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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Queimar soutiens? Não, basta ter orgulho na mini-saia

braids

 

De Beyoncé a Madonna, de Grimes a Lana Del Rey, o feminismo e a objectificação da mulher têm sido tema de boa parte da pop recente - da música ou de alguns depoimentos das suas autoras. Mas poucas canções dos últimos tempos terão sido tão contundentes a abordar o assunto como o novo single dos BRAIDS.

 

A conversa do visual "provocante" como desculpa para a violação é tão triste como antiga e mais do que inspiradora para uma canção como "MINISKIRT", que também passa pelos dois pesos e duas medidas aplicados a comportamentos masculinos e femininos. "I am not a man hater/ I enjoy them like cake/ But in my position/ I'm the slut/ I'm the bitch/ I'm the whore", dispara Raphaelle Standell-Preston, a mostrar força por trás da voz doce e aparentemente frágil. "You feel you've the right to touch me/ Cause I asked for it/ In my little miniskirt", continua, antes de chegar ao pico de um potente manifesto feminista quando defende "My little miniskirt/ It's mine, all mine".

 

A discussão está longe de ser nova, os argumentos da banda também, mas não só continua a fazer sentido como é bem trabalhada numa canção que não se esgota na agenda política. O arranque relativamente apaziguado e minimalista, ao piano, vai dando lugar a electrónica mais agitada, de perfil glitch, que recusa a estrutura formatada insinuada pelo refrão - e acaba por acompanhar o relato de outra experiência de domínio masculino nos últimos minutos, ainda assim a contornar a vitimização. O resultado é um dos pilares do terceiro e novo álbum dos canadianos, "Deep in the Iris", e Kevan Funk contou à Pitchfork ter-se inspirado na sua "beleza incendiária" e na ideia de controlo da natureza para realizar o videoclip: