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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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À procura de um formato

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O arranque da segunda temporada de "LOOKING" confirma o que a primeira já tinha sugerido: meia hora por episódio está longe de ser a duração mais favorável para esta série da HBO, centrada em três amigos gays de São Francisco.

 

"Looking for the Promised Land", o capítulo inicial, é logo sintomático. O retiro do trio protagonista para uma casa na floresta, durante um fim de semana, oferece uma boa alternativa ao ambiente urbano habitual até aqui. Mas este reencontro com Patrick, Agustin e Dom, entre a pacatez da chegada e a passagem para uma rave a céu aberto, passa tão a correr que acaba por saber a pouco. Não que seja tempo perdido, longe disso. Só que uma duração tão curta por episódio, invulgar numa série dramática (mesmo que vincada por vários momentos cómicos), não se dá especialmente bem com o ritmo semanal. E essa será a maior limitação de uma aposta que, ao fim de três novos capítulos, parece ganhar pela (re)visão de conjunto, como aliás já tinha acontecido com a temporada anterior, em que o todo era maior do que a soma das partes.

 

Apesar de servida em doses moderadas e de assentar numa leveza rara no meio de tantas séries drásticas e urgentes, a nova fase de "LOOKING" é tão ou mais cativante do que a que apresentou o dia-a-dia de três amigos que agora partilham o protagonismo com outras personagens regulares - Kevin e Richie, que compõem o triângulo amoroso de Patrick, têm mais tempo de antena e os fãs agradecem, num reforço complementado pela desbocada Doris, a tentar livrar-se do rótulo "fag hag" (palavras de Agustin).

 

LOOKING.Season 2.Episode 02.Day 01

 

A química entre o elenco está cada vez mais forte e a espontaneidade dos diálogos é uma lição para muitos exemplos do pequeno ou do grande ecrã, qualidades que seriam de esperar em Andrew Haigh ("Weekend"), um dos argumentistas e realizadores, cujo tom intimista e observacional é mantido por Ryan Fleck ("Half Nelson - Encurralados") e outros nomes atrás das câmaras.

 

Nem o avanço para situações mais ou menos habituais em dramas LBGT, como a abordagem da SIDA, praticamente deixada de lado na primeira temporada, faz com que "LOOKING" abdique das suas idiossincrasias. A forma como Patrick lida com o tema, no segundo episódio, é um bom exemplo, aliás, do salto do particular para o universal que os melhores momentos da série conseguem dar sem sequer parecerem esforçar-se. Não sendo um arco narrativo inédito (até as telenovelas já passaram por aí), conquista pelo tom tão tenso como espirituoso, completamente condizente com o protagonista e com a fase que a sua relação atravessa. Só é pena, lá está, que a lógica semanal "menos é mais", que até funciona em retratos como esse, não faça inteira justiça a uma série tão bem sintonizada com as suas personagens.  

 

A segunda temporada de "LOOKING" estreia esta quinta-feira em Portugal, no TV Séries, a partir das 23 horas.