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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A ronda da noite

Fischerspooner

 

Parecendo que não, já passaram quase 20 anos (!) desde que os FISCHERSPOONER editaram o álbum de estreia, "#1" (2001), e se tornaram automaticamente numa das referências do electroclash - cena que recontextualizou a faceta mais crua e hedonista da pop electrónica da década de 80, tanto na música como na imagem.

 

Os discos seguintes da dupla nova-iorquina, mesmo com alguns momentos infecciosos, nunca conseguiram aproximar-se do efeito surpresa de hinos como "Emerge", mas o hiato criativo - mantido desde "Entertainment", de 2009 - parece ter trazido de volta parte da inspiração dos primeiros tempos.

 

"HAVE FUN TONIGHT", o novo single, abre caminho para o quarto álbum de Warren Fischer e Casey Spooner, "SIR", agendado para Setembro. E as novidades não se ficam por aqui, tendo em conta que a canção é produzida por Boots e... Michael Stipe. O ex-vocalista dos R.E.M. colabora, de resto, em todas as faixas do disco enquanto co-compositor e produtor, numa parceria que dificilmente se adivinhava.

 

Embora o álbum só chegue no fim do Verão, esta amostra é uma sugestão bem eficaz para as pistas no período estival, como aliás o videoclip insinua em ambiente homoerótico de tom vintage - a meio caminho entre a iconografia do também regressado Tom of Finland ou um Arraial Pride com dress code anos 80 (ainda que menos extravagante do que o habitual nos Fischerspooner):

 

 

Um presente requentado, mas bem aviado

Emily_Haines

 

EMILY HAINES tornou-se mais conhecida através de colaborações com os Broken Social Scene e sobretudo como vocalista dos Metric, mas para muitos um dos seus melhores discos continua a ser "Knives Don't Have Your Back" (2006).

 

Embora assinado como Emily Haines & The Soft Skeleton, foi o segundo álbum a solo da canadiana (sucessor do pouco ouvido "Cut in Half and Also Double", de 1996) e teve a voz e o piano como elementos centrais de uma indie pop de câmara, contaminada pelo jazz ou por uma folk negra - muito longe do domínio de guitarras e sintetizadores de outros projectos.

 

Depois do EP "What Is Free to a Good Home?" (2007), Haines deu sempre prioridade às canções da sua banda, mas este ano o caminho pode mudar, pelo menos temporariamente, com a promessa de um novo disco a solo em Setembro. "Choir of the Mind" conta com produção de Jimmy Shaw, guitarrista dos Metric, e Scott Minor, dos Sparklehorse, e tem em "FATAL GIFT" a primeira amostra.

 

O arranque do single, a cruzar uma voz doce e um piano soturno, lembra os dias de "Knives Don't Have Your Back", mas a entrada em cena de outros instrumentos e ritmos aproxima-se dos cenários dos Metric... o que não é de estranhar, uma vez que o tema propõe uma nova versão de um lado-B da banda. E se o resultado fica um pouco aquém das canções mais memoráveis de Emily Haines & The Soft Skeleton, chega para ir abrindo o apetite para as outras (12, pelo menos) que estão a caminho. Por agora, serve-se o videoclip:

 

 

Vai aonde te leva o coração

First_Hate

 

A new wave e a synthpop de meados de 80 continuam a ser terreno inspirador para boa parte da geração millennial, mesmo quando as tendências pós-punk de inícios dos anos 00 pareciam ter esgotado o filão nostálgico.

 

Que o digam Anton Falck Gansted e Joakim Nørgaard, os FIRST HATE, cujos dois EPs denunciaram audições atentas dos New Order, The Smiths ou Depeche Mode, influências mantidas no álbum de estreia, "A Prayer for the Unemployed", editado há poucas semanas.

 

Mas se recuam três décadas, as canções da dupla dinamarquesa também não andam longe do update sonoro de conterrâneos como os Lust for Youth (para quem já abriram concertos), Real Lies ou The Soft Moon, sobretudo por um trabalho de produção que as situa em 2017 - a contrastar com uma afectação vocal e romantismo exacerbado muito anos 80.

 

"THE ONE", o single mais recente, é dos casos em que essa herança é bem integrada (ainda que não bata o estupendo "Trojan Horse", do segundo EP), convocando sintetizadores e harmónica numa descência directa do clássico "Temptation", dos New Order. "Life is about following your heart", garante o vocalista num dos acessos spoken work de um tema que se vai tornando mais luminoso até ao remate acid house. O Verão do amor já lá vai, mas fica aqui um potencial hino para a pista de dança do que está a começar:

 

 

Há já muito tempo que nesta discografia o ar se tornou irrespirável

ema

 

Através de "Past Life Martyred Saints" (2011) e "The Future's Void" (2014), Erika M. Anderson, ou EMA, ganhou lugar entre as cantautoras a ter em conta reveladas esta década, depois de um percurso mais discreto ao lado dos Amps for Christ e Gowns ou de um álbum de estreia ("Little Sketches on Tape", 2010) de divulgação restrita.

 

"Exile in the Outer Ring", o próximo disco da norte-americana, chega a 25 de Agosto, pela City Slang, e deverá ser dos mais atípicos da silly season, pelo menos se mantiver o rock agreste cruzado com electrónica, acessos folk e viragens noise dos anteriores.

 

As canções mais recentes dão a entender que a calmaria continua a não morar por estes lados. "Aryan Nation" tenta medir o pulso do mundo em 2017, ambição que se estende a um lyric video que aglomera mais temas do que os que consegue agarrar. Já "BREATHALYZER", divulgada há poucos dias, dá mais protagonismo aos sintetizadores do que às guitarras num registo desacelerado, mas não menos intenso, e tão dopado como o casal que o videoclip acompanha ao longo de uma viagem nocturna. Álbum mais invernoso deste Verão?