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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Cerebrais, mas dançáveis

 

Ora aqui está uma bela surpresa. Quem esperava dos Maxïmo Park mais uma descarga de rock com alma pós-punk, receita dos quatro álbuns dos britânicos, pode começar a mudar de ideias. Ou pelo menos é isso que o novo single do quinteto dá a entender, ao trocar as guitarras por sintetizadores e tornar a banda quase irreconhecível. Quase, porque continuam por aqui a voz e as letras de Paul Smith, entre a melancolia e o desespero, agora embrulhadas numa atmosfera mais dançável - nem que seja para dançar em casa, como no videoclip.

 

"Brain Cells" é a primeira amostra de "Too Much Information", o quinto disco dos Maxïmo Park, com edição prevista para 3 de Fevereiro. A canção foi produzida por Dave Okumu (colaborador de Jessie Ware em "Devotion") e o seu envolvimento noutros temas do álbum sugere que a viragem sonora não vai ficar por aqui - David e Peter Brewis, dos Field Music, compõem a ficha técnica. Para já, a curiosidade fica deviamente atiçada:

 

A hora da loba

 

Não serão exactamente a next big thing britânica - nem sequer parecem querer candidatar-se ao título -, mas os Wolf Alice têm vindo a deixar, pouco a pouco, boas canções pelo caminho. O caso mais recente é "Blush EP", editado há poucos dias, novo capítulo de um percurso iniciado em 2010 e ainda à espera de consolidar a personalidade.

 

Para já, o quarteto londrino entusiasma tanto nas incursões folk como na mais habitual mistura de indie rock, resquícios grunge e electrónica discreta. A voz expressiva de Ellie Roswell acompanha a versatilidade e as canções quase podiam ter B.I. dos anos 90 (Belly, Elastica e Furslide vêm à memória, assim como os mais recentes Howling Bells, We Start Fires ou Blood Red Shoes), não fosse o caso da atmosfera mais esparsa das últimas canções, a sugerir audições dos The xx.

 

"Blush EP" está disponível para audição gratuita, na íntegra, no Souncloud da banda, mas os Wolf Alice também sabem como trabalhar a imagem - com um despojamento e elegância à medida da música -, por isso convém espreitar os videoclips. "She" e "Blush" (grande canção) contam partes diferentes de uma história de (des)orientação sexual e emocional, a mais antiga "Fluffy" mostra uma aspereza a contradizer o título e "White Leather", ao vivo, leva a crer que Ellie Roswell também teria futuro como cantautora em nome próprio:

 

 

Por um mundo melhor (este e o outro)

 

Arcade Fire no Rock in Rio? A notícia quase parou o coração de uma imensa minoria, que não demorou muito a demonstrar a sua indignação na rede social mais próxima. Mas para quem não quer ver uma das bandas do momento confinada a uma cave e à disposição de meia dúzia de ilustres, essa confirmação faz todo o sentido. E mais sentido fará, quase de certeza, uma canção como "Afterlife" gritada a plenos pulmões por milhares a céu aberto. "Scream and shout", nem mais.

 

O novo single dos canadianos - e o melhor hino de "Reflektor" - já contava com um dos videoclips mais surpreendentes do ano, a mudar as regras do formato - filmado por Spike Jonze, em directo, nos Youtube Awards. A banda nem precisava de outro, mas ainda bem que há novas imagens para acompanhar a música. Em sete minutos e pouco, o vídeo de Emily Kai Bock diz mais do que a maioria dos filmes com direito a estreia em sala, em especial a quem já passou por uma situação semelhante à retratada. E não serão assim tão poucos, porque não há muitas coisas mais universais do que o amor e a morte. Obrigado, Arcade Fire, vemo-nos na Cidade do Rock:

 

 

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