Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A dança macabra tem mais passos

 

Dos The Faint pouco se ouviu falar depois de um "Fasciinatiion" (2008) não muito fascinante, que raramente mantinha a garra tão bem demonstrada em "Danse Macabre" (2001). Mais de dez anos passados desde esse terceiro álbum emblemático, que os colocou no mapa do revivalismo pós-punk de inícios do milénio, os norte-americanos estão de volta com novo disco, o sexto, finalmente capaz de recuperar uma urgência quase dada como perdida.

 

Não que o som surpreenda muito. "Doom Abuse" mostra uma banda igual a si própria, pouco interessada em reinvenções, embora com uma convicção surpreendente quando se atira a um rock electrónico com laivos new wave ou industriais, referências de canções directas, aceleradas e fulminantes.

O resultado tanto convida a uma audição dupla ao lado do novo dos Liars - mesmo que "Mess" seja menos imediato - como lembra a vertente mais explosiva dos Primal Scream ou os esquecidos Deadsy - e deriva, como estes, das atmosferas sintéticas desbravadas por Gary Numan há três décadas. Entre os maiores concentrados de alta voltagem estão temas como "Animal Needs", "Scapegoat", "Your Stranger" ou o novo single, "Evil Voices", com videoclip à medida do frenesim:

 

 

A vida deles

 

"Anni Felici" fecha a trilogia de Daniele Luchetti dedicada à família depois de "O Meu Irmão é Filho Único" (2007) e "A Nossa Vida" (2010). Infelizmente, não a encerra da forma mais entusiasmante, sobretudo quando o primeiro filme era tão promissor e o segundo, que repescou Elio Germano e lhe deu um papel ainda mais forte, estará entre os dramas obrigatórios dos últimos anos.

 

Em vez da relação cada vez mais distante entre dois irmãos ou do quotidiano difícil de um jovem pai viúvo, aqui o realizador italiano acompanha um casal e os seus dois filhos em meados dos anos 70. Mas não é um casal qualquer, já que Luchetti tem apontado "Anni Felici" como o filme mais autobiográfico da trilogia e admite que a personagem do filho mais velho, cuja paixão pelo cinema se intensifica durante umas férias de Verão, é directamente inspirada nas suas experiências durante a infância (e até narra o filme em off).

 

Esta partilha de memórias, mais ou menos ficcionadas, fica no entanto aquém do que se esperava quando a combinação de drama e comédia é mais atabalhoada do que certeira, nunca se aproximando do peso emocional dos títulos antecessores nem deixando grandes contributos para a commedia all'italiana (por muito que aposte na histeria como sintoma do caos familiar).

 

 

Não falta profissionalismo na reconstituição de época, mas as personagens parecem ficar presas a alguns temas fracturantes da Itália de então. Se Kim Rossi Stuart demora a conseguir libertar-se da caricatura de artista plástico presunçoso, Micaela Ramazzotti mostra outra força na pele de esposa, mãe e dona de casa desesperada. A nível interpretativo, o filme é dela, ainda que o argumento comprometa uma personagem de corpo inteiro - a certa altura, o retrato dos movimentos feministas impõe-se ao desenvolvimento da sua história. E falando em corpo, é algo irónico (e demasiado conservador) que um filme supostamente tão liberal não hesite em mostrar nudez frontal feminina enquanto recusa a masculina (seria igualmente justificável, uma vez não são só as mulheres que se despem por aqui).

 

Mas o pior é que, tirando a nudez e algumas discussões sobre os limites da arte, "Anni Felici" anda perigosamente próximo da ligeireza de um filme para toda a família. Um acontecimento dramático, revisitado na sequência final, destaca-se como o exemplo mais gritante, ao ser abordado com uma superficialidade quase anedótica que não combina com as tentativas de realismo - por vezes conseguidas - de outros momentos. Compreende-se que o olhar do narrador seja adolescente, mas era legítimo contar com outra maturidade do realizador...

 

 

 

"Anni Felici" é um dos filmes da sétima edição da 8 ½ - Festa do Cinema Italiano, a decorrer até 18 de Maio.

 

Dias de um futuro presente

 

Inspirado pelo rock industrial dos Nine Inch Nails e pela ficção científica de William Gibson, "The Future's Void" traz novas canções (e reflexões) de EMA três anos depois da estreia. Conhecida pela sua folk introspetiva, a norte-americana entrega-se agora a um pós-grunge cibernético que desconfia do mundo digital. E não desilude, como escrevo neste artigo do SAPO Música.

 

Crónicas de gelo e fogo

 

Sem despertar grandes atenções, o álbum a solo de uma das vocalistas dos Ladytron, editado no ano passado, mostrou que Helen Marnie também era capaz de convencer como compositora. "Crystal World", gravado na Islândia e produzido por outro elemento do quarteto de Liverpool, Daniel Hunt, tanto desenvolveu a vertente mais doce dos ambientes da banda como explorou, em dois ou três momentos, territórios mais inesperados.

 

"Hearts on Fire" pertencerá ao primeiro grupo. É uma continuação natural da dream pop de "Gravity the Seducer" e foi escolhida, depois de "The Hunter", como single de um álbum ainda a tempo de ser (re)descoberto, até porque há poucas vozes que se movam tão bem entre electrónica ora gélida ora calorosa. O videoclip acentua o jogo de luz e sombra, quase inevitável nas canções dos Ladytron:

 

 

Pág. 1/4