
Filme de acção atmosférico, contraponto (muito) desacelerado de blockbusters como "Velocidade Furiosa"? Pode dizer-se que sim, que "Drive - Risco Duplo" segue por essa estrada. Ou pela de uma adaptação de uma graphic novel estilizada, com personagens desenhadas a traço grosso (sobretudo os vilões, os mais cartoonescos), em que a vertente sonora (e sobretudo musical) partilha protagonismo com a visual.
Mas não, ao contrário de algumas tendências do momento, o novo filme de Nicolas Winding Refn não parte da BD - embora chegue a lembrar, por exemplo, o Cronenberg de "Uma História de Violência", esse sim assente na nona arte.
Há mesmo quem o compare a um videoclip, e se o fosse "Drive - Risco Duplo" seria sem dúvida dos mais envolventes e elaborados, até porque o realizador dinamarquês quer que reparemos no seu estilo. Se por aí será fácil criticar algum exibicionismo, a experiência sensorial que oferece acaba por levar a melhor, com uma aura magnética que deve alguma coisa a Ryan Gosling ou à banda sonora electrónica, companhia perfeita para uma Los Angeles sinuosa (ou simplesmente para conduzir à noite).
Apesar dos seus atractivos e de alguns percursos inesperados, a viagem perde um bocado a graça quando cede, na segunda metade, a uma lógica mais reconhecível, condicionando as direcções que o arranque deixava em aberto. Caso não ligasse o piloto automático a meio, "Drive - Risco Duplo" poderia ser filme para outras corridas, outras paragens, certamente outros horizontes. Mas o que propõe ainda mostra um realizador com mão segura, capaz de evitar algumas estradas óbvias, e do qual vale a pena aproveitar a boleia durante hora e meia.

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