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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Ascensão, repetição, celebração

Franz Ferdinand 2018

 

É um dos primeiros grandes lançamentos de 2018 e vai ser editado já a 8 de Fevereiro. "Always Ascending", o quinto álbum dos FRANZ FERDINAND, chega cinco anos depois de "Right Thoughts, Right Words, Right Action", mas tendo em conta o que dele se ouviu até agora parece estar mais na linha de "Tonight: Franz Ferdinand" (2009), disco que reforçou a carga electrónica das canções dos escoceses.

 

A faixa-título do novo registo, que também foi o single de avanço, já acentuava o apelo dançável e a presença dos sintetizadores, num regresso mais expansivo do que boa parte dos temas do álbum anterior. "FEEL THE LOVE GO", o segundo aperitivo, segue-lhe os passos numa marcha apontada às pistas, que talvez até lembre demasiado momentos clássicos do grupo mas vai conseguindo ganhar outro embalo mais para o final, com a entrada em cena de um saxofone que confirma a aproximação a alguma pop festiva dos anos 80.

 

O ambiente de celebração também toma conta do videoclip, no qual a nova formação da banda - com Dino Bardot a substituir Nick McCarthy na guitarra e Julian Corrie a ocupar-se dos teclados - mostra que se mantém tão espirituosa como a imagem de marca vincada desde o disco de estreia.

 

Além do vídeo do novo single, fica também abaixo o de uma actuação centrada no anterior, registada há poucos dias no "The Tonight Show Starring Jimmy Fallon" e a antecipar um pouco do que poderemos ver e ouvir no regresso dos FRANZ FERDINAND a Portugal, dia 14 de Julho no NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés:

 

 

 

Top of the pop(per)s

Fischersponer

 

Os FISCHERSPOONER já tinham avisado que o próximo álbum iria abordar os relacionamentos queer na era digital, e de forma mais despudorada do que qualquer outro do seu percurso. Mas se os videoclips dos singles anteriores - "Have Fun Tonight""Togetherness" - já eram consideravelmente crus na abordagem à sexualidade, a banda nova-iorquina vai bem mais longe nas imagens que acompanham a nova amostra de "SIR", disco a editar a 16 de Fevereiro.

 

O duo de Warren Fischer e Casey Spooner tem descrito o videoclip de "TOPBRAZIL" como o mergulho numa estética pop "tipicamente reservada para o arquétipo feminino", orgulhando-se de avançar aqui com um retrato que "liberta a forma masculina para ser sexual, expressiva e destemida".

 

A Out Magazine concorda e chega a defender que as danças, coreografias e cenas de sexo quase explícitas entre dezenas de homens numa sauna, dirigidas por Tom C J Brown (realizador vindo do cinema de animação queer), são uma representação "sem precendentes" da homossexualidade masculina nos media mainstream (afirmação discutível quando uns Kazaky ou Cazwell, por exemplo, percorreram terreno comparável há uns anos).

 

 

Já dezenas de reacções na página de Youtube do vídeo não têm sido tão entusiastas. Boa parte são mesmo assumidamente homofóbicas, incluindo as de utilizadores brasileiros ofendidos com o título da canção, e outras das maiores críticas apontam a representação estereotipada de homens gay, uma vez que todos os recrutados são jovens e atléticos.

 

Mas para o melhor e para o pior este é um sério candidato a videoclip mais comentado dos FISCHERSPOONER, embora talvez seja demasiado trangressor para vir a ser distinguido por referências LGBTQ como os GLAAD Awards (muito pouco inclusivos na categoria musical das nomeações da edição deste ano, convenhamos).

 

E a canção em si? É relativamente menos arrojada, num acesso electropop eficaz com produção de Michael Stipe (também co-compositor do álbum) e Stuart White, talvez mais convincente do que o single anterior, "Butterscotch Goddam", e na linha do primeiro avanço do álbum, "Have Fun Tonight", sem chegar a ser tão infeccioso. De qualquer forma, neste caso seria difícil que a música não acabasse por ser dominada pela imagem...

 

A rainha da noite

Tracey Thorn

 

Além de eterna voz dos Everything but the Girl ou de várias colaborações, TRACEY THORN tem-se destacado por um percurso em nome próprio com lançamentos ocasionais. Desde que a dupla que compunha com Ben Watt disse adeus na viragem do milénio, a britânica assinou três álbuns (dois de originais e um natalício), sucessores da mais longínqua estreia a solo "A Distant Shore", de 1982.

 

O próximo chega este trimestre, a 2 de Março, seis anos depois de "Tinsel and Lights", e deverá aprofundar a filiação numa pop electrónica dançável, à qual THORN é geralmente associada (apesar de uma fase inicial mais próxima da folk).

 

"QUEEN" dá o mote de forma directa e pulsante q.b., embora nem os sintetizadores nem a guitarra que se intromete a meio cheguem a ameaçar o protagonismo vocal, numa canção que convida Sella Mozgawa e Jenny Lee Lindberg, das Warpaint, para a percussão e baixo, respectivamente.

 

Corinne Bailey Rae e Shura são os outros nomes já confirmados para "Record", disco que promete aliar o feminismo à pista de dança em faixas como "Smoke", "Guitar" ou "Dancefloor". Nada contra quando o aperitivo é um exemplo de synthpop redondinha e orelhuda, defendida por uma voz sem grandes paralelos no género:

 

 

O rock não morreu e ainda merece ser abraçado

Moaning

 

Foi desta que o rock morreu? A popularidade inegável do hip-hop junto do público mais jovem (e não só), o acomodamento de muitos veteranos ou a enésima réplica de glórias antigas no ADN de uma nova banda levam muitos a garantir que sim, mas convém não arrumar já as guitarras. Pelo menos enquanto continuarem a surgir revelações como uma das últimas apostas da (insuspeita) Sub Pop.

 

É verdade que não serão os MOANING a salvar, por si só, um género cuja morte tem vindo a ser decretada há décadas, até porque não trazem nenhuma novidade de maior nas suas primeiras canções. E se também é certo que a sua música convoca várias escolas em tempos tidas como alternativas - dos Joy Division aos Nirvana, passando pelo lado mais agreste dos Smashing Pumpkins -, há por aqui um sentido de urgência e uma coesão instrumental que tem faltado a muitas promessas.

 

Parte do efeito do power trio de Los Angeles nasce da forma como consegue juntar elementos pós-punk, góticos ou grunge na mesma canção, assim como sugestões de algum shoegaze (ou não fossem os Slowdive uma das influências assumidas), o que dá às primeiras amostras uma combinação equilibrada de familiaridade e imprevisibilidade.

 

A experiência em palco terá ajudado, já que Sean Solomon (voz e guitarra), Pascal Stevenson (baixo) e Andrew MacKelvie (bateria) têm tido presença regular na cena independente local nos últimos dez anos, desde que se conheceram na adolescência e aliaram a amizade à colaboração em projectos fugazes. Mas parece ser com os MOANING que irão mais longe, com um álbum de estreia em preparação desde 2014 e que conhece finalmente a luz do dia a 2 de Março.

 

O disco, homónimo, é produzido por Alex Newport (At The Drive-In, The Melvins, Bloc Party) e tem em "The Same", "Don't Go" e no mais recente "Artificial" três singles que sugerem estar aqui uma das surpresas de 2018 - além de revitalizante q.b. no campeonato das guitarras: