
Tom Tykwer tem construído a sua filmografia a saltitar entre géneros, mas ainda não tinha passado pela comédia romântica.
"Drei" não será propriamente uma - pelo menos não apresenta muito em comum com a maioria -, embora ande lá perto.
O novo filme do alemão tem o mérito de não seguir o determinismo de demasiados exemplos do género - característica que chega a ser comentada por uma das personagens - e de não se amparar numa realização tarefeira - ao contrário de outros títulos de Tykwer, aqui as ideias visuais servem a narrativa e não o inverso.
A partir do jogo de enganos entre dois elementos de um casal que iniciam uma relação com o mesmo homem - sem que o outro cônjuge saiba -, desenha-se um filme que, apesar do humor, também consegue ser amargo - ao insinuar, por exemplo, que a solidão mais dolorosa é a partilhada.
Mas esse contraste entre ligeireza e densidade, por vezes excessivamente abrupto, também faz de "Drei" um filme tão indeciso como os seus protagonistas.
Em todo o caso, antes esta indecisão que a adrenalina inconsequente de "Corre, Lola, Corre" (1998), a poesia insípida de "Heaven - Por Amor" (2002) ou o thriller à americana (versão rotineira) de "The International — A Organização" (2009).

"Drei" foi o filme de abertura da oitava edição da KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã, que decorre até 4 de Fevereiro
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