme dessa saga já a tinha contado tão bem. O problema é que o alter ego de Peter Parker é, muito provavelmente, a personagem mais popular da Marvel e o filão dos super-heróis ainda parece ir funcionando no grande ecrã (monetariamente, pelo menos), motivos que terão levado a que "O Fantástico Homem-Aranha" propusesse um recomeço.

 

Admita-se, no entanto, que para um filme desnecessário o resultado poderia ter sido bem pior. Marc Webb, que assina aqui a sua segunda longa-metragem depois do simpático "(500) Days of Summer", dá um tom mais leve e juvenil à saga sem a tornar oca ou infantilizada: ao contrário de outras adaptações dos comics, a essência da personagem mantém-se e o Homem-Aranha continua a ser protagonista de um blockbuster com coração.

 

Andrew Garfield ajuda bastante, confirmando-se como uma escolha certeira para um Peter Parker mais novo (aqui ainda nos tempos do liceu, como no arranque da BD) e um Homem-Aranha mais espevitado e tagarela (no capítulo do número de piadas por cena de pancadaria, o filme até sai a ganhar aos de Raimi). Quando tira a máscara, faz faísca com Emma Stone, uma Gwen Stacy com mais atitude do que a Mary Jane de Kirsten Dunst, e nem algumas opções discutíveis (como o skate sempre debaixo do braço) lhe retiram o lado nerd do Peter Parker que conhecemos.

 

Se a narrativa conta com ligeiras variações, a nível técnico o filme não tem o efeito surpresa dos da saga anterior, mas não é por isso que as sequências em que o Homem-Aranha saltita entre os prédios de Nova Iorque deixam de impressionar. Felizmente, essas ideias visuais, além de inspiradas q.b., nunca se sobrepõem ao principal: uma mistura convidativa de drama, comédia, romance e acção, ingredientes geridos de forma escorreita por Webb e defendidos por um actor que faz, apesar da relutância inicial, dar o voto de confiança ao desenrolar desta nova teia.

 

 

40 de 2012

Meados de Julho é tempo de ir a banhos, mas também - porque não? - de fazer o balanço do que o ano nos deu até agora em filmes e discos, passados quase sete meses.

 

Com muitas falhas por colmatar - até finais de Dezembro, espera-se -, aqui fica uma lista de dez filmes estreados por cá, vinte discos (dez portugueses e dez estrangeiros) e dez canções que estão entre o melhor que se espreitou e escutou - opinião pessoal e transmissível, e por isso igualmente refutável, lá está. Seja como for, o top 40, até agora, é este:

 

10 filmes

 

 

1 - "Crónica", Josh Trank

2 - "ETs In Da Bairro", Joe Cornish

3 - "O Nosso Paraíso", Gaël Morel

4 - "Margin Call - O Dia Antes do Fim", J.C. Chandor

5 - "Os Vingadores", Joss Whedon

6 - "Os Descendentes", Alexander Payne

7 - "E Agora, Onde Vamos?", Nadine Labaki

8 - "Moonrise Kingdom", Wes Anderson

9 - "J. Edgar", Clint Eastwood

10 - "Procurem Abrigo", Jeff Nichols

 

10 discos internacionais

 

 

1 - "Wonky", Orbital

2 - "Master of My Make-Believe", Santigold

3 - "Light Asylum", Light Asylum

4 - "Little Broken Hearts", Norah Jones

5 - "Un pokito de rocanrol", Bebe

6 - "TRST", Trust

7 - "Ghostory", School of Seven Bells

8 - "Old Ideas", Leonard Cohen

9 - "Reign of Terror", Sleigh Bells

10 - "Aloha Moon", Magic Wands

 

10 discos nacionais

 

 

1 - "Doce Lar", Virgem Suta

2 - "Não se Deitam Comigo Corações Obedientes", A Naifa

3 - "Seasons: Rising", David Fonseca

4 - "L'Art Brut", Wraygunn

5 - "Roque Popular", Diabo na Cruz

6 - "Capicua", Capicua

7 - "AC Para os Amigos", Boss AC

8 - "Salto", Salto

9 - "Orelha Negra", Orelha Negra

10 - "Estrada de Palha", The Legendary Tigerman + Rita Redshoes

 

10 canções (sem ordem em especial)

 

 

"Pair of Wings", Frankie Rose

"Sugar", Garbage

"Oro y Sangre", John Talabot

"National Anthem", Lana Del Rey

"Falling Free", Madonna

"Dreams So Real", Metric

"Émulos", A Naifa

"Straight Sun", Orbital

"Disparate Youth", Santigold

"When You Sing", School of Seven Bells

 

Um hino para melómanos

 

"Words and Music by Saint Etienne", o novo álbum dos Saint Etienne, é uma carta de amor à música popular e tem em "I've Got Your Music" um dos momentos que melhor o expressam.

 

Neste novo single dos britânicos, Sarah Cracknell garante-nos que não vai a lado nenhum sem levar os phones atrás, chama Tim Powell (ex-Xenomania) ou Richard X para a composição e produção e dá voz a uma das canções mais dançáveis do disco - a lembrar Kylie Minogue num dia inspirado.

 

O videoclip reflecte a paixão evidente na letra e reúne imagens de fãs do grupo acompanhados dos seus álbuns favoritos, numa boa ilustração do conceito (e de um dos grandes singles deste Verão):

 

Alive and kickin'

Katy B no Palco Heineken. Foto @Ruben Viegas/Everything is New

 

Quase quatro da manhã. Um Palco Heineken a rebentar pelas costuras (e uma área de restauração, à volta, não menos lotada). Uma actuação dos Metronomy que faz dançar com um desfile de doces synthpop. Belo programa para uma sexta à noite, não? Ou um sábado, talvez. O que ninguém imaginaria era este cenário num domingo, mas quem esteve neste fim de semana no Optimus Alive confirmou que, às vezes, o improvável acontece.

 

Se o que se pretendia num festival era, precisamente, um ambiente de festival a sério (coisa que nem sempre se encontra num Verão onde crescem como cogumelos), o do Passeio Marítimo de Algés ofereceu isso mesmo, numa versão ainda mais concorrida do que a de anos anteriores. Para o melhor, como num after hours como este, que além de portugueses chamou nuestros hermanos e muitos turistas de terras de sua majestade (afinal, o público para ver Stone Roses em 2012 tem de vir de algum lado), noutros casos para o pior, como no concerto dos Radiohead. A precisão, arrojo e intimismo da banda de Thom Yorke merecem respeito, mas os muitos fãs(?) nem sempre o demonstraram, pelo menos a vários metros de distância do palco, onde a prioridade parecia ser beber copos, gargalhar ou gritar, ritual ocasionalmente interrompido (ora bolas) pelos escassos hits que o grupo lá foi deixando.

 

De certo modo, até se compreende: os dois ecrãs gigantes pouco ou nada ajudavam quem queria ver o que se passava no palco (um com um plano geral, logo inútil, outro dividido em seis partes com planos de pormenor, não muito melhor), tornando frustrante um concerto que, apesar da frieza (esperada), teve muito para apreciar (uma mão cheia de grandes canções, essencialmente, como na sequência perfeita de "Pyramid Song", "I Might Be Wrong", "Climbing Up the Walls", "Nude" e "Exit Music (for a Film)").

 

Felizmente, a postura cerebral e distante dos Radiohead deu lugar ao rock ultra-físico dos The Kills, umas horas depois, com a perfeição a insinuar-se em "Last Day of Magic" ou "Tape Song". "The Last Goodbye", autêntica cereja em cima do bolo, conseguiu ir mais longe, mostrando as lágrimas de uma Alison Mosshart estupefacta com a entrega do público - depois de dedicar o tema a um fã desmaiado que insistiu em ajudar. Além de comovente, foi o maior momento de antologia do festival, a mostrar aos cabeças de cartaz da noite que um concerto é (ou deve ser) mais do que uma sucessão de canções (mesmo que algumas sejam muito boas).

 

Também em forma, e no Palco Heineken, Santigold foi outra que deixou saudades com uma simpatia contagiante e música à altura - que volte mais vezes, e já agora em nome próprio, porque o novo álbum merecia mais tempo de antena. Com um disco mais antigo, mas ainda fresco, Katy B não esteve pior numa das grandes surpresas (parciais, vá) da sexta edição do festival. Death in Vegas ou Caribou, entre a abstracção e o êxtase, também marcaram pontos, enquanto que Zola Jesus não aqueceu nem arrefeceu, os Morcheeba cumpriram sem grande alarido ("Não conhecemos nenhuma canção da Florence, por isso vamos tocar esta cover que ela canta" teve a sua piada) e a electrónica pica-miolo dos Justice perdeu a (pouca) graça ao fim de quinze minutos (idem para o aparato visual). Mas concertos mais mortiços há sempre e o festival, no geral, esteve bem vivo. Os fãs de Radiohead, que (quase) nunca se enganam, não me deixam mentir:

 

Foto (do concerto de Katy B) @Ruben Viegas/Everything is New

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