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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Fundo de catálogo (102): Front 242

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Num ano, até agora, marcado por mais regressos do que grandes surpresas na agenda de concertos, não deixa de ser estranho (e injusto) o quase silêncio em torno da estreia por cá dos FRONT 242 - sobretudo quando comparada com a euforia pela enésima actuação de uns Prodigy, também eles referências da electrónica industrial (nada contra, são uma aposta seguríssima ao vivo).

 

É verdade que os belgas actuam em Portugal com quase 25 anos de atraso (formaram-se em 1981), mas o papel enquanto pioneiros da EBM (electronic body music), reforçado por uma discografia especialmente influente nos primeiros registos, torna-os num destaque obrigatório do Festival Forte e numa das melhores confirmações deste Verão - que, lá está, só peca por tardia.

 

O grupo que deixou, ao lado dos Nitzer Ebb, Skinny Puppy ou Ministry, alguma da electrónica mais austera, negra e ainda assim dançável dos anos 80 revisita o catálogo no evento do Castelo de Montemor-o-Velho, cuja segunda edição decorre entre 27 e 29 de Agosto. E deverá ser uma revisitação com mais rasgo do que as de muitos veteranos, sobretudo se se concentrar em "Front by Front" (1988), o terceiro álbum e também o mais consensual, sem a dispersão de ideias da estreia, "Geography" (1982), e com um equiíbrio entre composição e produção ainda por consolidar em "Official Version" (1987).

 

O pragmatismo rítmico conjugado com samples instrumentais ou vocais pode soar datado, mas ainda mantém a força que distinguiu a banda em clássicos como "HEADHUNTER" ou "MASTERHIT", dois dos temas obrigatórios ao vivo recordados nos videoclips abaixo (o primeiro com assinatura inconfundível de Anton Corbijn). "IM RHYTHMUS BLEIBEN", numa versão ao vivo gravada há poucos meses, sugere que o grupo continua a fazer todo o sentido num palco, apesar de o último álbum ter sido editado há mais de dez anos ("Pulse", de 2003). Tão boa ou melhor é a remistura de "HAPPINESS", a resistir muito bem duas décadas depois, cortesia dos Underworld (que reconheceram aqui uma influência extensível a outros nomes da classe de 90, caso dos Nine Inch Nails, Rammstein ou... Prodigy, na fase mais explosiva). Não faltam argumentos para o pesadelo de uma noite de Verão...