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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Trance à islandesa

gusgus_2017

 

20 anos depois de "Polydistortion", o disco que os colocou entre as maiores revelações islandesas da década de 90, os GUSGUS preparam-se para editar aquele que será já o seu décimo álbum. "Lies Are More Flexible" deve chegar na rentrée, mas a banda apresentou entretanto o primeiro single, que será também o tema de abertura dos seus concertos deste Verão.

 

"FEATHERLIGHT" segue a linha dos alinhamentos de "Mexico" (2014) ou "Arabian Horse" (2011) ao investir em electrónica atmosférica e dançável, com influências vincadas do trance mas sem cair nos traços mais óbvios e espalhafatosos do género.

 

A voz reconhecível de Daníel Ágúst Haraldsson e a produção minimalista e subtil ajudam a fazer da receita dos GUSGUS um caso à parte na música de dança, mesmo que este nem seja dos seus singles essenciais. Mas é suficientemente envolvente para deixar curiosidade sobre o que aí vem, ao mesmo tempo que promete ser um bom aquecimento para actuações que não dispensam momentos mais frenéticos (como o brilhante "Airwaves", da colheita recente). O videoclip mantém o lado performativo de outros complementos visuais do grupo:

 

 

De França com louvor

maud_geffray_polaar

 

Numa altura em que já começam a surgir balanços provisórios do ano musical, o álbum de estreia de MAUD GEFFRAY merece juntar-se à lista de boas surpresas. A Les Inrocks até diz que "Polaar" é o segundo melhor disco de música electrónica do primeiro semestre (logo atrás do mais recente de Arca, homónimo), escolha que talvez empole em demasia a prata da casa mas que pelo menos chama merecidas atenções para a cantora e produtora francesa.

 

Se a faixa título tinha deixado uma óptima impressão inicial, o alinhamento mostra que a metade feminina dos Scratch Massive também convence em nome próprio, apesar de nem sempre brilhar tanto como nesse single. Em contrapartida, tem o mérito de seguir noutras direcções em vez de se ficar por uma synthpop orquestral.

 

É o que acontece em "FOREVER BLIND", a nova aposta, que nasce de cruzamentos electro, house e techno e introduz uma voz feminina a meio (na linha de Grimes ou Kelly Lee Owens) quando aparentava ser apenas instrumental - como o são algumas das melhores faixas do álbum. O videoclip alarga a faceta onírica do tema e não destoaria no saudoso "Chill Out Zone", da MTV, a altas horas da madrugada de um fim de semana.

 

 

A ronda da noite

Fischerspooner

 

Parecendo que não, já passaram quase 20 anos (!) desde que os FISCHERSPOONER editaram o álbum de estreia, "#1" (2001), e se tornaram automaticamente numa das referências do electroclash - cena que recontextualizou a faceta mais crua e hedonista da pop electrónica da década de 80, tanto na música como na imagem.

 

Os discos seguintes da dupla nova-iorquina, mesmo com alguns momentos infecciosos, nunca conseguiram aproximar-se do efeito surpresa de hinos como "Emerge", mas o hiato criativo - mantido desde "Entertainment", de 2009 - parece ter trazido de volta parte da inspiração dos primeiros tempos.

 

"HAVE FUN TONIGHT", o novo single, abre caminho para o quarto álbum de Warren Fischer e Casey Spooner, "SIR", agendado para Setembro. E as novidades não se ficam por aqui, tendo em conta que a canção é produzida por Boots e... Michael Stipe. O ex-vocalista dos R.E.M. colabora, de resto, em todas as faixas do disco enquanto co-compositor e produtor, numa parceria que dificilmente se adivinhava.

 

Embora o álbum só chegue no fim do Verão, esta amostra é uma sugestão bem eficaz para as pistas no período estival, como aliás o videoclip insinua em ambiente homoerótico de tom vintage - a meio caminho entre a iconografia do também regressado Tom of Finland ou um Arraial Pride com dress code anos 80 (ainda que menos extravagante do que o habitual nos Fischerspooner):

 

 

Um presente requentado, mas bem aviado

Emily_Haines

 

EMILY HAINES tornou-se mais conhecida através de colaborações com os Broken Social Scene e sobretudo como vocalista dos Metric, mas para muitos um dos seus melhores discos continua a ser "Knives Don't Have Your Back" (2006).

 

Embora assinado como Emily Haines & The Soft Skeleton, foi o segundo álbum a solo da canadiana (sucessor do pouco ouvido "Cut in Half and Also Double", de 1996) e teve a voz e o piano como elementos centrais de uma indie pop de câmara, contaminada pelo jazz ou por uma folk negra - muito longe do domínio de guitarras e sintetizadores de outros projectos.

 

Depois do EP "What Is Free to a Good Home?" (2007), Haines deu sempre prioridade às canções da sua banda, mas este ano o caminho pode mudar, pelo menos temporariamente, com a promessa de um novo disco a solo em Setembro. "Choir of the Mind" conta com produção de Jimmy Shaw, guitarrista dos Metric, e Scott Minor, dos Sparklehorse, e tem em "FATAL GIFT" a primeira amostra.

 

O arranque do single, a cruzar uma voz doce e um piano soturno, lembra os dias de "Knives Don't Have Your Back", mas a entrada em cena de outros instrumentos e ritmos aproxima-se dos cenários dos Metric... o que não é de estranhar, uma vez que o tema propõe uma nova versão de um lado-B da banda. E se o resultado fica um pouco aquém das canções mais memoráveis de Emily Haines & The Soft Skeleton, chega para ir abrindo o apetite para as outras (12, pelo menos) que estão a caminho. Por agora, serve-se o videoclip: