Infelizmente, no primeiro fim-de-semana do Queer Lisboa 12 não consegui ver os dois títulos que me despertavam maior curiosidade: "A Jihad for Love", de Parvez Sharma, e "Otto; or, Up with Dead People", de Bruce LaBruce. Não se perdeu tudo, pois ainda consegui ver alguns filmes do festival, mas as escolhas não terão sido das melhores:

"Barcelona (Un Mapa)", de Ventura Pons, uma das longas-metragens da Secção Competitiva, mergulha nas inquietações de seis personagens durante uma noite em Barcelona tendo como eixo narrativo um casal de idade.
Com frequentes cruzamentos entre o passado e o presente, este é um retrato de várias solidões, por vezes partilhadas mas nem por isso menos difícies de suportar, e tem como maior trunfo a entrega de um elenco seguro. Já a realização é menos sedutora, revelando competência mas poucas ideias, e o facto de quase todas as cenas se desenrolarem em interiores também não ajuda - elemento que funcionará melhor na peça de teatro em que o filme se baseia.
Ficam algumas boas personagens, ocasionais diálogos inspirados e uma abordagem sóbria ao adultério, homossexualidade ou incesto, que compensam um ritmo demasiado moroso e um desfecho despropositado.


Da Secção Panorama, que destaca títulos recentes que não estão em competição, uma das obras exibidas foi "Hatsu-Koi | First Love", do japonês Imaizumi Koichi, que apesar de ser a sua segunda longa-metragem expõe várias fragilidades frequentes nas primeiras. Isto porque esta história de vários adolescentes que aprendem a lidar com a homossexualidade não escapa a muitos clichés, ficando marcada por um amadorismo evidente tanto no argumento como na realização ou na direcção de actores.
O tom alterna entre o cómico e o dramático, e ainda que haja algumas cenas conseguidas em ambas as vertentes a sua combinação nem sempre resulta e dá-se mal com o tom panfletário de alguns diálogos (sobretudo em relação aos casamentos gay).
No seu melhor o resultado é simpático, no pior torna-se demasiado ingénuo e tosco, cujo auge será o final inacreditavelmente optimista. Louvam-se as boas intenções, mas de cinema "Hatsu-Koi | First Love" tem muito pouco.

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