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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Queer Lisboa 18: cinco filmes do ano da maioridade

 

Uma retrospectiva de John Waters (com obras como "Hairspray" ou "Pink Flamingos"), outra de Ron Peck (autor de "Nighthawks", habitualmente apontado como o primeiro filme gay britânico), uma secção dedicada ao cinema africano (a recuperar o clássico "Touki Bouki", do senegalês Djibril Diop Mambety), cinco curtas metragens de António da Silva (entre elas "Beach 19" e "Dudes Nudes", estreias do português radicado em Londres) e filmes brasileiros a abrir e a fechar ("Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", de Daniel Ribeiro, a suceder à promissora curta-metragem homónima, e "Flores Raras", de Bruno Barreto, respectivamente) estão entre as principais propostas do Queer Lisboa 18, a decorrer no Cinema São Jorge e na Cinemateca já entre os dias 19 e 27 - e mais tarde no Porto, pela primeira vez, com sessões na Casa das Artes a 3 e 4 de Outubro.

 

Além destes focos temáticos, deverá valer a pena ir seguindo as secções competitivas ou Panorama, mais dedicadas às novidades e com potencial para algumas das maiores surpresas do Festival Internacional de Cinema Queer. Talvez seja o caso destas cinco longas-metragens, destaques de uma primeira espreitadela à programação:

 

 

1 - "Eastern Boys": Robin Campillo é colaborador habitual de Laurent Cantet e assina aqui a sua segunda longa-metragem. "Les Revenants" (2004), a primeira, movia-se entre o terror e a ficção científica e gerou culto suficiente para inspirar uma série. Desta vez, o realizador marroquino segue um executivo cuja rotina muda quando se envolve com um jovem imigrante de leste. A julgar pelo trailer, este drama não anda longe do estilo realista, sóbrio e algo clínico do cineasta de "A Turma" ou "O Emprego do Tempo".

 

 

2 - "L’Armée du Salut": Outro realizador marroquino, Abdellah Taïa é mais conhecido por ser o primeiro escritor árabe a assumir a sua homossexualidade. A estreia na realização adapta um dos seus livros e começa por acompanhar um adolescente de Casablanca, entre a descoberta da sexualidade e desilusões amorosas e familiares, reencontrando-o anos depois já adulto em Genebra. A Les Inrocks e o Le Monde gostaram.

 

 

3 - "La Partida": Antonio Hens não é um novato no Queer Lisboa. "Clandestinos", o seu primeiro filme, passou pelo festival há seis anos e deixou boas impressões. O sucessor mostra que o realizador espanhol continua interessado em dramas juvenis, olhando agora para a relação amorosa entre dois adolescentes cubanos a que não faltam problemas - financeiros, familiares ou culturais. Mas depois do frenesim do filme anterior, viagem aos bastidores do terrorismo, parece abrir espaço para alguma candura neste regresso...

 

 

4 - "Party Girl": Realizado a seis mãos, pelos francedes Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis, está entre os filmes mais aclamados da edição deste ano. A Câmara de Ouro em Cannes 2014 para Melhor Primeira Obra é apenas uma das distinções deste drama "selvagem e generoso", estudo de personagem amparado numa empregada de bar de 60 anos que não quer deixar de se divertir tão cedo... até que lhe fazem um pedido de casamento.

 

 

5 - "Xenia": Se a Grécia está em crise, não será por culpa do cinema. Surpresas como "Canino", "Attenberg" ou "Boy Eating the Bird's Food" (uma das grandes apostas do Queer Lisboa no ano passado) têm sido provas disso e esta obra de Panos H. Koutras parece ser mais um ovni a juntar à lista. A imagem do início deste post pode sugerir a estranheza de "Donnie Darko", mas o trailer da odisseia de dois irmãos à procura do pai lembra mais o delírio camp de "Nowhere" e "Kaboom", de Gregg Araki. Nada como ver o filme para tirar as dúvidas...

 

Outra das secções já habituais do festival, Queer Pop, recorda este ano videoclips assinados por Derek Jarman (para Marianne Faithfull, The Smiths, Suede ou Marc Almond) e alguns da obra dos Pet Shop Boys. O de "Rent", da dupla de Neil Tennant e Chris Lowe, funciona como uma espécie de dois em um, já que foi realizado pelo artista britânico - e ilustra aquela que é talvez a melhor canção de sempre a combinar relações amorosas e o pagamento da renda: