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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Fundo de catálogo (107): The Chemical Brothers

Antes de "Hey Boy Hey Girl", antes de "Star Guitar", muito antes de "Galvanize" houve "Block Rockin' Beats", tema de abertura do disco que levou os CHEMICAL BROTHERS para outra divisão. "DIG YOUR OWN HOLE", o segundo álbum da dupla britânica, tornou Ed Simons e Tom Rowlands nos maiores embaixadores do big beat na década de 90, ao lado dos Prodigy e Fatboy Slim, e é um dos clássicos que chega aos 20 anos em 2017.

 

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É verdade que "Exit Planet Dust" (1995) já tinha aberto caminho para que o duo ganhasse lugar na produção electrónica desse tempo, sobretudo pela aproximação dos universos do rock, do hip-hop e da música de dança, mas a segunda investida teve outros contornos criativos e sobretudo mediáticos.

 

Afinal, foi com o álbum lançado a 7 de Abril de 1997 que os dois produtores de Manchester saltaram da Junior Boy's Own, editora mais assoaciada à música de dança, para uma fábrica de blockbusters como a Virgin, ou que chegaram ao lugar cimeiro do top britânico em dose dupla, com os singles "Setting Sun" e "Block Rockin' Beats". O primeiro tema até teve direito a um convidado de luxo, Noel Gallagher, que em plena fase áurea dos Oasis encontrou espaço na agenda para colaborar com a dupla depois de ter insistido para dar voz a uma das canções do disco - e também depois de se ter viciado no álbum anterior, e em especial na brilhante "Life Is Sweet", com a participação de Tim Burgess, dos Charlatans.

 

 

A guest list de "DIG YOUR OWN HOLE" não é das mais recheadas da discografia dos Chemical Brothers, mas dá conta dos horizontes que teriam outra ambição nos anos seguintes.

 

Kool Herc reforça a vénia da dupla ao hip-hop no colosso "Elektrobank", com videoclip icónico realizado por Spike Jonze em torno das acrobacias de uma muito jovem Sofia Coppola. No extremo oposto, Beth Orton consegue ser graciosa enquanto lida com uma ressaca no arranque quase bucólico de "Where Do I Begin", dando um segundo passo, depois da participação em "Exit Planet Dust", para se tornar na cúmplice mais habitual do duo. E Jonathan Donahue, vocalista dos Mercury Rev, toca clarinete no grande final a cargo de "The Private Psychedelic Reel", instrumental épico de quase  dez minutos e ainda um dos maiores prodígios de ritmos, melodias e texturas dos Chemical Brothers.

 

 

O início do alinhamento não é menos portentoso, com "Block Rockin' Beats", que apesar de alguma saturação ainda está entre os picos do big beat - tal como está a esquecida faixa-título, logo a seguir, cuja gestão de batidas faz sombra a muita produção EDM demasiado celebrada nos últimos anos.

 

A pista de dança impõe-se como destino de forma ainda mais demarcada na sequência de "It Doesn't Matter", "Don't Stop the Rock" e "Get Up on It Like This", cuja mescla techno, house e funk não sairá tão favorecida em audições caseiras mas dá conta da perícia de Rowlands e Simons na mistura e colagens. E ajuda a deixar claro o papel de "DIG YOUR OWN HOLE" na electrónica mais cinética do seu ano, ao lado de "Homework", dos Daft Punk, ou "The Fat of the Land", dos Prodigy, outros álbuns que não perderam a frescura depois da maioridade.

 

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