Dom | 7 Set 08
O terror despede-se da capital

E para finalizar os destaques ao MOTELx, cuja segunda edição se despediu hoje de Lisboa, ficam aqui algumas palavras sobre mais filmes vistos por lá, desde surpresas a decepções:

 

 

Uma jovem fotógrafa grávida, ainda a tentar aceitar a abrupta morte do namorado, vê-se no centro de acontecimentos ainda mais traumatizantes quando uma mulher invade a sua casa na véspera de Natal.

Se durante a primeira metade "À l'intérieur" sabe desenvolver este ponto de partida com realismo e uma perspicaz gestão do suspense, na segunda entra num crescendo de inverosimilhanças e cai num desnecessário festim gore, esticando o confronto entre as duas mulheres para além do desejável e tornando-as quase invulneráveis.

Ainda assim o balanço é positivo, muito por culpa da inquietante cena final, de um sufocante sentido atmosférico (com estupendos contrastes entre luz e sombra) e dos inatacáveis desempenhos de Béatrice Dalle e Alysson Paradis. Poderia ter sido um grande filme, mas mesmo sendo irregular deixa muita curiosidade em relação aos próximos filmes de Julien Maury e Alexandre Bustillo.

 

 

 

Apesar de um bom arranque, "Alone" acaba por ser só mais um filme de terror oriental entre tantos que têm tido maior visibilidade nos últimos tempos. Esta história sobre uma mulher atormentada pelo fantasma da sua irmã siamesa tem a seu favor alguma elegância visual e, mesmo que tente conceder alguma densidade às personagens (mais conseguida nos flashbacks), raramente deixa de ser banal e previsível.

A tensão nunca chega a implementar-se, uma vez que os supostos sustos são sempre clichés sobrenaturais, e uma reviravolta final origina uma igualmente estereotipada sequência de perseguição. Espera-se que o cinema de terror tailandês seja mais criativo do que esta desinspirada proposta de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom.

 

 

 

O cinema espanhol tem servido algumas das melhores surpresas de terror recentes, e "El Rey de la Montaña", de Gonzalo López-Gallego, é mais um exemplo. Ao contrário do histérico e sobrevalorizado "[Rec]", este é um filme engenhoso e subtil, sobretudo na primeira metade, quando foca o encontro e reencontro dos dois protagonistas, que após atritos iniciais terão de contar um com o outro para sobreviverem a misteriosos tiros que tentam atingi-los em montanhas isoladas.

Com uma realização astuta e despojada, sem excessos gore nem efeitos especiais, esta é hora e meia de bom suspense capaz de deixar o espectador tão descoordenado como as personagens. O final fica aquém dos momentos iniciais, mas não compromete a revelação de mais um realizador a seguir.

 

 

 

Considerado o filme que deu início à nova vaga de terror francês, "Haute Tension" não traz nada de novo ainda que seja uma competente recontextualização dos slashers dos anos 70. Alexandre Aja sabe como criar sequências com nervo e sangue neste retrato de um massacre familiar passado no campo, mas deita quase tudo a perder quando atira um incoerente e pretensioso twist nos minutos finais. E assim torna o filme memorável pelos piores motivos, oferecendo um desenlace desonesto e insultuoso como poucos, sem qualquer respeito pela narrativa ou pelo espectador.

Felizmente a sua primeira experiência em Hollywood, "Terror nas Montanhas", revelou-se bem mais consistente, já que "Haute Tension" só pode ser salvo com um director's cut que lhe dê um final alternativo.

 

 


música: "You Don't Know", Curve

publicado por gonn1000 às 23:27
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'ETs In Da Bairro', de Joe Cornish
críticas: filmes de 2011


- "127 Horas", Danny Boyle
- "A Nossa Vida", Daniele Luchetti
- "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar
- "Amigos Coloridos", Will Gluck
- "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance
- "Cisne Negro", Darren Aronofsky
- "Drive - Risco Duplo", Nicolas Winding Refn
- "Green Hornet", Michel Gondry
- "Gritos 4", Wes Craven
- "Hanna", Joe Wright
- "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2", David Yates
- "Insidioso", James Wan
- "Jane Eyre", Cary Fukunaga
- "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki
- "Melancolia", Lars von Trier
- "O Amor é o Melhor Remédio", Edward Zwick
- "O Código Base", Duncan Jones
- "Os Agentes do Destino", George Nolfi
- "Os Bem-Amados", Christophe Honoré
- "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet
- "Sem Identidade", Pierre Morel
- "Sem Tempo", Andrew Niccol
- "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric
- "X-Men: O Início", Matthew Vaughn