Já andam nisto há cinco anos, mas só neste editaram o seu primeiro disco, "Uma Vida a Direito". A rodagem em palco que tiveram entretanto, aliada ao processo de composição que foram desenvolvendo, talvez ajude a explicar a consistência que os Feromona demonstram agora no álbum, cujo resultado é mais convincente do que apenas promissor (e que está disponível para download gratuito no site do grupo).
Os irmãos Diego e Marco Armés, juntamente com Bernardo Barata, auto-denominam-se um "power trio", e ao ouvir as doze canções que aqui apresentam - algumas já presentes numa maquete de 2005 - será difícil não concordar.

O que à partida poderia ser só mais uma banda alicerçada na clássica combinação de guitarra, bateria e baixo revela capacidade em escapar a colagens fáceis e definir já um (micro-)universo próprio, mesmo que não deixe de suscitar comparações com outros nomes - sentem-se reflexos da escola indie de inícios de 90 e da herança dos Ornatos Violeta (fase "Cão"), por exemplo.
Este espaço próprio não provém tanto do rock despojado, minimalista e directo que caracteriza a maioria das canções (por onde passam também traços do grunge ou do punk), ainda que o grupo o pratique de forma eficaz, mas antes dos cenários que as letras vão sugerindo.
Tal como muitos dos novos projectos nacionais nascidos recentemente, também os Feromona aderem a uma escrita em português, opção que se saúda pela carga de ironia e subtileza que o trio lisboeta injecta em grande parte das suas composições, olhares actuais sobre um certo quotidiano juvenil com particular tónica nas relações amorosas.

"Uma Vida a Direito" é um álbum onde as palavras não só interessam, coisa rara nos dias de hoje, como são mesmo decisivas para aderir a canções que com uma audição mais superficial poderiam passar despercebidas (e é difícil assimilar algumas à primeira).
Mas se lhes for dada a atenção devida não faltam aqui momentos a reter, seja a sensualidade sinuosa e regada a álcool de "Vodka", a inquietação e surrealismo de "Bisturi" (que quase obriga a trautear a frase "é consequência do teu mau comportamento"), a trepidação desafortunada de "Mustang", o misto de amor-ódio relatado em "Animal" ou a arma de arremesso contra o aumento de depressões por metro quadrado que é "Psicologia", uma boa escolha para single.

Alternando entre temas contemplativos e outros mais acelerados, o disco não chega a apresentar canções dispensáveis embora se notem alguns desequilíbrios, sobretudo entre uma primeira metade estimulante e uma segunda que nem sempre mantém esse carisma - ainda que esteja por lá "Mánif", certeira crítica a grupos de jovens rebeldes sem causa (que Diego Armés sussura ou grita com o tom certo de sarcasmo em frases como "um djambé tré cool/ fazia dançar/ a malta que ali estava p'ra reclamar").
Essa irregularidade não será, contudo, grande impedimento para que "Uma Vida a Direito" deixe de se increver entre os melhores discos nacionais do ano, confirmando os Feromona como uns dos mais confiáveis representantes do novo rock português - e em português, o que neste caso joga a seu favor.

Feromona - "Conversa de Cama"
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