
Não sendo obra para juntar ao panteão dos filmes de animação - nem sequer aos melhores dos últimos anos -, "O Gato das Botas" é uma agradável surpresa e um belo divertimento (natalício, por exemplo) para miúdos e graúdos.
A estreia a solo da personagem repescada do universo Shrek consegue, pelo menos, protagonizar um filme com mais vida e energia do que os últimos do famoso ogre verde - partilhando com um deles, "Shrek o Terceiro", o realizador Chris Miller.
Face a esses, "O Gato das Botas" ganha por tentar contar, de facto, uma história, em vez de funcionar como uma colecção de gags sem narrativa à altura. Uma história que, como a saga cinematográfica da qual deriva, se alimenta de elementos de outras: mais do que do conto do francês Charles Perrault, criador do Gato das Botas, o resultado é devedor das fábulas João e o Pé de Feijão, A Gansa dos Ovos de Ouro e até vai buscar Humpty Dumpty (e ainda bem, porque é a sua relação com o protagonista que dá peso emocional ao filme).
Nem tudo funciona: Kitty Patas Fofas, com a voz de Salma Hayek, mostra-se uma promissora resposta feminina ao herói indissociável de Antonio Banderas, mas acaba por ter pouco espaço para brilhar. O mesmo vale para o casal Jack e Jill, dupla feia, porca e má com um delicioso sotaque sulista oferecido por Billy Bob Thornton e Amy Sedaris.
Em compensação, o 3D, por uma vez, faz realmente sentido e acrescenta alguma coisa a esta aventura, que mesmo sem esse extra já seria muitíssimo superior a "O Gato das Botas — A Verdadeira História", produção francesa que levou a personagem ao grande ecrã, há dois anos, sem qualquer graça e imaginação - ingredientes que, felizmente, não faltam nesta nova e aconselhável versão.

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