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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Ele, ela e os anos 80

xeno_&_oaklander

 

Ao contrário de outros nomes dos últimos anos assumidamente inspirados pela synth pop dos primeiros tempos, os XENO & OAKLANDER não têm grandes preocupações em reinventar grande coisa. As canções da dupla radicada em Brooklyn dispensam updates de estilos ou de produção e podiam ter nascido em meados da década de 80, com uma base analógica que funcionou bem ao longo de quatro álbuns - um pouco como o que têm feito os Automelodi, que não por acaso são apontados como referências.

 

Depois de "Par Avion" (2014) e do tema de 35 minutos "Movements" (2015), o regresso dá-se agora com "Topiary", que chega já a 3 de Junho e tem a particularidade de ser o primeiro disco gravado num estúdio profissional, em Connecticut (criado por elementos do Tom Tom Club). E é também o primeiro álbum do duo a contar só com a voz de Liz Wendelbo, ficando Sean McBride exclusicamente a cargo da vertente instrumental (embora continue a ser vocalista no muito recomendável projecto paralelo Martial Canterel).

 

"MARBLE", o single de apresentanção, sugere poucas mudanças, mantendo os ambientes soturnos e melódicos em tom retro, assentes na voz e numa espiral de sintetizadores. Além desta canção, já com videoclip para ver abaixo, também já foi revelada "Palms", mais enérgica e igualmente a prometer um álbum a ter por perto nos próximos tempos.

 

 

Uma estreia nada desastrosa

slovenlie

 

Electrónica metronómica da escola Nine Inch Nails, voz sussurrante a deixar saudades de Shirley Manson na fase inicial dos Garbage, texturas nebulosas que acomodam uma letra com algumas farpas ("It’s not your fault that you’re weak, it’s just your nature/ You only get by ‘cause you look good on paper").

 

Assim se apresenta SLOVENLIE na sua primeira canção, "DISASTER", exemplo de uma pop densa e de contornos industriais que não rejeita, apesar de tudo, a intromissão de teclados house lá para o final - e que aproxima a britânica de outros projectos recentes nascidos de vozes femininas, sintetizadores e pulsão rock, como os SPC ECO ou Brody Dalle.

 

A escolha dos produtores do disco - Neil McLellan (Prodigy) e Steve Dub (Chemical Brothers, Leftfield) - sugere que as canções sucessoras deverão chamar electrónica e guitarras, provavelmente com mais vestígios dos anos 90. Por agora, fica um tema capaz de espicaçar a curiosidade em torno da cantora de Newcastle, já com videoclip necessariamente atmosférico:

 

 

Apetece-nos algo bom

oscar_scheller

 

OSCAR diz-se fã dos Elastica ou dos Wannadies e "Cut and Paste", o seu álbum de estreia, não engana: tal como esses dois nomes mais ou menos esquecidos da década de 90, o cantautor e multi-instrumentista londrino sabe criar um refrão orelhudo que não se gasta à primeira - como já sabia, aliás, num EP promissor editado há dois anos.

 

O título do disco também não engana: há pouco de novo nesta indie pop (sempre muito brit), com cortes e colagens que remetem para os Blur dos primeiros tempos (outra paixão assumida) ou para os Smiths (aqui culpa da voz de barítono, comparada à de Morrisey, ou pela melancolia ocasional destas canções soalheiras).

 

Mas a urgência da novidade conta pouco quando as dez faixas do álbum passam a correr - algumas nem chegam aos três minutos - e a maioria candidata-se seriamente a paixoneta de Verão (pelo menos). É o caso de "GOOD THINGS", o novo single, com direito a tempero dub entre o tal refrão açucarado:

 

 

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