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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Este cão entra na discoteca

 

Embora coloque uma pergunta, "Do You Feel What I Feel" é quase uma resposta da geração Lady Gaga ao clássico "I Feel Love", de Giorgio Moroder e Donna Summer, mas com electro em vez de italo disco.

O novo single de Rex the Dog - que é como quem diz, o projecto do produtor britânico Jake Williams e... do seu cão - já não pode ter a diva disco, por isso convoca o falsete de Jamie McDermott, dos The Irrepressibles, aqui em modo mais festivo do que nas canções pesarosas da banda de "Nude" e a repetir, entre rodopios electrónicos, o título do tema.

 

O videoclip, estreado hoje, não tem cães mas recruta três figuras louras (e andróginas, a lembrar uma certa cantora pop referida acima) entretidas com banhos de sangue e coreografias mecânicas, num bom aperitivo para o EP que chega em Maio:

 

Um dia com 40 anos

 

David Bowie anda um dia para a frente e quatro décadas para trás. Mais do que um virar de página, "The Next Day" é uma recapitulação cujo maior trunfo é a questão que deixa: será este regresso um epílogo do que já ouvimos ou um prólogo do que ainda está para chegar? De qualquer forma, não é um mau regresso, mesmo que estas canções fiquem aquém do entusiasmo generalizado, como escrevo neste artigo do SAPO Música.

 

Os formidáveis anos 90 (mais uma vez)

 

Embora só tenham editado o álbum de estreia há um par de anos, os Joy Formidable não destoariam no mapa musical da década de 90. "Wolf’s Law", o segundo disco do trio britânico, editado em Janeiro, é prova disso mesmo, e "Little Blimp", o novo single, um dos temas mais flagrantes.

O contraste entre sussurros e desvarios de guitarras efervescentes também tem sido recuperado por bandas como os Blood Red Shoes ou os Metric, mas parece haver espaço para mais. Sobretudo no palco, o contexto mais favorável para canções assim, como o simples mas eficaz videoclip dá a entender. Para ouvir mais, basta passar pelo SoundCloud do grupo, que disponibiliza o novo álbum para audição gratuita.

 

 

Cenas da vida conjugal

 

"Aguenta-te aos 40!" arrisca-se a ser tão saturante para quem o vê como para o casal que o protagoniza - e que, a partir de certa altura, parece estar sempre a um passo do divórcio. Mas da mesma forma que Paul Rudd e Leslie Mann acabam por ir encontrando algum conforto e redescobrindo alguma cumplicidade no meio do caos do seu dia-a-dia, também Judd Apatow vai ganhando os espectadores que não associem, necessariamente, uma comédia a boa disposição com fartura. Pelo contrário: tal como o anterior "Funny People" (infelizmente sem direito a estreia nacional), o quarto filme do realizador de "Virgem aos Quarenta Anos" e "Um Azar do Caraças" pode ser bastante feio, incomodativo, constrangedor e desnorteante, e por isso mais arriscado - e interessante - do que o par de comédias simpáticas que lhe abriram caminho depois de "Freaks and Geeks" (ainda o seu ponto alto, ainda a reforçar que a sua linguagem nunca sobreviveu muito bem fora do pequeno ecrã).

 

Ao longo de mais de duas horas, "Aguenta-te aos 40!" atira-nos para uma montanha-russa de ideias e situações, algumas originais, outras batidas (e até lamentáveis), em que a imaturidade e o envelhecimento estão quase sempre em jogo - e são geralmente compatíveis. A duração é excessiva, tendo em conta que o argumento nunca chega a mostrar grande consistência, mas Apatow quer tanto abraçar todas as personagens que acaba por sacrificar qualquer tentativa de economia narrativa. O sacrifício justifica-se quando os secundários são habitualmente bem escritos e interpretados por nomes novos e antigos da comédia norte-americana - Albert Brooks, Jason Segel, John Lithgow, Chris O'Dowd, Megan Fox ou Lena Dunham agradecem; já as personagens de Melissa McCarthy e Charlyne Yi, transformadas em sacos de pancada, nem por isso. E depois há uma mão cheia de bons gags e observações sobre a cultura pop que vão acompanhando e complementando o retrato conjugal e familiar, desde discussões em torno dos méritos dos Pixies ou de Lady Gaga, de "Mad Men" ou de "Perdidos", à cereja em cima do bolo num final consensual com Ryan Adams ao vivo, despedida perfeita para um filme que respira - e observa - imperfeições.

 

 

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