Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O amor de Batman e Robin e outras histórias

batguano.jpg

 

E se Batman e Robin fossem um casal? A ideia não é nova (até tem mais anos do que muitos fãs) e a concretização também não, servindo de inspiração para boa parte da fanfiction sobre a dupla dinâmica. Mas "Batguano", de Tavinho Teixeira, pegou no conceito e levou-o para o Brasil de daqui a duas décadas, com o Cavaleiro das Trevas a viver a terceira idade ao lado do seu sidekick de sempre. E para sempre? Fica para descobrir no filme de Tavinho Teixeira, uma das propostas do cartaz do QUEER LISBOA 19.

 

O Festival Internacional de Cinema Queer arranca, aliás, com outro título brasileiro recente, o mais falado "Praia do Futuro", de Karim Aïnouz, centrado num nadador-salvador e num piloto. O drama protagonizado por Wagner Moura abre a 19ª edição do evento nesta sexta-feira, às 21h00, no Cinema São Jorge. Para o fecho fica o novo filme de Peter Greenaway, "Eisenstein in Guanajuato", dia 26 à mesma hora, olhar sobre uma relação homossexual de Eisenstein no México.

 

Já da produção nacional, a Noite Hard com as novas obras de António da Silva ("Doggers", "Limanakia" e "Spunk"), no próximo sábado, é bem capaz de se tornar uma das mais concorridas - não faltaram adeptos na do ano passado. De entrada livre, e com várias exibições, a instalação "AMG Whizz-Bang: Bob Mizer's Pioneering Role in Hardcore Cinema" recua algumas décadas para acompanhar a representação da nudez masculina, em especial a ligação entre os ensaios fotográficos da Athletic Model Guild e pornografia gay.

 

nenehcherry2

 

Outra iniciativa gratuita, esta já habitual, é a secção Queer Pop, dedicada aos 25 anos da "Red Hot + Blue", a primeira de várias compilações da Red Hot Organization, de luta contra a sida - Neneh Cherry, U2, Tom Waits, Erasure, Debbie Harry e Iggy Pop estão entre os nomes a recordar. Por essa altura, o mundo começava a reparar em Björk, cuja videografia também vai estar em destaque (pena que ainda não seja desta que a programação musical encontre espaço para os Garbage, até porque a digressão "20 Years Queer" vinha bem a propósito).

 

Num ano em que a organização realça o olhar mais inclusivo e alargado do mundo, além da comunidade queer, as apostas das longas-metragens em competição acabam por não fugir muito aos relacionamentos gay (entre o boy meets boy e o boy meets man), embora seja dada maior atenção à temática lésbica, bissexual, transgénero e transsexual noutras secções, das curtas à documental, passando pela Queer Art - que também não parecem restringir-se às abordagens mais fechadas e auto-centradas de alguma produção LGBT.

 

E como há mais para ver mas nem sempre é fácil começar a decidir, ficam cinco sugestões para os próximos dias:

 

queerlisboa2015_ 7Kinds2

 

1 - "7 KINDS OF WRATH": O Queer Lisboa tem sido de casa de algumas boas surpresas do cinema grego recente, do murro no estômago de "Boy Eating the Bird's Food" ao bem simpático e imaginativo "Xenia". O protagonista deste último filme é, de resto, um dos actores principais da nova (e quinta) longa-metragem de Christos Voupouras, retrato do encontro entre um arqueólogo de 45 anos e um jovem imigrante árabe e da relação que começa a desenhar-se. Mas há outras que se entrecruzam neste drama realista rodado a preto e branco, cujo trailer promete doses generosas de melancolia.

 

queerlisboa2015_je_suis_a_toi

 

2 - "JE SUIS À TOI": Autor do premiado "Hors les Murs" (2012), o belga David Lambert tem ganho mais alguns elogios nesta segunda longa-metragem, ancorada num jovem argentino que seduz um homem mais velho pela internet e acaba por ir trabalhar para a sua padaria na Bélgica. Drama, comédia, dificuldades do crescimento e dilemas conjugais condimentam o que parece ser um estudo de personagens a espreitar entre as obras em competição.

 

queerlisboa2015_limbo

 

3 - "LIMBO": Não faltam relatos coming of age nesta edição do festival e uma das mais intrigantes, e das poucas no feminino, é este drama da dinamarquesa Anna Sofie Hartmann. A premissa está longe de ser original - uma aluna do liceu apaixona-se pela professora, que a rejeita -, mas o filme chega com boa reputação, os planos rigorosos e a espontaneidade dos actores não passam despercebidos no trailer e a realizadora, apesar de se estrear aqui nas longas-metragens, já anda nisto há alguns anos e tem currículo nas curtas.

 

queerlisboa2015_novadubai

 

4 - "NOVA DUBAI": A transgressão já foi um dos temas do Queer Lisboa e esse espírito está bem presente numa obra como a primeira longa-metragem de Gustavo Vinagre, mais uma do cinema brasileiro recente em destaque nesta edição. Mais uma mas dificilmente confundível com qualquer outra, já que o olhar sobre a evolução e desolação urbana, assente na nostalgia de um grupo de amigos e com cenas de sexo explícito vividas pelo próprio realizador, faz desta uma experiência pouco dada a normas e consensos.

 

queerlisboa2015_oriented2

 

5 - "ORIENTED": Há uns anos, Telavive foi parte do cenário de um dos melhores filmes que já passaram pelo Queer Lisboa: "The Bubble", de Eytan Fox. Desta vez, a cidade israelita é palco deste documentário assinado pelo britânico Jake Witzenfeld, nascido da amizade de três amigos palestinianos e das suas rotinas do outro lado da fronteira, vincadas por ambições e preocupações distintas. E felizmente para eles, à partida um pouco menos assombradas pelo conflito israelo-árabe do que o tal drama de 2006.