"The Slip", o sétimo álbum de originais dos Nine Inch Nails, é dos que gerou mais burburinho pela forma como foi disponibilizado do que pela música que contém. Tal como o também recente "In Rainbows", dos Radiohead, foi colocado no site oficial do projecto para download, em Maio, cabendo ao utilizador decidir o que pagar por ele - isto caso quisesse pagar alguma coisa, já que o acesso gratuito era uma das opções.
O disco confirmou a separação de Trent Reznor da Interscope, depois da aposta na auto-edição já avançada no anterior "Ghosts I-IV", álbum quádruplo lançado também este ano e cujo primeiro tomo foi igualmente disponibilizado gratuitamente.
"The Slip" conhece agora edição em formato físico, indo da internet para as lojas após mais de 1,4 milhões de downloads, e se atesta que o seu autor é uma das figuras mais pespicazes e atentas do panorama musical actual, também deixa claro que hoje a sua criatividade reflecte-se mais na promoção do que na criação.
A suspeita já vinha a reforçar-se de há uns discos para cá, quando Reznor passou a ser mais prolífico - longe vão os dias em que demorava meia década a apresentar um novo álbum -, mas infelizmente o reforço da quantidade não tem tido paralelo na qualidade.
Não é que "The Slip" seja uma obra embaraçosa, longe disso, o problema é que nada acrescenta a uma discografia cujos primeiros trabalhos geraram algumas das melhores combinações - e transformações - entre rock e electrónica nos últimos vinte anos.
Sem a inovação de "Pretty Hate Machine" (1989), a visceralidade de "The Downward Spiral" (1994) ou a complexidade de "The Fragile" (1999), o disco recolhe elementos das várias fases dos Nine Inch Nails mas não só nao percorre novos territórios como não tem canções especialmente memoráveis.
Alternando cenários agrestes com episódios mais contemplativos, "The Slip" arranca com dois temas de pujança assinalável, "1,000,000" e "Letting You", eficazes na sua carga abrasiva embora soem a sobras de "Year Zero".
O primeiro é, de resto, quase uma variação de um dos singles desse álbum, "Survivalism". Mais interessante, "Discipline" é provavelmente o ponto alto do disco, e também o mais imediato, com uma cadência dançável a lembrar as aproximações à electropop ensaiadas em "With Teeth" (2005).
Também com uma pulsão rítmica envolvente, "Echoplex" conjuga bem a tensão controlada das guitarras com texturas electrónicas, e o instrumental "Corona Radiata" vai de discretos tons ambient a uma claustrofobia pós-rock, a reflectir as experiências de "Ghosts I-IV", revelando-se um tema intrigante ainda que demasiado longo.
Não tão conseguido, o introspectivo "Lights in the Sky" passa quase despercebido e podia ser um lado-b dos singles de "The Fragile", enquanto que "Head Down" e "Demon Seed", nos seus antípodas, mostram uns Nine Inch Nails em piloto automático, versão acelerada .
O balanço resulta num álbum mediano, que não compromete mas também não encoraja muitas audições, mesmo que a produção - a cargo dos confiáveis Alan Moulder e Atticus Ross - demonstre o savoir faire habitual e que as atmosferas apostem numa imagem de marca própria e reconhecível.
Infelizmente, demasiado reconhecível, o que pode ser frustrante para quem ainda esperava grandes surpresas por estas paragens.

Nine Inch Nails - "Discipline"
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