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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Ainda precisamos dela

Laura Veirs

 

Embora seja uma das cantautoras mais prolíficas deste milénio, LAURA VEIRS já não edita um álbum em nome próprio desde "Warp and Weft", de 2013. É verdade que em 2016 apresentou canções novas no disco que a juntou a Neko Case e k.d. lang, "case / lang / veirs", mas novidades a solo só mesmo daqui a uns meses, a 13 de Abril, data da edição de "The Lookout".

 

Para o 10º álbum, no qual Sufjan Stevens ou Jim James (My Morning Jacket) surgem como vozes convidadas, a norte-americana promete um olhar tanto comunitário como individual, que vai das consequências "do caos pós-eleições e divisões raciais" nos EUA às suas experiências enquanto artista e mãe - e à tentativa de conciliação desses universos.

 

A importância de olharmos uns pelos outros também está entre os pontos de partida e parece ter sido uma das inspirações para "EVERYBODY NEEDS YOU", o primeiro single. Canção electroacústica, é um bom exemplo da vertente mais plácida da música de VEIRS, a meio caminho entre a indie pop e a folk - território que deverá ser dominante no alinhamento do disco. Já o videoclip não tem tanto de bucólico, com uma viagem de táxi estranhamente próxima da que Tracey Thorn faz no vídeo de "Queen", revelado há poucos dias. Tendência a ganhar força em 2018?

 

 

Pais & filhos (do trip-hop e não só)

Young Fathers

 

Habitualmente comparados aos TV On The Radio, Tricky ou Massive Attack (com quem andaram em digressão e colaboraram em "Voodoo in My Blood"), os YOUNG FATHERS não parecem ter abandonado essas influências quando se preparam para editar o próximo álbum - "Cocoa Sugar", agendado para 9 de Março, pela Ninja Tune.

 

Mas se o misto de ambientes trip-hop e acessos hip-hop, soul ou industriais sugere esses e outros nomes, um tema como "IN MY VIEW" mostra que o trio de Edimburgo está mais interessado na descontrução do que no decalque. E até tem neste novo single uma das suas canções mais conseguidas, ao conjugar canto e spoken word, pulsão rítmica (via percussão sincopada) e apelo melódico (amparado em sintetizadores discretos mas determinantes) num óptimo sucessor do já bem satisfatório "Lord" (o primeiro avanço do terceiro álbum, revelado no final do ano passado).

 

Se a música promete, o trabalho de imagem dos (improváveis) vencedores do Mercury Prize em 2014 (com o disco de estreia, "Dead"), não é menos apurado, como o confirma um videoclip centrado em várias stituações tensas e/ou dramáticas, embora talvez não tanto como possam dar a entender ao início:

 

 

Ascensão, repetição, celebração

Franz Ferdinand 2018

 

É um dos primeiros grandes lançamentos de 2018 e vai ser editado já a 8 de Fevereiro. "Always Ascending", o quinto álbum dos FRANZ FERDINAND, chega cinco anos depois de "Right Thoughts, Right Words, Right Action", mas tendo em conta o que dele se ouviu até agora parece estar mais na linha de "Tonight: Franz Ferdinand" (2009), disco que reforçou a carga electrónica das canções dos escoceses.

 

A faixa-título do novo registo, que também foi o single de avanço, já acentuava o apelo dançável e a presença dos sintetizadores, num regresso mais expansivo do que boa parte dos temas do álbum anterior. "FEEL THE LOVE GO", o segundo aperitivo, segue-lhe os passos numa marcha apontada às pistas, que talvez até lembre demasiado momentos clássicos do grupo mas vai conseguindo ganhar outro embalo mais para o final, com a entrada em cena de um saxofone que confirma a aproximação a alguma pop festiva dos anos 80.

 

O ambiente de celebração também toma conta do videoclip, no qual a nova formação da banda - com Dino Bardot a substituir Nick McCarthy na guitarra e Julian Corrie a ocupar-se dos teclados - mostra que se mantém tão espirituosa como a imagem de marca vincada desde o disco de estreia.

 

Além do vídeo do novo single, fica também abaixo o de uma actuação centrada no anterior, registada há poucos dias no "The Tonight Show Starring Jimmy Fallon" e a antecipar um pouco do que poderemos ver e ouvir no regresso dos FRANZ FERDINAND a Portugal, dia 14 de Julho no NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés:

 

 

 

Top of the pop(per)s

Fischersponer

 

Os FISCHERSPOONER já tinham avisado que o próximo álbum iria abordar os relacionamentos queer na era digital, e de forma mais despudorada do que qualquer outro do seu percurso. Mas se os videoclips dos singles anteriores - "Have Fun Tonight""Togetherness" - já eram consideravelmente crus na abordagem à sexualidade, a banda nova-iorquina vai bem mais longe nas imagens que acompanham a nova amostra de "SIR", disco a editar a 16 de Fevereiro.

 

O duo de Warren Fischer e Casey Spooner tem descrito o videoclip de "TOPBRAZIL" como o mergulho numa estética pop "tipicamente reservada para o arquétipo feminino", orgulhando-se de avançar aqui com um retrato que "liberta a forma masculina para ser sexual, expressiva e destemida".

 

A Out Magazine concorda e chega a defender que as danças, coreografias e cenas de sexo quase explícitas entre dezenas de homens numa sauna, dirigidas por Tom C J Brown (realizador vindo do cinema de animação queer), são uma representação "sem precendentes" da homossexualidade masculina nos media mainstream (afirmação discutível quando uns Kazaky ou Cazwell, por exemplo, percorreram terreno comparável há uns anos).

 

 

Já dezenas de reacções na página de Youtube do vídeo não têm sido tão entusiastas. Boa parte são mesmo assumidamente homofóbicas, incluindo as de utilizadores brasileiros ofendidos com o título da canção, e outras das maiores críticas apontam a representação estereotipada de homens gay, uma vez que todos os recrutados são jovens e atléticos.

 

Mas para o melhor e para o pior este é um sério candidato a videoclip mais comentado dos FISCHERSPOONER, embora talvez seja demasiado trangressor para vir a ser distinguido por referências LGBTQ como os GLAAD Awards (muito pouco inclusivos na categoria musical das nomeações da edição deste ano, convenhamos).

 

E a canção em si? É relativamente menos arrojada, num acesso electropop eficaz com produção de Michael Stipe (também co-compositor do álbum) e Stuart White, talvez mais convincente do que o single anterior, "Butterscotch Goddam", e na linha do primeiro avanço do álbum, "Have Fun Tonight", sem chegar a ser tão infeccioso. De qualquer forma, neste caso seria difícil que a música não acabasse por ser dominada pela imagem...