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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O Inverno já chegou, mas está quase a acabar

O fim está próximo? Pela primeira vez em seis temporadas, "A GUERRA DOS TRONOS" deixou essa sensação, o que deverá satisfazer, pelo menos, quem acusava a série da HBO de se arrastar.

 

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Não é que essas críticas não tivessem fundamento: durante alguns capítulos, o muito que a saga de Westeros tem para oferecer soube a pouco ao ritmo de uma hora por semana, e aí os minutos extra dos dois últimos episódios da sexta temporada fizeram a diferença.

 

Mas não foi só na duração que "Battle of the Bastards" e "The Winds of Winter" estiveram acima da média. Em momentos como esses, a série esteve à altura do hype que tem aumentando de ano para ano enquanto vai impondo expectativas estratosféricas. Se em casos como o também muito falado "The Door" a montanha pariu um rato, com um argumento espertinho e viagens temporais importadas de um "Lost" a destoarem do tom dominante da série (e quanto menos se falar dos Filhos da Floresta, melhor), os episódios mais recentes dispensaram espirais narrativas para seguirem em frente, custasse o que custasse (embora a contagem de corpos até nem tenha custado tanto como talvez muitos fãs esperassem, apesar de tudo).

 

Miguel Sapochnik, realizador que já tem currículo considerável em séries como "House" ou "Banshee", superou-se e elevou a fasquia de uma produção com mais cinema do que muitos filmes nos dois últimos capítulos da temporada: a batalha dos bastardos, imersiva e sufocante como poucas registadas no pequeno ou grande ecrã, merece mesmo ficar para a história, e todo o acompanhamento do plano maquiavélico de Cersei no episódio seguinte deixa outros 15/20 minutos de suspense noutro comprimento de onda, com uma elegância e inquietação embaladas por "The Light of the Seven", a memorável partitura instrumental de Ramin Djawadi.

 

Com um desenlace (provisório) destes, quase nos esquecemos da jornada interminável e repetitiva de Arya, do facto de Bran só estar lá para fazer o argumento andar (através de uns quantos recuos) ou de Tyrion e Daenerys terem tido tão pouco para fazer ao longo de uma temporada. Por outro lado, a troca de olhares entre Sansa e Littlefinger deixa no ar que o Inverno tardou, mas promete ser cortante, talvez mesmo implacável, agora que chegou... até porque já só há pouco mais de uma dúzia de episódios a caminho.

Os meninos dançam

compact_disc_dummies

 

Por um lado, os COMPACT DISK DUMMIES não fazem grandes avanços à mistura de guitarras e sintetizadores que deu a conhecer os Klaxons, The Shoes, Delphic ou Juveniles há uns anos. Por outro, e tal como aconteceu com essas bandas, passar ao lado do disco de estreia da dupla belga é perder algumas das canções mais pegajosas deste Verão - e daquelas que em vez de saturarem à primeira, obrigam a ir voltando ao disco.

 

"Silver Souls", o álbum dos irmãos Janus e Lennert Coorevits, chega depois do EP "Mess with Us", de 2013, e confirma que o duo tem pontaria para pop dançável e vitaminada, alicerçada num formato canção que não esconde flirts com o electro ou o techno. No fundo, é um disco que poderia ser associado à new rave caso a tendência não tivesse nascido e morrido tão depressa há cerca de dez anos - com a vantagem de ter um alinhamento mais consistente do que os álbuns de muitos nomes dessa altura.

 

O coro infantil de "Remain in Light", aposta arriscada mas bem sucedida, ou a voz feminina em "No More", que fecha o disco em modo ressaca, são apenas duas das particularidades que este ciclo de canções vai revelando enquanto atira algumas pérolas para a pista de dança. É o caso de "Girls Keep Drinking", "Ulysses", "True Colours" ou de um dos singles, "HOLY LOVE", que junta sopros à festa:

 

 

Então adeus, "sestras"

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É capaz de ser melhor assim... talvez seja preferível que "ORPHAN BLACK" fique mesmo pela quinta temporada, confirmação anunciada agora que a quarta chegou ao último capítulo. E chegou de forma bem menos inspirada do que um arranque que prometia recuperar a graça, subtileza e engenho dos episódios iniciais da saga de Sarah Manning e seus clones.

 

Mas nesta altura já nem Tatiana Maslany, habitualmente impecável na pele uma mão cheia de personagens, consegue disfarçar que esta história anda em círculos desde há muito, e o facto de ela ser tão boa só acentua o quão maus podem ser alguns actores secundários e as figuras que encarnam - os vilões desta temporada, então, são do mais preguiçoso e cabotino, ao nível de algumas reviravoltas de telenovela dos últimos episódios.

 

Ao contrário de temporadas anteriores, até a actriz principal começa a revelar algum cansaço, com a personagem de Krystal, estereótipo da loura burra elevado até à quinta casa, a mostrar-se um tremendo tiro ao lado - e a trazer ainda mais viragens de tom a uma história com dificuldades em manter a agilidade de outros tempos. E o pior é que clones como este roubam espaço aos que valem mesmo a pena, como Helena, que continua a ter as melhores tiradas (e das poucas em que o humor não parece forçado) mas foi completamente desaproveitada ultimamente.

 

Por isso, depois de uma quarta temporada que não conseguiu resolver os problemas da terceira, mesmo com alguns bons ingredientes pelo meio (além de Maslany, Felix e Mrs. S. vão garantindo alguma solidez dramática), será melhor dizer adeus em vez de voltar a desejar rápidas melhoras. Até porque ninguém tem muitas saudades de "Sangue Fresco"; pois não?

 

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