
"Pequenas Mentiras Entre Amigos" conta em duas horas e meia uma história que não precisaria de tanto tempo e, mesmo assim, não só demora a arrancar como nem sequer chega a dar a todas as personagens (e são muitas) o espaço e densidade que merecem (sobretudo às femininas, cuja excepção é a de Marion Cotillard).
O que é certo é que, apesar disso, e de gags quase sempre demasiado óbvios e familiares, o novo filme realizado por Guillaume Canet mantém-se, desde Junho, em cartaz numa sala lisboeta, o que não deixa de ser um feito.
Mas se essas limitações o deixam a alguns passos de um grande filme, não impedem que este drama centrado num grupo de amigos na casa dos trinta consiga, tal como os promissores "O Meu Ídolo" e "Não Digas a Ninguém", manter a curiosidade em torno da obra do realizador (e actor) francês.
Canet, sem oferecer ideias de cinema por aí além, mostra ter um sentido de observação capaz de tornar estes relacionamentos palpáveis e envolventes, qualidade que estará, sem dúvida, na origem do surpreendente efeito passa-a-palavra que "Pequenas Mentiras Entre Amigos" tem despertado por cá.
O elenco impecável - que inclui muitos actores amigos do realizador - também terá alguma coisa a ver com isso e, no final, a resistência inicial fica desfeita por uma bela ode à amizade (e às suas imperfeições), que compensa alguma falta de subtileza com um coração aberto e sincero. Já agora, que se mantenha em cartaz até ao Natal, uma vez que também acaba por ser, involuntariamente, um dos filmes mais apropriados - e menos batidos - para a quadra.
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