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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

45 de 2012

2013 está quase aí mas ainda há tempo de recordar o melhor que 2012 nos deixou. Ou parte do melhor, porque como em qualquer ano, só depois de 31 de Dezembro é que nos cruzamos com algumas das maiores surpresas.

 

Se em relação aos discos ouvi quase tudo o que me interessava à partida, no caso da música em palco houve muita coisa que me passou ao lado - daí a lista de concertos ter apenas cinco escolhas. No cinema também ficou muito por ver, como "Oslo, 31 de Agosto", "Attenberg" ou "Michael", que não consegui apanhar em sala, ou ainda "Amor", que ainda espero ir a tempo de ver - destaco sobretudo estes porque desconfio que poderiam estar na lista dos dez melhores filmes. Por outro lado, "Weekend" ficou de fora por não ter tido estreia comercial, apesar de ter sido uma das boas apostas do Queer Lisboa.

 

Como tem sido hábito nos últimos anos, o balanço musical faz-se com vários álbuns aconselháveis mas com (muito) poucos que se aproximam da excelência, e por isso os últimos lugares da lista também poderiam ser ocupados pelos discos dos School of Seven Bells, Leonard Cohen, The Irrepressibles, Magic Wands, Grimes ou Chairlift, entre mais alguns. Ou pelo de Lana Del Rey, caso "Born To Die" fosse antes a soma de "Lana Del Rey EP" e "Paradise" (EPs bem melhores do que um álbum que ficou entre as semi-desilusões do ano, ao lado dos regressos de Madonna, Garbage, The Presets ou Bloc Party).

 

Feitas as devidas ressalvas, os 45 de 2012 que vale a pena recordar - por agora - são estes:

 

10 filmes

 

 

1 - "Neds - Jovens Delinquentes", Peter Mullan
2 - "Crónica", Josh Trank
3 - "ETs In Da Bairro", Joe Cornish
4 - "As Vantagens de Ser Invisível", Stephen Chbosky
5 - "Looper - Reflexo Assassino", Rian Johnson
6 - "O Nosso Paraíso", Gaël Morel
7 - "Margin Call - O Dia Antes do Fim", J.C. Chandor
8 - "Os Vingadores", Joss Whedon
9 - "O Fantástico Homem-Aranha", Marc Webb
10 - "Ted", Seth McFarlane

10 discos internacionais

 

 

1 - "(III)", Crystal Castles
2 - "Wonky", Orbital
3 - "Master of My Make-Believe", Santigold
4 - "Little Broken Hearts", Norah Jones
5 - "Light Asylum", Light Asylum
6 - "TRST", Trust
7 - "Un pokito de rocanrol", Bebe
8 - "Coexist", The xx
9 - "Reign of Terror", Sleigh Bells
10 - "ƒIN", John Talabot

 

10 discos nacionais

 

 

1 - "não se deitam comigo corações obedientes", A Naifa
2 - "Doce Lar", Virgem Suta
3 - "Seasons: Rising", David Fonseca
4 - "Capicua", Capicua
5 - "Regresso ao Futuro", Mind Da Gap
6 - "10 anos Bodyspace", Vários
7 - "L'Art Brut", Wraygunn
8 - "Olympia", Minta & The Brook Trout
9 - "Life in Loops", DJ Ride
10 - "Rapressão", Chullage

 

10 canções (sem ordem de preferência)

 

 

"Disparate Youth", Santigold
"Slow Learner", Telepathe
"Surrender", The Presets
"National Anthem", Lana Del Rey
"Émulos", A Naifa
"Falling Free", Madonna
"Pair of Wings", Frankie Rose
"Sugar", Garbage
"Oro y Sangre", John Talabot
"Dreams So Real", Metric

 

5 concertos

 

 

1 - Katy B no Optimus Alive
2 - Scissor Sisters no Cascais Music Festival
3 - WhoMadeWho no Jameson Urban Routes
4 - Santigold no Optimus Alive
5 - The Kills no Optimus Alive

 

Fundo de catálogo (90): L7

 

Se há bandas que podem ser acusadas de fazer sempre o mesmo disco, as L7 estarão nos primeiros lugares da fila - tal como alguns dos seus ídolos, dos Ramones aos AC/DC. Não que haja algum problema com isso, até porque que a discografia do quarteto de Los Angeles disparou, sobretudo nas primeiras edições, uma mistura de punk, grunge e metal que, mesmo sem grandes variações, era bem mais efervescente do que muito rock nascido nos últimos anos.

 

"Smell the Magic" (1991), o segundo álbum da banda de Donita Sparks, Jennifer Finch, Suzi Gardner e Demetra Plakas - e o primeiro e último com o selo da Sub Pop, então em alta -, é um dos melhores exemplos dessa química em estado bruto. Além de ter sido determinante para que as L7 fossem associadas à cena riot grrrl (rótulo que rejeitaram, apesar de partilharem alguns ideais feministas), o disco abriu caminho para a popularidade que seria consumada no registo sucessor, "Bricks Are Heavy" (1992), casa de hits como "Pretend We're Dead" ou "Shitlist".

 

Antes desses singles, o grupo já causava estragos com "Fast and Frightening", um dos temas mais populares de "Smell the Magic", que também contou com a benção da MTV. O videoclip pode (re)ver-se abaixo, juntamente com outros dois pontos altos desse disco: "Shove", numa versão ao vivo interrompida pela invasão de palco de um fã (faz parte...), e a versão de estúdio de "Broomstick", com um braço de ferro entre a voz gutural de Suzi Gardner e uma respeitável artilharia de riffs:

 

Natasha e os outros

 

Entre uma eventual selecção das melhores capas de discos de 2012 dificilmente poderá faltar a de "The Haunted Man", o terceiro álbum de Bat for Lashes. Confesso que até aderi mais à capa do que ao disco, que não me pareceu manter o mesmo mistério e surpresa e soa, por isso, ao menos essencial de Natasha Khan até agora.

 

Mas o facto de poder estar uns furos abaixo dos antecessores não impede que ainda esteja bem acima de muito do que se ouviu este ano, o que o leva a ser um dos títulos em destaque na lista de melhores discos internacionais do SAPO Música, para a qual contribuo. Além dessa, o balanço inclui os melhores discos nacionais e uma lista alternativa, com as escolhas de músicos portugueses que regressaram (ou que se estrearam) em 2012. Fica a sugestão enquanto uma lista mais completa e pessoal (é tempo delas, nada a fazer) não surge aqui no blog para fechar a temporada...

 

Os invisíveis (também) precisam de amigos

 

"As Vantagens de Ser Invisível" chegou às salas de forma tão discreta como a postura do seu protagonista, mas é bem capaz de ser a surpresa indie do ano. Sim, o cinema independente norte-americano já viu melhores dias e a estreia na realização de Stephen Chbosky (que escreveu, em 1999, o livro homónimo que agora adapta) não é a salvação de coisa nenhuma. Não há, neste drama adolescente que acompanha três estudantes do liceu, grandes ousadias formais a registar e o seu relato coming of age está longe de ser um prodígio de originalidade.

 

Nada disso impede, contudo, que "As Vantagens de Ser Invisível" seja um pequeno grande filme com um coração enorme, força que transparece tanto no argumento como no óbvio carinho que o realizador tem pelas suas personagens. Os actores seguem o seu exemplo: Emma Watson e Ezra Miller voltam a provar, para quem ainda não estivesse convencido, que são dois dos actores mais promissores da sua geração enquanto acolhem nesse núcleo o menos mediático (para já) Logan Lerman, que dá alma, complexidade e vulnerabilidade à personagem mais "invisível" junto dos que que a rodeiam (e que Chbosky apresenta, com outro olhar, ao espectador).

 

Não faltam, no cinema e na televisão, retratos do que sente e vive quem tem 15 ou 16 anos, embora haja poucos que o façam com a dedicação e sensibilidade de que "As Vantagens de Ser Invisível" nunca abdica. Das inseguranças à euforia, da rebeldia à solidão, passando pela descoberta, não está lá tudo (porque nunca está), mas está muito. Está um dos primeiros beijos mais mágicos vistos no grande ecrã nos últimos tempos, por exemplo, ou uma reviravolta capaz de mudar o tom com uma violência emocional inesperada (obrigando-nos a reavaliar o que ficou para trás) sem trair as personagens ou o espectador. E isso faz com que se desculpem os clichés ou a excessiva ingenuidade que o filme, apesar de tudo, também tem. Ainda há paciência para mais um filme indie que volta a juntar os Smiths às dores da adolescência? Se for o preço a pagar por uma obra tão empática e sincera como "As Vantagens de Ser Invisível", é um sacrifício mais do que justo (sobretudo se o cinismo ficar à porta da sala).

 

 

Uma noite com tudo o que o céu permite

 

Em tempo de balanços, vale a pena recordar uma das estreias do ano que, infelizmente, ainda não parece ter intenções de se estrear em palcos nacionais.

Fiquemos-nos então pelo disco, "TRST", que revelou os canadianos Trust como uma aposta a ter em conta dentro da electrónica mais crepuscular. Tão crepuscular que o videoclip do novo single, "Heaven", propõe um passeio por ambientes pré/durante/pós-festa de fim de semana (não necessariamente por esta ordem), acompanhando o percurso do vocalista e mentor do projecto, Robert Alfons. Não tem a pujança do single anterior, "Dressed for Space", mas é uma boa canção para amaciar os efeitos de noites como a do videoclip:

 

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