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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Destruir depois de ver

 

 

"No Limite do Amanhã" bem pode deixar o seu protagonista voltar atrás no tempo depois de morrer, num loop narrativo repetido dezenas de vezes e sempre com o mesmo ponto de partida. Mas por mais vidas que vá retomando, William Cage nunca deixa de ser uma personagem (mais uma, aliás) em que Tom Cruise se limita a fazer de... Tom Cruise.

 

A enésima repetição do modelo de herói intrépido (a hesitação inicial é rapidamente despachada), sempre de sorriso pronto e paleta emocional limitada, nem será o maior problema desta aventura de ficção científica assinada por Doug Liman - e inspirada numa novela gráfica japonesa. Alguns dos filmes mais recentes protagonizados por Cruise ("Jack Reacher", "Missão: Impossível 4 - Protocolo Fantasma" e sobretudo "Esquecido") não precisaram, de resto, de uma interpretação tremenda para funcionarem, pelo menos, como entretenimento simpático e bem oleado (e que nem tinha de ser mais do que isso).

 

 

"No Limite do Amanhã", no entanto, tem tão pouco a seu favor que a postura mecânica do protagonista está longe de ser caso único e resume o que o rodeia. Este é mesmo um exemplo gritante de um blockbuster que, apesar dos truques narrativos, avança em piloto automático, numa sucessão de diálogos expositivos e cenas de acção com muito dinheiro e pouco rasgo. A premissa também não é original e tem sido comparada à de "O Feitiço do Tempo" (1993), mas podia dar bons resultados num ambiente bélico e futurista, com a humanidade ameaçada por uma invasão extraterrestre. Pena que o imaginário seja tão genérico, semelhante ao de tantos filmes e videojogos, e as personagens do mais pobre que se tem visto. Emily Blunt, a mulher de armas de serviço, sujeita-se a muleta do argumento e interesse romântico tão previsível como forçado... e ainda assim é a presença mais memorável.

 

Esta aventura torna-se especialmente desapontante quando Doug Liman até tinha alguma coisa a dizer no seu filme anterior, "Jogo Limpo" (2010), inesperado ponto alto de um percurso de tarefeiro que não começou nada mal com "Swingers" (1996) ou "Go - A Vida Começa às Três da Manhã" (1999). Em "No Limite do Amanhã", o norte-americano limita-se a uma rotina vistosa, mas cansativa, num desperdício de tempo e de meios. Para ver uma premissa semelhante a funcionar bem num cenário de acção sci-fi, o melhor é recuperar o esquecido "O Código Base" (2011), com o savoir faire discreto de Duncan Jones e a entrega do sempre confiável Jake Gyllenhaal.

 

 

 

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