Se "O Ar que Respiramos" (The Air I Breathe), a primeira longa-metragem de Jieho Lee, dificilmente chama a atenção pelo nome do realizador, reclama-a através do seu elenco de peso, um aglomerado de estrelas onde constam Forest Whitaker, Kevin Bacon, Emile Hirsch, Brendan Fraser, Sarah Michelle Gellar, Andy Garcia ou Julie Delpy.
Infelizmente, os actores são mesmo o melhor que o filme tem para oferecer, e mesmo assim nem todos têm oportunidade para demonstrar as suas capacidades. O que poderia ter sido um olhar interessante sobre as relações humanas torna-se, aos poucos, num intrincado novelo narrativo que dá frequentes golpes à credibilidade da acção e cede muitas vezes a um pretensiosismo algo meloso.

A premissa, assente num provérbio chinês que divide a vida em quatro emoções - felicidade, prazer, dor e amor -, sugere que há aqui potencial para um filme envolvente, uma vez que cada uma das suas quatro histórias se centra num desses sentimentos e poderia usá-los a favor de um retrato complexo das personagens.
O facto da estrutura ser a de filme-mosaico, cada vez mais recorrente no cinema americano que se pretende "sério", não é propriamente um problema, mas aqui é desenvolvida como um mecanismo que cruza narrativas de forma forçada, a testar os limites do plausível. Pior é o facto de Lee ter ambições de tornar a sua obra numa "lição de vida", onde não falta música inspiradora a realçar os supostos picos dramáticos.
Ainda assim nem tudo é mau, pois se o primeiro segmento, com Forest Whitaker no papel de um gestor honesto envolvido em negócios obscuros, exagera na inverosimilhança e termina de forma piegas, o segundo e o terceiro são mais consistentes e seguem a relação de um gangster que prevê o futuro (um sóbrio Brendan Fraser) com uma cantora pop (Sarah Michelle Gellar, igual a si própria).

Mas mesmo aqui "O Ar que Respiramos" não deixa, ironicamente, espaço para as personagens respirarem, usando-as como marionetas de um argumento que tenta surpreender sem dar grande atenção aos seus protagonistas.
O quarto segmento acentua ainda mais esta ideia, ligando a história da personagem de Gellar à de Kevin Bacon, um médico que tenta a todo o custo conseguir uma transfusão de sangue para salvar a mulher que ama (Julie Delpy, que foi paga quase só para dormir).
Entre um elenco subaproveitado destaca-se ainda Andy Garcia na pele de um intrigante chefe do crime, o único actor presente nos quatro segmentos e que defende bem uma das personagens mais fortes. Esse empenho não salva, contudo, um filme pontualmente estimulante mas que no geral não resulta, tornando "O Ar que Respiramos" numa obra insuflada por um excesso de ambição sem resultados à altura.

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