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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O romance-chiclete de Charli XCX

 

Entre synth pop garrida, maquilhagem gótica e flirts R&B, "True Romance", o primeiro álbum de Charli XCX, é uma ode ao amor que não ignora as zonas de sombra das paixões adolescentes. A cantora e compositora britânica, jovem adulta, candidata-se a jovem estrela com um disco desavergonhadamente lustroso e cheio de melodias em ponto de rebuçado. Escrevi sobre ele (e, como pode perceber-se, recomendo-o) neste artigo do SAPO Música.

 

Quem (não) é Josef Salvat?

 

Há três meses, o Guardian perguntava se Josef Salvat, cujo single "This Life" alimentou alguma expectativa em certas praças virtuais, seria uma mistura de Lana Del Rey e Morrissey ou o Gotye deste ano. Há poucos dias, a segunda canção revelada por este australiano radicado em Londres veio sugerir que uma das promessas de 2013 não é nem uma coisa nem outra - e é especialmente tranquilizador que não seja a segunda -, até porque a lista de influências assumidas inclui gente tão díspar como Jacques Brel, Nina Simone ou o recente Mykki Blanco.

 

"Hustler", tema mais arejado e menos épico do que o seu antecessor, vira-se antes para um novo R&B regado pelo piano, percussão, adornos electrónicos e um oportuno estalar de dedos, mesmo não deixando de lado a vertente de torch song meditativa e elegante. A elegância vinca também o videoclip, com tanto de luxuriante como de sóbrio, num todo mais sugestivo do que o single de apresentação. Insistindo nas comparações (valem o que valem), soa ao que poderia resultar de uma colaboração feliz entre James Blake e os Rhye, com a vantagem de ser menos aborrecido do que essas coqueluches do momento. A ouvir e acompanhar:

 

 

Fundo de catálogo (94): Sonic Youth

 

"A Thousand Leaves" (1998) não costuma ser dos álbuns mais celebrados dos Sonic Youth, mas "Sunday", o seu único single, é um episódio a ter em conta ao recordarmos o percurso dos nova-iorquinos. Talvez não tanto o percurso musical - embora "Sunday" seja uma óptima canção, um grower que dificilmente se gasta -, mas pelo menos o visual, muito por culpa de um videoclip que juntou um trio improvável (mesmo vindo de um grupo fértil em episódios improváveis): os próprios Sonic Youth, Harmony Korine, o realizador do vídeo, e Macaulay Culkin, criança prodígio tornada enfant terrible (e a vincar aqui um momento de transição na imagem).

 

Entre cenas de Thurston Moore ao lado do actor em estúdio e outras com uma jovem - e concentrada - bailarina (e depois algumas colegas), contando ainda com aparições de Rachel Miner (actriz então casada com Culkin), o videoclip alterna momentos acelerados e em slow motion, planos fixos e epilépticos e alia espontaneidade e estranheza (esta servida, sobretudo, pelo último grande plano da estrela de "Sozinho em Casa"). A milhas, portanto, dos tons garridos e faustosos com que Korine condimenta o recente "Viagem de Finalistas" (ou melhor, "Spring Breakers", que a tradução não ajuda), mas também igualmente distante, lá está, dos adolescentes representados hoje pela MTV.

 

Em finais dos anos 90, "Sunday" tinha presença assídua no saudoso "Alternative Nation" e se o canal já se esqueceu de programas como esse, Macaulay Culkin ainda mantém o gosto por rock pouco domesticado - ultimamente tem partilhado o palco com Adam Green & Binki Shapiro e dividido o apartamento com Pete Doherty. E por falar em adolescentes e na década de 90, "Sunday" também fez parte (numa versão diferente) da banda sonora de "SubUrbia" (1996), um dos melhores (e mais esquecidos) filmes de Richard Linklater, centrado num grupo de jovens dos subúrbios - daqueles que iriam, provavelmente, ficar intrigados com um videoclip e canção assim:

 

Popzinha descarada, mas não tonta

 

Tinha tudo para correr mal: uma baladinha desenhada a regra e esquadro, a fazer mira às rádios generalistas, onde nem sequer falta o piano a pontuar a crónica de um coração partido e obcecado. E no entanto, "I Was a Fool", o novo single de Tegan and Sara, mostra que a quase infalível sensibilidade pop das manas Quinn, agora menos indie do que noutros tempos, deixa as canadianas à frente no campeonato melindroso das Corrs, Lady Antebellum e afins. A canção, uma das mais sossegadas do habitualmente dançável "Heartthrob", o sétimo álbum da dupla, também funciona num formato electrónico - vale a pena ouvir a remistura de Matthew Dear -, mas a simplicidade do original torna-o mais directo e orelhudo. O videoclip, fiel à letra, acompanha o final de um romance adolescente e ajudará a fisgar mais alguns ouvidos:

 

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