
"Vergonha" é um filme com muito para admirar e muito pouco para sentir. Steve McQueen, artista plástico tornado realizador, faz questão de sugerir esse passado numa obra visualmente inatacável - da brilhante fotografia de tom azul metálico à realização crua, precisa e geométrica, o britânico não deixa nenhum plano ao acaso. E é por esse lado plástico que consegue a pequena proeza de nos apresentar um olhar singular sobre Nova Iorque, talvez a cidade que mais vemos no grande ecrã.
Mas se enquanto esteta McQueen tem personalidade mais do que suficiente, a vertente narrativa de "Vergonha" fica quase sempre vários degraus abaixo. Pior: torna-o num daqueles filmes que se esgota na premissa, raramente ultrapassando os lugares comuns que se esperariam quando a conhecemos.
Sim, as experiências de um trintão nova-iorquino para quem o sexo é um refúgio, uma rotina e uma forma de alienação podem ser intrigantes, motivo de reflexão e dizer muito sobre os tempos em que vivemos. Infelizmente, e embora por vezes até nos iluda com quadros fortes, McQueen aborda esta jornada sem grande rasgo, caminhando para um desfecho simultaneamente previsível, forçado, melodramático e até algo moralista.
Michael Fassbender, na pele do protagonista, volta a justificar todos os elogios numa personagem a que se entrega, como nunca antes, de corpo inteiro (o que não é dizer pouco), ainda que o realizador menorize a sua presença quando a sublinha com música pronta a insuflar emoção (deitando abaixo a sobriedade de alguns momentos), tentativas de simbolismo demasiado óbvias (como na última cena de sexo) ou simples auto-indulgência (quando a personagem de Carey Mulligan, meramente utilitária, canta "New York, New York" numa pretensa sequência de antologia que confunde pompa com densidade).
O resultado, estando longe de vergonhoso, também fica aquém da segunda obra imperdível que McQueen poderia ter aqui - mesmo que o britânico, quando nos deixa algumas cenas de facto inspiradas, filme o sexo e a cidade como poucos.

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